Contornos - Educação e Pesquisa: ensino superior
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12 fevereiro 2024

Como começar uma revisão bibliográfica ou sistemática

Sabemos que em uma pesquisa acadêmica é necessário realizar uma revisão de literatura sobre o tema que envolve o objeto de pesquisa. Em um artigo sobre as causas do plágio em trabalhos acadêmicos, tratei sobre a importância da pesquisa na construção de um trabalho, ainda que simples, para que “tenhamos o que dizer” nos trabalhos que apresentamos. (Veja em: Plágio em trabalhos e relatórios: é preciso entender o que é pesquisa). No entanto, o que é e como fazer uma pesquisa bibliográfica? Por onde começar e como buscar as bases teóricas de uma pesquisa? E o que é uma revisão sistemática?

Primeiramente é preciso destacar que o processo de pesquisa não é linear, apesar de poder ser sistematizado. Trata-se de um vai e vem na medida em que se lê, experimenta visões e entra em confronto com ideias diversas. A definição do objeto fica mais amadurecida depois de algumas leituras, sendo que parte dessas serão bases para se aprofundar e outras são descartadas ao longo do caminho.

Severino (2007) distingue 3 fases do amadurecimento de um trabalho: (1) a fase da invenção, da descoberta e da formulação de hipóteses; (2) a pesquisa em si, podendo ser experimental, de campo e/ou bibliográfica e (3) a formulação amadurecida com o levantamento de fontes e documentos. Assim, há um percurso de exploração, leitura e amadurecimento da proposta e das percepções do pesquisador-autor, para daí se produzir um trabalho acadêmico.

As pesquisas acadêmicas são também pesquisas bibliográficas, pois sempre retomam as bases do tema a ser tratado. Algumas são apenas bibliográficas e outras e realizam também a pesquisa empírica, com dados construídos em trabalho de campo. De acordo com Severino (2007)

A pesquisa bibliográfica é aquela que se realiza a partir do registro disponível de pesquisas anteriores em documentos impressos como livros, artigos, teses etc. Utiliza-se de dados ou de categorias teóricas já trabalhadas por outros pesquisadores e devidamente registrados. Os textos tornam-se fontes dos temas a serem pesquisados. O pesquisador trabalha a partir das contribuições dos autores dos estudos analíticos constantes nos textos (p.122).

A escolha sobre as fontes da pesquisa bibliográfica vai depender de um conhecimento básico sobre o tema e seus fundamentos, de autores clássicos até os mais atuais. Muitas vezes o/a professor/a orientador/a traz algumas sugestões, mas cabe ao estudante também buscar as bases do tema (se já não o conhecer) em planos de ensino das disciplinas relacionadas e referências de trabalhos estudados. O nível de aprofundamento depende do tipo de pesquisa que está sendo realizada (artigo, TCC, dissertação ou tese).

Já em uma pesquisa bibliográfica sistemática, revisão sistemática ou metapesquisa utiliza de palavras-chave e busca de trabalhos em bases de dados, com recortes e filtros como período de publicação, área de estudos, entre outros. Pode haver diferenças procedimentais em cada uma das nomenclaturas e abordagens conforme os autores, mas basicamente apresentam o uso de palavras-chave para busca em bancos de dados e critérios de exigibilidade , ou seja, o que seja incluído ou não na lista de estudos a serem lidos. Essa busca pode ser realizada tanto em bibliotecas quanto em bases de dados digitais (ver exemplos mais adiante).

A leitura dos estudos de revisão sistemática é guiada por perguntas pré definidas que são feitas para cada estudo, conforme o problema de pesquisa. Por exemplo, em um artigo que foi publicado em 2015, realizei uma pesquisa sistemática sobre o que outros estudos dizem sobre a formação de professores para a gestão democrática na escola. Com as leituras, foram formadas categorias a partir dos achados, que depois foram sistematizadas em anotações e arquivos.

No exemplo, realizamos um levantamento junto ao Banco de Teses e Dissertações Capes das produções referentes aos anos de 2011 e 2012. Observamos que, nesse período, foram defendidas 25 dissertações e 4 teses com os termos gestão democrática da educação, gestão escolar democrática e gestão democrática na escola. A intenção era verificar, inicialmente, através dos resumos, os temas e objetos investigados nas pesquisas, além de seus resultados, buscando compreender as tendências na efetivação da gestão democrática na escola. 
 
Apenas com a leitura dos resumos dessa amostra foi possível perceber que nenhum dos trabalhos abordava a relação entre formação inicial de professores e gestão escolar democrática, o que nos trouxe um dado importante para mais questões de pesquisa e aprofundamento. No trabalho completo é possível ver como trabalhamos com a revisão sistemática para entender os caminhos das pesquisas sobre gestão democrática na escola: A gestão escolar democrática na formação inicial do professor: elementos teóricos para pensar a formação política do professor da educação básica

Algumas bases de dados digitais de material bibliográfico mais comuns no Brasil:
  • SciELO - Brasil - É um portal que reúne acesso aos principais periódicos científicos do país, organizados por temas e áreas de conhecimento.
  • LILACS - bvsalud.org - Um abrangente índice da literatura científica e técnica da América Latina e Caribe.
  • Portal de Periódicos da CAPES - Uma plataforma digital que oferece acesso a uma vasta gama de periódicos científicos, artigos, revistas, e outras fontes de informação acadêmica. Desenvolvido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
  • Catálogo de Teses & Dissertações - CAPES - Trata-se de um repositório de dissertações e teses defendidas em universidades brasileiras s, também desenvolvido pela CAPES.

A biblioteca da UDESC elaborou um material informativo sobre revisão sistemática, um guia para quem quer se aprofundar nessa metodologia de pesquisa. Veja em: https://www.udesc.br/bu/manuais/rsl

Existe outro tipo de pesquisa que pode se confundir com a pesquisa bibliográfica que é a pesquisa documental. Trata-se de uma outra metodologia que envolve práticas próprias. Sobre a pesquisa documental, veja este outro artigo: Pesquisa Documental: utilização e abordagens metodológicas

Enfim, muito se poderia falar sobre pesquisa bibliográfica e sistemática, no entanto, o objetivo aqui é aproximar ou reaproximar as pessoas dos procedimentos de pesquisa acadêmica e mais leituras podem ser necessárias para o aprofundamento da compreensão.


Referência:

SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 23.ed. rev. e atual. São Paulo: Cortez, 2007.

13 janeiro 2021

Como elaborar referências de livros eletrônicos (e-books)

Leitor de e-book

Muitas pessoas têm aderido ao uso de leitores de livros eletrônicos (e-book) como Kindle, Kobo e outros. Esses suportes para leitura são visualmente mais adequados do que o celular ou o tablet, entre vários outros benefícios para leitores assíduos.

