Contornos - Educação e Pesquisa: dicas
Mostrar mensagens com a etiqueta dicas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta dicas. Mostrar todas as mensagens

26 outubro 2020

Podcast na educação: o que é, dicas e como começar

 
Os podcasts já vinham se popularizando nos últimos anos, e com o contexto de pandemia, distanciamento social e aulas remotas, sua utilização tornou-se uma alternativa interessante para a educação. Esse recurso tem sido bastante utilizado por professores, tanto como forma de se aproximar de seus estudantes quanto para sua própria formação.
 
O que é um podcast? Trata-se de um meio de publicação de arquivos de mídia (áudio) em agregadores diversos (Apple, Google, Spotify, Deezer, Pocket, entre outros ou até mesmo em um site próprio). É muito comparado ao rádio, por ser uma mídia sonora, porém, apresenta algumas diferenças. O podcast é um conteúdo “on demand”, ou seja, tocado sob demanda do usuário. Não há uma programação diária, o arquivo é postado e cada um ouve quando e quantas vezes quiser. Também é um conteúdo fácil de compartilhar por meio de links. Existem programas curtos, de até 10 minutos, outros com cerca de uma hora e até com várias horas de duração, que o usuário pode ouvir em partes.
 
Atualmente, com a maior facilidade de produzir e distribuir, passou-se a observar como esse poderia ser mais um recurso didático para o contexto de ensino remoto emergencial, ensino híbrido ou mesmo em aulas totalmente presenciais.
 
O formato possui diversos potenciais, como suscitar o interesse do educandos com uma forma diferente de entrar em contato com o conteúdo, diversificação dos espaços de aprendizagem, contribuição para os diferentes ritmos de aprendizagem (já que se pode ouvir de forma acelerada, pausada ou re-ouvir várias), acessibilidade para estudantes com deficiência visual ou dificuldades de leitura e, quando os estudantes também produzem os programas, há uma intensa mobilização sócio-discursiva, pois é necessária uma organização do discurso por parte do estudante.
 
Quanto aos desafios, um dos principais se refere à possibilidade de conexão para download ou ouvir os áudios em streaming. Para muitos estudantes, esse ainda é um entrave significativo. Outro desafio é a sustentabilidade do projeto por parte dos professores. Um podcast, assim como qualquer projeto, precisa de planejamento, objetivo e roteiro claros, o que demanda muita preparação e disposição. Uma dica para superar esse desafio é formar parcerias, trazer convidados/as, ter um grupo de apoio e dividir tarefas. Outra dica é que os podcasts se organizam por temporadas, você pode criar uma temporada com um número limitado de episódios os quais você se compromete em produzir (por exemplo uma temporada de 4 episódios) e depois vê a viabilidade de realizar outras temporadas.

Algumas dicas de podcasts para estudantes e professores*

  • BBC Learning English
  • Café da Manhã
  • Fronteiras da Ciência
  • Fronteiras Invisíveis do Futebol
  • História No Cast
  • História Preta
  • Mira na Língua Portuguesa
  • Nerdcast
  • Ponto de Virada
  • Prato cheio
  • Quadro Negro
  • Teaching in Critical Times
  • Trip com Ciência
  • Xadrez Verbal

*Dicas de estudantes e colegas por meio de enquete em maio de 2020 - envie suas sugestões nos comentários. :) 

Destaco também duas iniciativas (entre tantas maravilhosas) de professores da educação básica:


Como começar a produzir um podcast? Para as minhas aulas no Ensino Médio em 2020, utilizei a plataforma Anchor (https://anchor.fm) para produzir aulas em áudio para os estudantes. Trata-se de uma plataforma gratuita e bastante intuitiva, é possível produzir programas por meio do celular. 

Para saber mais como funciona essa ferramenta, recomendo o curso (que foi a principal referência para este texto) "Podcast na educação: da ideia à publicação" realizado pelo EDUMÍDIA - UFSC para a Semana de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação da UFSC (SEPEX).

O curso está disponível no YouTube:

 
 
 

COMO REFERENCIAR ESTA POSTAGEM:

PEREIRA, Vanessa Souza. Podcast na educação: o que é, dicas e como começar. Contornos - Educação e Pesquisa, Florianópolis, 2020. Disponível em: <http://www.contornospesquisa.org/2020/10/podcast-na-educacao.html>. Acesso em: dia/mês/ano.   

16 maio 2020

5 aplicativos para professores em trabalho remoto

Nesta semana completamos 60 dias de aulas presenciais suspensas em Santa Catarina devido à pandemia do novo coronavírus. As aulas no ensino básico foram retomadas de forma não presencial e o trabalho passou a ser remoto.

Nesse período, tivemos que rapidamente pensar estratégias de ensino nessa modalidade. Os desafios e críticas são inúmeros, considerando a dificuldade de acesso igualitário aos meios para participação nas atividades escolares, sem falar na falta de apoio em casa e superação das dificuldades de aprendizagem que já eram presentes.

Com a pressão do discurso “não podemos parar”, seguimos com as atividades escolares por meio de plataformas de ensino, e-mails, WhatsApp entre outros.

O objetivo deste texto é indicar algumas das ferramentas digitais que tenho utilizado para o ensino em tempos de distanciamento social.

*Anchor.fm (celular e computador) - aplicativo para criação e edição de podcasts. Possui vinhetas, transições, possibilidade de importar áudios e editá-los, além de gravar no próprio aplicativo. Ele mesmo faz a distribuição dos episódios criados no Spotify, Google Podcast, Itunes, entre outros.

*CamScanner (celular) - faz o scan inteligente de fotos e documentos em vários formatos.

*DroidCam (celular e computador) - para utilizar a câmera do celular como webcam no computador de mesa. 

*Screencastify (computador) - essa extensão do Chrome proporciona que você grave a tela do computador com a sua voz e imagem ao mesmo tempo. É excelente para revisar exercícios na tela ou explicar uma atividade. 

*Trello (celular e computador) - para organização do planejamento, roteiros de estudos, referências, tarefas etc.

Para videoconferências, tenho utilizado os aplicativos que os locais de trabalho solicitam, como Teams, Cisco Webex Meetings e Google Meet.

Alguma dúvida ou indicação? Envie nos comentários.

Fonte da imagem: https://www.flickr.com/photos/61929320@N04/

Como citar este texto

PEREIRA, Vanessa Souza. 5 aplicativos para professores em trabalho remoto. Contornos Educação e Pesquisa, Florianópolis, 2020. Disponível em: <http://www.contornospesquisa.org/2020/05/5-aplicativos-para-professores-em.html>. Acesso em: dia/mês/ano.


02 dezembro 2019

Estratégias de leitura acadêmica - Recurso virtual

A equipe de produção da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) construiu um Recurso Educacional Aberto (REA) sobre estratégias de leitura de textos acadêmicos. A ideia é auxiliar as pessoas a compreender textos, artigos acadêmicos e científicos, por meio da elaboração de uma ficha de leitura


Clique na imagem para ampliar

A respeito das fichas de leitura (ou fichamentos), veja também o artigo Plágio em trabalhos e relatórios: é preciso entender o que é pesquisa


06 outubro 2019

Cartões de análise para imagens e vídeos - Anos Iniciais do Ensino Fundamental

Ao longo dos últimos anos, estou tendo a oportunidade de trabalhar com diferentes segmentos do ensino básico. Essa vivência profissional e pessoal tem sido bastante intensa, pois as demandas, necessidades e imprevistos acabam tomando conta do cotidiano. Ainda assim, as dificuldades algumas vezes foram importantes para o desenvolvimento de estratégias de superação.

Uma das experiências mais ricas e desafiadoras se deram como docente de Ciências Humanas nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. É um rico momento da vida escolar para suscitar o interesse na área, despertar a curiosidade científica e o olhar crítico. No entanto, a realidade da sala de aula exige intensa dedicação na criação de ideias para cada momento, pois a atenção do educando tem de ser conquistada várias vezes ao longo de uma aula.

Ao trabalhar com os Anos Iniciais, compreendi a forte necessidade de se organizar o espaço, o quadro (apagar registros anteriores, colocar data e alguma observação sobre o dia, atividades e conteúdos programados) e realizar uma acolhida, especialmente quando for a primeira aula do turno. Essa acolhida pode ser uma história, uma dinâmica, uma música, um vídeo... Ter essa rotina contribui muito para o envolvimento nas propostas didáticas, pois é um momento de conexão entre a professora e o grupo e no grupo entre si.