No entanto, o sistema de paginação de um ebook pode ser muito diferente de um livro impresso ou até mesmo dos arquivos de texto mais comuns. Como o texto é flexível, pode ser aumentado, diminuído, fontes e espaçamentos diferentes podem ser configurados, assim, não há páginas fixas. Em geral, os e-books utilizam a unidade posição para marcar o local do livro. 

De acordo com Ferreira (2013), cada posição representa um grupo de 128 bytes de dados, o equivalente a aproximadamente 128 letras. Em algumas edições, há uma opção de verificar a correspondência com a página da edição impressa, porém, nem todos os livros eletrônicos têm uma versão impressa e nenhum deles deveria ser considerado o mais correto, uma vez que são suportes diferentes para o mesmo conteúdo.

A ABNT, na NBR 6023 (2018), ainda que tenha sido atualizada recentemente, ainda não cita os e-books de forma clara. Os trechos que mencionam a indicação de páginas são genéricos sobre o que fazer em casos não previstos, como e-books sem paginação convencional. No entanto, a partir das indicações, podemos construir um formato.

8.7.3 Documento em meio eletrônico
Recomenda-se indicar o tipo de suporte ou meio eletrônico em que o documento está disponível. Para redes sociais, especificar o nome da rede e o perfil ou página acessados, separados por dois pontos. Para os demais documentos, seguir o descrito em 8.7.1. (ABNT, 2018, p. 54)

No caso de e-books, não haverá uma referência com endereço eletrônico, uma vez que os livros são arquivos localizados na memória do suporte. A referência final é de um livro ou artigo como as publicações impressas, com a indicação de que se trata de uma edição em e-book.

➡ Exemplo: Thomas S. Kuhn, The Structure of Scientific Revolutions, 4ª ed. Chicago e London: The University of Chicago Press, 2012, edição Kindle, cap. IX.

No item sobre as unidades físicas, há mais informações que ajudam a pensar na formação da referência para o formato e-book

8.7.1 Unidades físicas
A quantidade total das unidades físicas referenciadas deve ser registrada na forma indicada no documento, seguida da sua designação específica, abreviada quando possível, e separada por vírgula quando houver mais de uma sequência. Se necessário informar detalhe do documento, indicá-lo entre parênteses. (ABNT, 2018, p. 52)

Assim, se a forma de apresentação do e-book for em "posição", indicar essa unidade na referência (no caso de citação direta, que é quando devemos expor o local específico da citação).

Exemplo:
Resolvi tomar uma media e comprar um pão. Que efeito surpreendente faz a comida no nosso organismo! Eu que antes de comer via o céu, as árvores, aves tudo amarelo, depois que comi, tudo normalizou-se aos meus olhos. (JESUS, 2014, posição 644)

Nas referências finais/completas:

JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo – diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2014. Livro eletrônico. 3157 posições.


⚠ Se você estiver escrevendo um texto acadêmico que vai ser apreciado por uma banca, converse com sua orientação e decida se vocês irão utilizar as edições em livro eletrônico nas citações ou se seria o caso de verificar a paginação em um livro físico. Isso pois os e-books podem não ser familiares a todas as pessoas envolvidas, embora seja um suporte tão legítimo para o conteúdo quanto um livro físico.

Compartilhe as suas dúvidas e experiências sobre o tema nos comentários. ;)


Referências:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 6023: Informação e documentação: Referências - Elaboração. Rio de Janeiro, 2018. 74 p.

FERREIRA, Cris. Entenda como funciona a contagem de páginas nos ebooks. Vida sem papel, 2013. Disponível em: https://www.vidasempapel.com.br/paginas-nos-ebooks/. Acesso em: 10/01/2021.
 
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26 outubro 2020

Podcast na educação: o que é, dicas e como começar

 
Os podcasts já vinham se popularizando nos últimos anos, e com o contexto de pandemia, distanciamento social e aulas remotas, sua utilização tornou-se uma alternativa interessante para a educação. Esse recurso tem sido bastante utilizado por professores, tanto como forma de se aproximar de seus estudantes quanto para sua própria formação.
 
O que é um podcast? Trata-se de um meio de publicação de arquivos de mídia (áudio) em agregadores diversos (Apple, Google, Spotify, Deezer, Pocket, entre outros ou até mesmo em um site próprio). É muito comparado ao rádio, por ser uma mídia sonora, porém, apresenta algumas diferenças. O podcast é um conteúdo “on demand”, ou seja, tocado sob demanda do usuário. Não há uma programação diária, o arquivo é postado e cada um ouve quando e quantas vezes quiser. Também é um conteúdo fácil de compartilhar por meio de links. Existem programas curtos, de até 10 minutos, outros com cerca de uma hora e até com várias horas de duração, que o usuário pode ouvir em partes.
 
Atualmente, com a maior facilidade de produzir e distribuir, passou-se a observar como esse poderia ser mais um recurso didático para o contexto de ensino remoto emergencial, ensino híbrido ou mesmo em aulas totalmente presenciais.
 
O formato possui diversos potenciais, como suscitar o interesse do educandos com uma forma diferente de entrar em contato com o conteúdo, diversificação dos espaços de aprendizagem, contribuição para os diferentes ritmos de aprendizagem (já que se pode ouvir de forma acelerada, pausada ou re-ouvir várias), acessibilidade para estudantes com deficiência visual ou dificuldades de leitura e, quando os estudantes também produzem os programas, há uma intensa mobilização sócio-discursiva, pois é necessária uma organização do discurso por parte do estudante.
 
Quanto aos desafios, um dos principais se refere à possibilidade de conexão para download ou ouvir os áudios em streaming. Para muitos estudantes, esse ainda é um entrave significativo. Outro desafio é a sustentabilidade do projeto por parte dos professores. Um podcast, assim como qualquer projeto, precisa de planejamento, objetivo e roteiro claros, o que demanda muita preparação e disposição. Uma dica para superar esse desafio é formar parcerias, trazer convidados/as, ter um grupo de apoio e dividir tarefas. Outra dica é que os podcasts se organizam por temporadas, você pode criar uma temporada com um número limitado de episódios os quais você se compromete em produzir (por exemplo uma temporada de 4 episódios) e depois vê a viabilidade de realizar outras temporadas.

Algumas dicas de podcasts para estudantes e professores*

  • BBC Learning English
  • Café da Manhã
  • Fronteiras da Ciência
  • Fronteiras Invisíveis do Futebol
  • História No Cast
  • História Preta
  • Mira na Língua Portuguesa
  • Nerdcast
  • Ponto de Virada
  • Prato cheio
  • Quadro Negro
  • Teaching in Critical Times
  • Trip com Ciência
  • Xadrez Verbal

*Dicas de estudantes e colegas por meio de enquete em maio de 2020 - envie suas sugestões nos comentários. :) 

Destaco também duas iniciativas (entre tantas maravilhosas) de professores da educação básica:


Como começar a produzir um podcast? Para as minhas aulas no Ensino Médio em 2020, utilizei a plataforma Anchor (https://anchor.fm) para produzir aulas em áudio para os estudantes. Trata-se de uma plataforma gratuita e bastante intuitiva, é possível produzir programas por meio do celular. 