Para as acolhidas que envolviam imagens e vídeos (ou outra atividade que envolva essas ou outras mídias), criei um instrumento de registro para o momento. O registro é importante para estimular a reflexão, a escrita e a expressão do educando que muitas vezes está em uma fase inicial de seu processo de alfabetização.


Clique para ampliar

















Como citar este texto
PEREIRA, Vanessa Souza. Cartões de análise para imagens e vídeos - Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Contornos Educação e Pesquisa, Florianópolis, 2019. Disponível em: <http://www.contornospesquisa.org/2019/10/cartoes-de-analise-para-imagens-e.html>. Acesso em: dia/mês/ano.

14 janeiro 2019

O que fazer quando a autoria é desconhecida?

Embora seja pouco comum (e recomendável), por vezes há a necessidade de citar e referenciar um material com autoria desconhecida. É importante destacar que a autoria é desconhecida, o que não significa que não exista autoria. Um texto sempre terá um/a autor/a, podendo ser autoria coletiva ou em nome de instituições.


Quando não encontramos a autoria do texto, primeiramente devemos pesquisar sobre a publicação em outros locais, buscar o dado de forma mais ampla. Caso ainda assim não o encontre, questionar-se sobre a confiabilidade dessa fonte e se é realmente importante para o trabalho. Se a resposta a essa última questão foi positiva, a ABNT 6023 indica uma alternativa para referenciar o material:

8.1.3 Autoria desconhecida
Em caso de autoria desconhecida, a entrada é feita pelo título. O termo anônimo não deve ser usado em substituição ao nome do autor desconhecido.
Exemplo: DIAGNÓSTICO do setor editorial brasileiro. São Paulo: Câmara Brasileira do Livro, 1993. 64 p.

Assim, colocamos a primeira palavra do título em caixa alta e as seguintes normais, sem utilizar negrito. Veja bem, não é mesmo o caso de legislações, pois o autor dessas é a unidade administrativa ou a instituição responsável.

Exemplos:
BRASIL. Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da Lei no 10.098, de 19 de dezembro de 2000.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL (UFRGS). Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão. Resolução Nº 04/2004. Diretrizes para o Plano Pedagógico das Licenciaturas da UFRGS. Disponível em: http://www.ufrgs.br/cepe/legislacao/Res04-04.htm

Lembre-se de considerar a palavra seguinte ao colocar em maiúsculas se o título iniciar com artigo definido, indefinido ou palavra monossílaba.

Exemplo:
A ÉTICA nas universidades brasileiras...
Por fim, tente incluir mais informações que conseguir sobre a publicação a fim de que outros elementos possam ajudar a entender a fonte, pois a ausência de autoria é um ponto de atenção para a confiabilidade da fonte.

Obs.: As mudanças na ABNT 6023 de 14 de novembro de 2018 não alteraram esse item.

Referência:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 6023: Informação e documentação - Referências - Elaboração. Rio de Janeiro, 2002.

05 janeiro 2019

O que é citar e referenciar?

É comum utilizarmos os termos citar e referenciar em redações e comunicações científicas, porém nem sempre é claro para quem está iniciando o que são essas ações.

De acordo com o Dicionário Priberam, os dois vocábulos são sinônimos de mencionar e referir. No entanto, em pesquisa, de forma prática, consideramos cada palavra para uma ação diferente.

Citar: é transcrever os textos/falas de autores de forma literal ou parafraseada ao longo do texto. (= CITAÇÃO).
Exemplo:
Conforme Dussel (1993, p. 35), “A América não é descoberta como algo que resiste distinta, como o Outro, mas como a matéria onde é projetado o 'si mesmo'.”
Referenciar: é associar a citação aos seus dados de registro (especialmente autor e data). Cada citação demanda duas referências:

1) Ao longo do texto, logo após trecho transcrito/parafraseado, no sistema autor-data. 

Exemplo: (DUSSEL, 1993, p. 35)

2) No final do trabalho, na lista de referências. 

Exemplo: DUSSEL, Enrique. 1492: o encobrimento do outro – a origem do mito da modernidade. Petrópolis: Vozes, 1993.