Para saber mais como funciona essa ferramenta, recomendo o curso (que foi a principal referência para este texto) "Podcast na educação: da ideia à publicação" realizado pelo EDUMÍDIA - UFSC para a Semana de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação da UFSC (SEPEX).

O curso está disponível no YouTube:

 
 
 

COMO REFERENCIAR ESTA POSTAGEM:

PEREIRA, Vanessa Souza. Podcast na educação: o que é, dicas e como começar. Contornos - Educação e Pesquisa, Florianópolis, 2020. Disponível em: <http://www.contornospesquisa.org/2020/10/podcast-na-educacao.html>. Acesso em: dia/mês/ano.   

02 dezembro 2019

Estratégias de leitura acadêmica - Recurso virtual

A equipe de produção da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) construiu um Recurso Educacional Aberto (REA) sobre estratégias de leitura de textos acadêmicos. A ideia é auxiliar as pessoas a compreender textos, artigos acadêmicos e científicos, por meio da elaboração de uma ficha de leitura


Clique na imagem para ampliar

A respeito das fichas de leitura (ou fichamentos), veja também o artigo Plágio em trabalhos e relatórios: é preciso entender o que é pesquisa


14 janeiro 2019

O que fazer quando a autoria é desconhecida?

Embora seja pouco comum (e recomendável), por vezes há a necessidade de citar e referenciar um material com autoria desconhecida. É importante destacar que a autoria é desconhecida, o que não significa que não exista autoria. Um texto sempre terá um/a autor/a, podendo ser autoria coletiva ou em nome de instituições.


Quando não encontramos a autoria do texto, primeiramente devemos pesquisar sobre a publicação em outros locais, buscar o dado de forma mais ampla. Caso ainda assim não o encontre, questionar-se sobre a confiabilidade dessa fonte e se é realmente importante para o trabalho. Se a resposta a essa última questão foi positiva, a ABNT 6023 indica uma alternativa para referenciar o material:

8.1.3 Autoria desconhecida
Em caso de autoria desconhecida, a entrada é feita pelo título. O termo anônimo não deve ser usado em substituição ao nome do autor desconhecido.
Exemplo: DIAGNÓSTICO do setor editorial brasileiro. São Paulo: Câmara Brasileira do Livro, 1993. 64 p.

Assim, colocamos a primeira palavra do título em caixa alta e as seguintes normais, sem utilizar negrito. Veja bem, não é mesmo o caso de legislações, pois o autor dessas é a unidade administrativa ou a instituição responsável.

Exemplos:
BRASIL. Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da Lei no 10.098, de 19 de dezembro de 2000.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL (UFRGS). Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão. Resolução Nº 04/2004. Diretrizes para o Plano Pedagógico das Licenciaturas da UFRGS. Disponível em: http://www.ufrgs.br/cepe/legislacao/Res04-04.htm

Lembre-se de considerar a palavra seguinte ao colocar em maiúsculas se o título iniciar com artigo definido, indefinido ou palavra monossílaba.

Exemplo:
A ÉTICA nas universidades brasileiras...
Por fim, tente incluir mais informações que conseguir sobre a publicação a fim de que outros elementos possam ajudar a entender a fonte, pois a ausência de autoria é um ponto de atenção para a confiabilidade da fonte.

Obs.: As mudanças na ABNT 6023 de 14 de novembro de 2018 não alteraram esse item.

Referência:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 6023: Informação e documentação - Referências - Elaboração. Rio de Janeiro, 2002.

05 janeiro 2019

O que é citar e referenciar?

É comum utilizarmos os termos citar e referenciar em redações e comunicações científicas, porém nem sempre é claro para quem está iniciando o que são essas ações.

De acordo com o Dicionário Priberam, os dois vocábulos são sinônimos de mencionar e referir. No entanto, em pesquisa, de forma prática, consideramos cada palavra para uma ação diferente.

Citar: é transcrever os textos/falas de autores de forma literal ou parafraseada ao longo do texto. (= CITAÇÃO).
Exemplo:
Conforme Dussel (1993, p. 35), “A América não é descoberta como algo que resiste distinta, como o Outro, mas como a matéria onde é projetado o 'si mesmo'.”
Referenciar: é associar a citação aos seus dados de registro (especialmente autor e data). Cada citação demanda duas referências:

1) Ao longo do texto, logo após trecho transcrito/parafraseado, no sistema autor-data. 

Exemplo: (DUSSEL, 1993, p. 35)

2) No final do trabalho, na lista de referências. 

Exemplo: DUSSEL, Enrique. 1492: o encobrimento do outro – a origem do mito da modernidade. Petrópolis: Vozes, 1993.

Veja mais em Citações: para quê servem? Como utilizar e formatar referências no corpo do trabalho

Dúvidas? Escreva nos comentários. ;)

Por: ShellyS Fonte: https://www.flickr.com/photos/shellysblogger/


25 janeiro 2018

[Sugestão de artigo] A pesquisa e sua escrita: questão de estilo e autoria

De Margareth Diniz e Eloisa Helena Santos

Resumo
No presente artigo, abordamos os embaraços, os impasses e os desafios contidos na relação do pesquisador com seu objeto de pesquisa, bem como na relação do(a) orientador(a) com o(a) orientando(a), analisando em que medida as relações conscientes/inconscientes interferem e/ou elucidam os resultados da pesquisa. Nosso interesse no tema tem origem nas dificuldades vivenciadas e observadas em nossa trajetória de pesquisadoras e professoras responsáveis pela orientação de alunos(as) na realização de suas dissertações e teses. Nossa experiência evidencia um lento e trabalhoso processo de escolha do objeto de pesquisa, de desenvolvimento da pesquisa e de produção da escrita que resultará, ou não, no trabalho final de um(a) mestrando(a) ou doutorando(a) ou em um possível artigo a ser divulgado para a comunidade científica. O aporte da psicanálise, do método clínico e da teoria da implicação incide na apresentação e na análise de experiência de desenvolvimento das pesquisas e das escritas de uma tese e de uma dissertação.

Palavras-chave
Impasses na Pesquisa; Estilo e Autoria na Escrita; Relação Orientador(a)-orientando(a)

Referência
DINIZ, Margareth; SANTOS, Eloisa Helena. A pesquisa e sua escrita: questão de estilo e autoria. Trabalho & Educação. Belo Horizonte, v.25, n.1, p. 235-248, jan-abr, 2016.


19 junho 2017

O que fazer quando não se sabe o ano da publicação? Citações e referências


O ano da publicação é uma informação imprescindível para a referência de qualquer material. A ABNT 6023 (2002) coloca deve sempre haver uma indicação de ano da publicação, ainda que aproximada. Pode ser também o ano da distribuição, da impressão, da patente ou outra data significativa para a obra. Nesses casos, especificar. Se a data não puder ser determinada, em último caso, inserir uma data aproximada entre colchetes, como nos exemplos a seguir:

  • [1965?] - data provável
  • [1973] - quando se sabe que é desse ano, mas não está indicado no item
  • [1982 ou 1983] - um ano ou outro
  • [entre 1906 e 1912] - utilizar somente intervalos menores de 20 anos
  • [195-] - quando se sabe que é dessa década, mas não está indicado no item
  • [195-?] - década provável
  • [18--] quando se sabe que é desse século, mas não está indicado no item
  • [18--?] - século provável

O mesmo é aplicado quando se tratam de referências publicadas em meio virtual. Os números em colchetes vão assim também na referência dentro texto no sistema autor-data. Por exemplo, (ALECRIM, [2012?]) ou  OLIVEIRA ([200-]). Não é usual e deve ser evitado. O sistema é uma alternativa para que de alguma forma haja informação sobre a obra no tempo, no entanto, é para ser utilizado somente se não foi possível obter mais informações e após pesquisa sobre a origem da referência.

Dúvidas? Envie nos comentários.

Referência:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 6023: Informação e documentação - Referências - Elaboração. Rio de Janeiro, 2002.

Foto por Kikabu - https://www.flickr.com/photos/28778836@N08/

07 junho 2017

Plágio em trabalhos e relatórios: é preciso entender o que é pesquisa

Nos últimos anos tive a oportunidade de acompanhar vários alunos em processo de pesquisa e percebi que muitos não têm plena consciência de que o que estão fazendo é plágio. É fato que não se pode alegar simples desconhecimento, porém esse equívoco geralmente decorre da falta de preparo sobre o que é o processo de pesquisa. Infelizmente no Brasil não é comum que tenhamos a pesquisa como princípio educativo na educação básica. A maior parte das pessoas vai ter acesso ao que é uma pesquisa só na universidade (o que também foi o meu caso e contribuiu para muitos tropeços). Há iniciativas nesse sentido, inclusive de redes públicas de ensino, porém há um longo caminho de investimento.

Assim, o que temos atualmente é uma grande quantidade de pessoas acostumadas com o sistema de transcrição de trechos de enciclopédias ou revistas para a realização de trabalhos escolares e muitas outras que já nasceram na era digital, mas que seguem o mesmo princípio de transcrição, só que sem nem ao menos escrever. Com a facilidade das buscas por textos em ambientes virtuais, a prática de transcrição agora é reduzida ao famoso copiar e colar. Em muitos casos, as pessoas modificam apenas algumas palavras do texto e a partir daí o tratam como um texto “seu”.

Vejo que instituições de ensino muitas vezes enviam alertas sérios sobre o problema do plágio nos trabalhos (hoje facilmente identificáveis com softwares) mas pouco se dedicam a educar sobre o que é plágio. Talvez não seja algo tão bem entendido como se imagina.

Veja a cartilha produzida por uma comissão especializada em avaliação de autoria da UFF (Universidade Federal Fluminense) com explicação e exemplos de plágio. Atenção para os três tipos: integral, parcial e conceitual. Apenas o primeiro tipo se trata de cópia palavra por palavra. 

cartilha plágio
"Print" da primeira página da cartilha (UFF, 2010)
http://www.noticias.uff.br/arquivos/cartilha-sobre-plagio-academico.pdf

Para entender o que é plágio, é preciso entender: o que é pesquisar? Ao refletir sobre o que consiste o ato de pesquisar, o plágio tende a ficar mais evidente e evitável.

Pesquisar é um processo, não se faz na noite do último dia de prazo. Para ter o que escrever, será necessário ler, realmente conhecer o que foi publicado sobre o tema tratado. Aliás, dificilmente haverá um problema de pesquisa bem definido sem leitura, pois a leitura auxilia na percepção de lacunas que se pode examinar com a pesquisa.

01 junho 2017

Sobre uso de fotografias em relatórios e trabalho acadêmicos

Conforme vimos no post anterior, a fotografia foi inventada há cerca de 180 anos e ainda hoje é essencial para nossa comunicação e memórias pessoais e coletivas, além de provocar novas questões sociais com as inovações tecnológicas na área.

Por wildolive, 2010,
https://www.flickr.com/photos/molliejohanson/
A fotografia também é elemento importante para muitos trabalhos acadêmicos de praticamente todas as áreas do conhecimento. Muito se fala sobre a adequação do texto às normas, mas e as fotografias? 

Considerando fotografia aqui como retrato, imagem produzida por um/a fotógrafo/a e uma câmera (o que é diferente de figuras ou ilustrações) é preciso ter em mente que um dos pressupostos básicos para a existência das normas para trabalhos acadêmicos é a proteção da autoria e confiabilidade das informações na produção de conhecimento.

Neste blog há uma postagem específica sobre como indicar a descrição e a fonte de imagens utilizadas em trabalhos acadêmicos, o que também serve para a fotografia. [Como referenciar figuras e imagens] No entanto, a utilização de fotografias contém algumas questões a mais que considerei pertinentes para ampliar a discussão.

Quando utilizar uma fotografia em um trabalho, primeiramente, você deve saber, no mínimo, o nome de quem fotografou (pode ser o nome artístico), quem tem os direitos dessa fotografia, por exemplo, jornal ou agência de notícias e o ano em que foi tirada (se tiver a data completa, melhor). Apenas indicar o site de onde você buscou (especialmente em um trabalho que não é virtual) não é suficiente sem essas informações. Já para publicações na internet e em apresentações, as pessoas costumam ter menos cuidados e tenho visto que é aceitável incluir imagens sem colocar a fonte. No entanto, insisto que é importante colocar sempre as informações de autoria junto à foto, mesmo que não tenha todas.

30 maio 2017

Fotografia e sociedade: questões básicas para a discussão sobre o uso de fotografias em trabalhos acadêmicos

Imagine o mundo antes da fotografia. Para reproduzir concretamente uma imagem vista pelos olhos, era necessário realizar uma pintura ou desenho. Joseph Niepce, inventor francês, foi um dos primeiros a realizar experimentos com sucesso, ainda no final do século XVIII. Só em 1826 foi possível a primeira fotografia de fato, ainda com uma qualidade muito baixa e processo de confecção bastante trabalhoso e demorado. (1)

A primeira fotografia, produzida em 1826.
Fonte: http://dcl.umn.edu/ (Domínio público)
Por ser um evento raro na vida da maioria das pessoas da época, muitas só tiveram seu retrato produzido após a morte. É o caso das fotos post mortem, comuns no século XIX. Para nós, hoje, parece assombroso, mas na época era uma forma muito comum de obter uma última lembrança de um ente querido falecido, além de ser um dos raros momentos em que se conseguia reunir toda a família. Eram muito comuns também as fotos post mortem de crianças, devido à alta mortalidade infantil da época. (2)

A fotografia, apesar de inicialmente só ser acessível a famílias de grande poder aquisitivo, pouco a pouco passou a ser elemento cada vez mais importante para a história e as memórias pessoais, coletivas e institucionais, proporcionando uma forma de registrar acontecimentos e produzir patrimônio cultural para a humanidade.

Os filmes coloridos passaram a ser utilizados em larga escala a partir dos anos 1970, até o lançamento do método digital. Foi um salto muito significativo para a fotografia, pois modificou três questões importantes: (a) não há mais a dependência da quantidade de “poses” de um filme; (b) poder imprimir as fotos e não ser necessário o processo revelação, o que torna mais barata e rápida a materialização da fotografia. Além disso, (c) com a fotografia digital é possível ver a foto antes de imprimir, podendo mantê-la ou excluí-la.

Atualmente, após 180 anos do início da fotografia, a maior parte das pessoas dos centros urbanos do mundo possuem um aparelho smartphone com câmera digital, permitindo produzir inúmeras fotografias e publicá-las em seguida. À propósito, o processo de publicação e compartilhamento em redes sociais já tem substituído a impressão das fotos digitais. Está ficando cada vez mais raro que tenhamos as fotos em papel.

26 fevereiro 2014

Indicações básicas sobre o uso de tabelas e gráficos

Os números “falam” e são frequentemente utilizados como base para análises também nas Ciências Sociais. Contudo, nem mesmo sendo numéricos os dados são absolutos, eles são interpretados pelo pesquisador, que enfatiza as informações e faz as inferências mais relevantes para o seu objeto. Isso significa que uma análise de dados varia conforme os objetivos e paradigmas da pesquisa e do pesquisador. Os mesmos dados, analisados por diferentes pesquisadores em contextos diversos, resultarão em análises distintas. A seguir, algumas recomendações ao se trabalhar com dados quantitativos, lições que fui acumulando ao longo dos anos.

Gráficos e tabelas são ferramentas muito úteis para o trabalho de pesquisa. Um gráfico bem construído e esteticamente agradável pode clarear dados que ficariam confusos em uma tabela ou descritos ao longo do texto. Já as tabelas organizam dados quantitativos e remetem a um total, o que também pode facilitar a demonstração dos dados.

Conforme descrito no post sobre a formatação de tabelas e quadros, as tabelas remetem a dados numéricos ou estatísticos (enquanto os quadros são para dados textuais), ou seja, uma tabela pode vir a se transformar em um gráfico. Dependendo da configuração da tabela e da complexidade dos dados, pode ser melhor transformá-la em um gráfico, para exemplificar de maneira mais didática, principalmente quando se tratam de comparações.
Fonte: Dicionário Priberam

  • Só mostrar ao leitor os números encontrados não é análise, é descrição. Analisar é fazer inferências, ou seja, a partir do dado, problematizar as causas e consequências do fenômeno, por que a distribuição se deu dessa forma, que outros fatores podem estar envolvidos etc. Utilize também referências de outros autores para fundamentar essas inferências.
  • Uma tabela ou gráfico não se explica sozinho. O mais importante é a relatoria do autor e sua interpretação sobre esses dados. Dependendo do que for, nem precisa colocar a tabela no texto, só comentar sobre os dados (apontando de onde vieram). Tabelas e gráficos existem apenas para ilustrar o que você já mencionou no texto.
    Vejamos o exemplo abaixo (Gráfico 01); se apresentássemos os dados desse gráfico em uma tabela, seria bem menos clara a compreensão da proporção de celulares pré-pagos com relação aos pós-pagos. Observe como o gráfico demonstra bem essa diferença.
Gráfico 01

  • Lembre-se que tanto uma tabela quanto um gráfico não podem estar "flutuando" no texto. Além de fazer sentido junto ao contexto, este elemento precisa ser referido e comentado. Tratando-se do gráfico acima, além de mencionar "Conforme dados do Gráfico 01..." ou "No que se refere à distribuição entre planos de telefonia móvel no Brasil (Gráfico 01)...", é interessante também discutir esses dados, e não somente apresentá-los. Discorrer brevemente sobre as possíveis causas e consequências de tal fenômeno (se possível, com alguma referência que corrobore com a sua afirmação/proposição) e levantar questões sobre esses dados enriquece o trabalho, demonstra um bom conhecimento sobre o tema e que você está atento para procurar não cometer generalizações.
  • Ao ler sobre os dados de uma tabela, é desagradável para o leitor ver novamente no texto tudo o que já está escrito na tabela. Portanto, tente interpretar as proporções de uma forma mais interessante. Você pode dizer “um quarto” em vez de 25%, “1 a cada 5” no lugar de 20% ou “quase metade” para 47%.
  • Se você for construir uma tabela, não basta apenas demonstrar os valores absolutos, mas também a porcentagem, que dá uma melhor ideia da distribuição geral.
Exemplo de tabela com frequência e porcentagem.

  • Às vezes podem faltar informações para fazer interpretações sobre os dados. Outras variáveis podem ajudar. Cabe ao pesquisador ter iniciativa para buscar maiores informações dentro e fora do banco de dados que está estudando.
  • Trabalhando com bancos de dados grandes, é possível que você encontre muitas variáveis interessantes, porém é recomendável manter o foco apenas no que esteja diretamente relacionado com os objetivos da sua pesquisa.
Veja também: Formatação de tabelas e quadros

04 dezembro 2013

Como citar um tweet em um trabalho acadêmico?

Além de toda a importância que o Twitter conquistou nos últimos anos no campo informacional, atualmente várias informações chegam lá mais rápido que em outras mídias ou sites. Por isso, faz-se necessário, em muitos casos, utilizar informações geradas no Twitter como referência também em trabalhos acadêmicos. 

No Brasil ainda não há definição da ABNT sobre como um tweet deve ser citado. Contudo, a Modern Language Association criou uma forma padrão de citação para tweets. A citação seguiria o padrão a seguir.

Para pessoas:
Último nome, Primeiro nome (nome de usuário). "Tweet por completo". Data, horário. Tweet.
No caso de organizações:
Nome da organização (nome de usuário). "Tweet por completo". Data, horário. Tweet.
A URL da informação não é necessária, uma vez que dados muito antigos ficam indisponíveis na plataforma. Quanto ao horário, deve-se colocar o horário visto pelo leitor (não é preciso calcular o fuso horário). Deve-se ter a noção, porém, de que esse horário sempre será aproximado e nunca exato, devido às próprias características do Twitter.

Exemplos:


Santomé, Jurjo Torres (JurjoTorres). "FAES acapara la mitad de las subvenciones de Cultura destinadas a las fundaciones de los partidos políticos" 13/12/2013, 13:06. Tweet.


Creative Commons (creativecommons). "In case you missed Friday's big news: new CC license suite designed for intergovernmental organizations http://bit.ly/1clj1zX " 09/12/2013, 12:16. Tweet.



Social Biblio (socialbiblio). "#Socialbiblio ¿son los mensajes de correo-e documentos de archivo? Y otra pregunta: ¿quién es el responsable de la gestión del correo-e?" 11/12/13, 13:22. Tweet.


Dependendo do contexto do trabalho, talvez seja necessário colocar uma imagem do tweet (através do recurso print screen). Nesse caso, faça da mensagem destacada/expandida, como nos casos acima, pois dessa forma ficam registradas mais informações.

Caso você utilize a imagem do tweet, não se esqueça do colocar como legenda "Fonte: Twitter ". Veja mais sobre figuras em trabalhos em Como referenciar figuras e imagens.

Fontes:
How Do You Cite a Tweet in an Academic Paper?
How do I cite a tweet?

03 junho 2013

Citações literais - uma versão sobre o uso

Há muito tempo atrás, li um artigo que fazia uma caricatura dos tipos de revisões bibliográficas em teses e dissertações. Mexendo nos meus textos guardados, o encontrei de novo. Quando fiz o TCC e tive que fazer uma dessas, deu pra compreender bem melhor. À propósito, reler um texto é uma coisa ótima de se fazer a qualquer momento, até pra ver como as perspectivas se renovam.

O artigo é de autoria de Alda Judith Alves-Mazzotti, na época professora da Universidade Estácio de Sá (RJ). Destaca, em cada exemplo, uma categoria de um conjunto de coisas que não se devem fazer em uma revisão de literatura. É claro que, para fazer essa crítica, a autora também falou sobre a exigência do referencial teórico, para quê ele serve e suas razões de existir, além de alguns apontamentos sobre a pesquisa científica. O artigo é relativamente curto e bem escrito, vale a pena ler. Porém, por ora, quero destacar um ponto específico que no texto aparece como nota de rodapé e me pareceu uma explicação muito didática. É sobre o uso das citações literais (especialmente as longas/recuadas) na revisão de literatura:

Citações literais devem ser usadas com cautela, uma vez que, por serem extraídas de outro contexto conceitual, raramente se adequam perfeitamente ao fluxo de exposição, além de, através dessa extração, correr-se o risco de desvirtuar o pensamento do autor. É imperioso respeitar a "ecologia conceitual", indicando a que tipo de situação, preocupações e condições a afirmação se refere. Consideramos que citações literais se justificam por três situações básicas:
(a) quando o autor citado foi tão feliz e acurado em sua formulação da questão que qualquer tentativa de parafraseá-la seria empobrecedora; 
(b) quando sua posição em relação ao tema é, além de relevante, tão idiossincrática, tão original, que o pesquisador julga conveniente expressá-la nas palavras do próprio autor, para afastar a dúvida de que a paráfrase pudesse ter traído o pensamento do autor e
(c) quando, no que se refere a autores cujas ideias tiveram considerável impacto em uma dada área, se quer demonstrar que a ambiguidade de suas formulações ou ainda a inconsistência entre definições dos mesmos conceitos, quando se considera a totalidade de sua obra, foram responsáveis pela diversidade de interpretações dadas a essas afirmações (o conceito de narcisismo em Freud e o conceito de paradigma em Kuhn são exemplos desse tipo de ambiguidade) (ALVES-MAZZOTTI, 2006, p. 38)

Por isso, pode-se dizer que uma citação literal deve ser utilizada somente quando há uma justificativa plausível para você não estar escrevendo com as suas palavras. É bom ter em mente que as citações literais não devem ser usadas indiscriminadamente ou porque "tem que ter". Elas têm uma função e podem mais atrapalhar do que ajudar, se em demasia. O melhor sempre é interpretar a ideia do autor e reescrevê-la com as suas palavras, tornando o seu texto original e relevante. 

Referência
ALVES-MAZZOTTI, Alda Judith. A revisão da bibliografia” em teses e dissertações: meus tipos inesquecíveis – o retorno, In: BIANCHETTI, Lucídio; MACHADO, Ana Maria Netto (Orgs.) A bússola do escrever – desafios e estratégias na orientação de teses e dissertações. 2 ed. Florianópolis/São Paulo: Editora da UFSC/Cortez Editora, 2006. p. 25-41.

14 abril 2013

Linha do tempo - Sociólogos clássicos


Por questões curriculares, tive que trabalhar com meus alunos as contribuições de autores clássicos para a Sociologia. Estudando para o assunto, pensei em organizar uma "linha do tempo" de pensadores da Sociologia, procurando localizá-los visualmente quanto à época e país de atividade. 

*Este gráfico teve diversas atualizações ao longo dos últimos anos, verifique ao final qual versão está disponível no momento.*

A linha do tempo é um recurso didático que demanda escolhas, por isso, ela nunca será "completa". O critério para composição da lista foi de autores citados em planos de ensino de disciplinas do curso de Ciências Sociais, porém, ainda assim, há muitas lacunas e autores/as que ficaram de fora. É notória a ausência de mulheres, a respeito da discussão sobre as mulheres nos marcos de memória da fundação da Sociologia, veja este artigo: A mãe fundadora negligenciada - sociologia e androcentrismo

Veja também: Órbitas sincrônicas: sociólogos e intelectuais negros em São Paulo, anos 1950-1970

Quando se estuda Sociologia fora do curso de Ciências Sociais, é comum serem apresentados apenas autores clássicos (geralmente Marx, Durkheim e Weber). No entanto, a Sociologia se desenvolveu e se diversificou muito no século XX, processo que segue atualmente com autores de diversas partes do mundo, ainda com o desenvolvimento e maior visibilidade de linhas de pensamento criadas a partir de países fora do centro europeu e norte-americano de produção intelectual.

Você também pode visualizar a linha do tempo em planilha compartilhada: 
https://docs.google.com/spreadsheets/d/1AnLhPy3R1TN691jiUaYd0mKs9r_qXEg8aqwV7eoRCfA/edit?usp=sharing


Clique na imagem para ampliar


(1) nascido na Alemanha, mas morou também na França e na Inglaterra
(2) nascido na França e radicado na Itália
(3) nascido na Hungria e radicado na Alemanha
(4) nascido no Canadá e radicado nos EUA
(5) nascido na Áustria e radicado nos EUA
(6) nascido na Tunísia e radicado na França

Transcrição da lista de autores:

Augusto Comte (1798 - 1857)
Harriet Martineau (1802-1876)
Karl Marx (1818 - 1883)       
Friedrich Engels (1820-1895)
Herbert Spencer (1820 - 1903)       
Vilfredo Pareto (1848 - 1923)               
Émile Durkheim (1858 - 1917)
George Simmel (1858 - 1918)
Max Weber (1864 -1920)
Marcel Mauss (1872 - 1950)   
Walter Benjamin (1892-1940)       
Karl Mannheim (1893 - 1947)           
Max Horkheimer (1895 - 1973)           
Norbert Elias (1897 - 1990)
Roger Bastide (1898-1974)
Gilberto Freyre (1900-1987)
Talcott Parsons (1902-1979)
Theodor Adorno (1903-1969)
Alberto Guerreiro Ramos (1915-1982)
Wright Mills (1916-1962)   
Florestan Fernandes (1920-1995)   
Edgar Morin (1921)       
Erving Goffman (1922-1982)
Darcy Ribeiro (1922-1997)
Zygmunt Bauman (1925-2017)
Michel Foucault (1926-1984)
Jürgen Habermas (1929)
Peter L. Berger (1929-2017)
Pierre Bourdieu (1930 - 2000)
Herbert José de Sousa (1935-1997)
Anthony Giddens (1938)       
José de Souza Martins (1938)   
Domenico De Masi (1938-2023)   
José Murilo de Carvalho (1939-2023)
Boaventura de Sousa Santos (1940)   
Pedro Demo (1941)           
Manuel Castells (1942)           
Bruno Latour (1947-2022)           
Pierre Lévy (1956)

*Última atualização em janeiro de 2024.

Como citar este texto
PEREIRA, Vanessa Souza. Linha do tempo - Sociólogos clássicos. Contornos Educação e Pesquisa, s. l., 2024. Disponível em: <http://www.contornospesquisa.org/2013/04/linha-do-tempo-sociologos.html>. Acesso em: dia/mês/ano.



12 fevereiro 2013

Planilha para hábitos



Utilizo essa lista há mais de 4 anos. Chamada de "lista de hábitos", trata-se de um modelo de planilha na qual você coloca tarefas cotidianas e vai preenchendo os dias em que as realiza.

Segundo os criadores (Productivity501), a lista de hábitos foi criada tendo em vista que uma lista de tarefas comum contém uma grande quantidade de itens repetidos todos os dias. Sendo assim, poderíamos chamá-los de hábitos. Hábitos podem ser coisas que são importantes para fazer regularmente, mas que precisam ser ignorados quando algo importante vem à tona. Por exemplo, ir à academia pode ser algo que quero fazer todo dia, mas geralmente é deixado de lado, ocasionalmente, quando eu estiver com uma demanda muito grande em outras áreas da vida.

O melhor da lista de hábitos é perceber o quão frequente (ou não) têm sido as atividades ao longo do tempo, além de ajudar a manter o foco sobre uma tarefa específica. Você pode também marcar um hábito que não quer mais ter, como fumar, por exemplo. Aos poucos você irá aprendendo a criar métodos próprios e analisar os dados produzidos por você mesmo. O gosto de imprimir para colocar na agenda. Eu imprimo em meia página e fica de bom tamanho.

Link para download do arquivo em pdf

A sugestão de uso deles:


E as minhas (com as tarefas escondidas, para não descobrir toda a vida da pessoa):




Hoje esses registros servem como lembranças (a primeira foto é de uma lista de 2012 e a segunda de uma de 2009!). É bom relembrar outras épocas e ver como a vida se transforma. :)

19 janeiro 2013

Comentários sobre a NBR 6024 - Numeração Progressiva - Títulos e alíneas

Publicada em maio de 2003, a NBR 6024 - Numeração progressiva das seções de um documento escrito estabelece um sistema de numeração da seções que facilite o entendimento da sequência do conteúdo e estruturação da ideias. Apesar de parecer bastante simples, há vários itens e é nesse documento que se fixam parâmetros também sobre as possibilidades de divisão estrutural do texto.
São basicamente 10 itens:

1) a numeração deve ser feita com algarismos arábicos;
2) o algarismo (chamado de indicativo de seção) e o título são alinhados à esquerda;
3) o texto deve ser dividido somente até a a seção quinária, ou seja, a subdivisão máxima seria, por exemplo 1.1.1.1.1;
4) os algarismos, além de arábicos, devem ser números inteiros a partir de 1;
5) o autor deve determinar a forma como o texto será dividido,  podendo ser de seção primária até seção quinária, na sequência do assunto.

Fonte: ABNT - NBR 6024 p. 2.

6) entre o algarismo e o título a única separação é um espaço, sem ponto, hifen ou travessão;
7) Muito importante:
Destacam-se gradativamente os títulos das seções utilizando os recursos de negrito, itálico ou grifo e redondo, caixa alta ou versal e outro. Os títulos das seções (primárias, secundárias etc.) deve ser colocado após sua numeração, dele separado por um espaço. O texto deve iniciar-se em outra linha. Todas as seções devem conter um texto relacionado a elas. (ABNT, 2003, p. 2)
Na minha interpretação, a ABNT não fixa qual a ordem dos tipos de destaques às seções, portanto, utilizo a mesma forma de alguns manuais. (Veja também: ABNT em linhas gerais - formatação básica e Manuais ABNT)
Exemplos de apresentação de título:

1 SEÇÃO PRIMÁRIA - TODO EM NEGRITO E LETRAS MAIÚSCULAS
1.1 SEÇÃO SECUNDÁRIA - MAIÚSCULAS SIMPLES
1.1.1 Seção Terciária - Todo em negrito caixa baixa
1.1.1 Seção  Quaternária  - Em negrito e itálico
1.1.1.1  Seção Quinária  - Todo em itálico

Entre a seção primária e a secundária deve haver texto, obrigatoriamente. Isso significa que é preciso ao menos uma apresentação da seção e a razão da divisão em subtópicos. Além disso, não poder existir no texto uma subdivisão em 1.1 se não há o "1.2". Caso isso aconteça, é preciso repensar a estruturação do texto. 

Por exemplo:
1 TÍTULO MAIS ABRANGENTE
Aqui vai o texto propriamente dito. Caso não tenha muito a acrescentar neste momento, tente estruturar a apresentação em início-meio-fim, respeitando as subdivisões posteriores. Esse texto deve ser preferecialmente redigido após a conclusão da redação das subdivisões.
1.1 TÍTULO SEÇÃO SECUNDÁRIA - MAIS ESPECÍFICO
O texto. Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Suspendisse interdum varius rhoncus. In aliquet dignissim justo, eu pulvinar ante vulputate sit amet. Fusce urna tortor, dapibus in convallis nec, fermentum id tortor. Suspendisse id erat massa. Ut ac odio diam. Vivamus pretium nisi in purus volutpat fringilla vitae ut ipsum. Suspendisse viverra aliquam sem, at molestie odio dictum vitae. Curabitur nec dapibus urna. Aliquam condimentum commodo magna et auctor. Phasellus dignissim dictum tellus non rhoncus. Nullam mattis ornare nunc, vitae vehicula lorem ultrices sit amet. (...)
1.2 SEGUNDO TÍTULO DA SEÇÃO SECUNDÁRIA SUBJACENTE AO TÍTULO 1
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(...)


8) Quando for necessário enumerar assuntos no texto e você não quiser dividir em subseções, deve-se dispor as informações em alíneasAlíneas são subdivisões no texto, designadas por a), b), c) ou tópicos. Exemplo:
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Nota-se que são subdivisões em menor escala que as seções do texto. Se você irá ou não utilizar alíneas, depende da estrutura do seu texto. Considerando que as alíneas constituem uma lista, o texto de cada item inicia com letra minúscula e termina em ponto-e-vírgula, exceto a última, que termina em ponto.

9) Se a estrutura do texto e exposição da ideia exigir, a alínea pode ser subdividida em subalíneas, as quais devem começar com um hífen (diferentemente da alínea principal, que inicia com letra ou ponto). Exemplo:

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10) No momento que você utiliza indicativos de seção, é possível mencioná-los ao longo do texto retomando apenas no número do capítulo. Em outras palavras, se você estiver no capítulo nº 6 e quiser retomar uma ideia anterior, pode mencionar "conforme disposto na seção 2.2 ..." ou "ver seção 1.4".

Como podemos notar, a norma sobre numeração progressiva não trata somente da divisão do texto em capítulos, mas da disposição das ideias de forma mais clara, com atenção à estrutura do texto. ;)

Referência
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6024: Informação e documentação -Numeração progressiva das seções de um documento escrito. Rio de Janeiro, 2003.

Como citar este texto
PEREIRA, Vanessa Souza. Comentários sobre a NBR 6024 - Numeração Progressiva - Títulos e alíneas. Contornos Educação e Pesquisa, Porto Alegre, 2013. Disponível em: <http://www.contornospesquisa.org/2013/01/comentarios-sobre-nbr-6024-numeracao.html>. Acesso em: dia/mês/ano.


15 janeiro 2013

Manuais ABNT

Na tentativa de auxiliar os alunos na padronização dos trabalhos acadêmicos nas normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), diversas universidades criam manuais próprios com comentários sobre a utilização das normas. Já vi muitos pela internet, vários excelentes, porém nenhum é "definitivo". O ideal é conhecer manuais diferentes, pois mesmo a norma sendo única, as formas de interpretação e didática na explicação variam bastante.
Alguns manuais disponíveis na internet (lista em permanente atualização):

Se você tiver alguma sugestão de manual, envie-nos e vamos atualizando a lista. :)

13 janeiro 2013

[Sugestão de artigo] Análise qualitativa de dados de entrevista: uma proposta

Resumo
A abordagem qualitativa em pesquisa nas áreas da Educação e Ciências Sociais tem representado um caminho alternativo à rigidez positivista. Entretanto, vem preocupando os pesquisadores brasileiros pela sua característica de não sistematização. Face a isso, o presente trabalho visa contribuir para uma discussão metodológica sobre análise qualitativa ao relatar um procedimento sequenciado, sistematizado e passível de ser aplicado a dados de entrevista semi-estruturada e livre, que compreende todos os passos, da construção do instrumento para coleta de dados à apreensão do significado das falas dos sujeitos, terminando numa redação precisa, dentro do enfoque teórico do pesquisador.

Abstract
The qualitative approach in educational and social sciences research has presented an alternative way to positivism rigidity. However, its lack of sistematization worries Brazilian researchers. Than, this paper is devoted to a methodological discussion about qualitative analysis through the account of one sequence of procedures, applicable to interview data (guide free and part structured). The system comprisses some degress from the data collection to the subjects speech aprehension of meaning and adds a precise report, respected the researcher theoretical approach.

Referência 
ALVES, Zélia Mana Mendes Biasoli; SILVA, Maria Helena G. F. Dias da. Análise qualitativa de dados de entrevista: uma proposta. Paidéia (Ribeirão Preto),  nº 2, fev./jul. 1992.


26 dezembro 2012

[Sugestão de artigo] Web 2.0 e Pesquisa: Um Estudo do Google Docs em Métodos Quantitativos

Resumo
As abordagens inovadoras de ensino vêm se configurando como o meio mais eficiente de se alcançar uma educação de qualidade. Nesse contexto, as ferramentas da Web 2.0 aliam-se cada vez mais às práticas educativas a fim de alcançar seus objetivos. Entretanto, percebemos que nas pesquisas Survey poucas mudanças ocorreram nas práticas de gerenciar/administrar os questionários. Diante desse quadro, este trabalho busca realizar reflexões sobre a contribuição das ferramentas da Web 2.0, em especial o Google Docs, na pesquisa Survey, partindo de questionamentos acerca do uso dessa ferramenta mediando os processos de elaboração, disponibilização e avaliação dos questionários. Procuramos responder aos questionamentos a partir de um estudo bibliográfico e análises de duas formas de apresentação dos questionários, uma na forma do texto impresso e outra através do Google Docs. Percebemos que o uso dessa ferramenta possibilita ao pesquisador uma diversidade de estratégias como também uma economia coletiva nos processos do método de pesquisa.

Palavras-chaves: Web 2.0. Google Docs. Questionários

Web 2.0 and Research: A Study of Quantitative Methods in Google Docs

Abstract
The innovative teaching approaches are becoming increasingly the most efficient way to achieve a quality education. In this context, Web 2.0 tools combine with increasingly educational practices in order to achieve their goals. However, we realize that the few changes occurred Survey research practices to manage / administer the questionnaires. Against this background, this paper seeks to make reflections on the contribution of Web 2.0 tools, especially Google Docs, Survey research, from questions about the use of this tool mediating the processes of development, delivery and evaluation of questionnaires. We try to answer the questions from a bibliographical study and analysis of two forms of presentation of questionnaires, one in the form of printed text and the other through Google Docs. We realized that using this tool allows the researcher to a variety of strategies as well as a collective economy in the processes of research method.

Keywords: Web 2.0. Google Docs. Questionnaires

Referência
SILVA, Adriana Freire da; LÓS, SILVA, Dayvid Evandro da; LÓS,  Djalma Rodolfo da Silva. Web 2.0 e Pesquisa: Um Estudo do Google Docs em Métodos Quantitativos. RENOTE - Revista Novas Tecnologias na Educação (UFRGS), v. 9, n. 2, 2011.

Clique aqui para acessar o texto completo do artigo em .pdf.