Veja mais em Citações: para quê servem? Como utilizar e formatar referências no corpo do trabalho

Dúvidas? Escreva nos comentários. ;)

Por: ShellyS Fonte: https://www.flickr.com/photos/shellysblogger/


11 setembro 2018

Bases de dados em Educação


Para uma visão geral de variáveis quantitativas em populações, existem bases de dados nas mais diferentes áreas. Essas bases fornecem acesso a dados produzidos por institutos de pesquisa. 

A propósito, estar sempre atento à fonte dos dados, qual empresa ou instituto é o responsável e que métodos utilizou para produzi-los.

Alguns exemplos de bases de dados que podem ser utilizadas em pesquisas na área de educação:


*Conhece outra(s)? Indique nos comentários. :)

Centro de Políticas Sociais/FGV

Portal organizado pela Fundação Getúlio Vargas, contém pesquisas, bancos de dados, textos, artigos, informações de seminários, entre outros

Consórcio de Informações Sociais (CIS)

Bancos de dados, microdados em SPSS.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Possui os mais diversos dados sobre a população e o espaço brasileiro. A PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), por exemplo, é um conjunto de dados amostrais da população, realizado anualmente, em contraponto ao Censo, que é feito uma vez a cada 10 anos e possui diferenças na metodologia.

- IBGE Cidades

Ensino - matrículas, docentes e rede escolar;
Conta com informações referentes à educação superior na América Latina (em espanhol).

Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP)

Levantamentos estatísticos e avaliativos sobre o sistema educacional brasileiro. Censo Escolar, IDEB, ENEM, Censo da Educação Superior, ENADE.

INEP / EDUDATABRASIL – Sistema de Estatísticas Educacionais

Sistema de Estatísticas Educacionais (Edudatabrasil).
"O sistema reúne dados de matrícula, docentes, infra-estrutura e indicadores de eficiência e rendimento educacional de todos os níveis de ensino. As variáveis estão disponíveis com detalhamento até a esfera municipal e podem, ainda, ser analisadas em diferentes dimensões, de acordo com o interesse do usuário."

Ministério da Educação

Site oficial do MEC, contém as legislações da área, especificações sobre os programas e demais informações oficiais da educação no Brasil;

MEC / SESu – Secretaria de Educação Superior

Portal indispensável para quem realiza estudos sobre Educação Superior


27 agosto 2017

Tecnologia educacional e deficiência intelectual no ensino básico: sugestão de recurso

Tecnologia educacional nas escolas rompe barreiras e promove inclusão entre crianças e jovens com deficiência intelectual
*Este texto foi produzido por Ana Odorizzi, Giseli Silva Liliane Peres e Vanessa Souza

A presença cada vez maior de alunos com deficiência intelectual na educação básica está levando as escolas a adaptarem seus conceitos pedagógicos. No entanto, apesar da inclusão de crianças e jovens com algum tipo de deficiência nas escolas regulares ter aumentado nos últimos anos, são grandes os desafios para prepará-las para os educandos.

O sociólogo brasileiro José de Souza Martins ressalta que o que acontece de fato não é a exclusão – o que existe são processos sociais, políticos e econômicos excludentes, que geram uma inclusão precária e instável. Isto é, discutir a exclusão é muito mais falar sobre o que não está acontecendo, a ausência de inclusão. Nesse contexto, muitas das crianças e adolescentes com deficiência sequer são considerados estudantes – são os “alunos de inclusão”, aqueles que simplesmente estão na aula e que frequentemente realizam atividades de forma segregada dos demais. É isso que chamamos incluir?

A discussão é a respeito da inclusão é densa e uma construção constante. Por ora, nossa intenção é chamar a atenção a respeito de um aplicativo/software educacional de apoio ao ensino da Matemática.

somar
Fonte: http://www.projetoparticipar.unb.br/somar

Somar é um aplicativo produzido pelo Projeto Participar da UNB (Universidade de Brasília) que contempla atividades que possuem aplicabilidade prática dos números, usabilidade de cédulas monetárias e de calculadora para efetuar transações comerciais, bem como o uso de relógio digital para o ensino de horários cotidianos do estudante.

19 junho 2017

O que fazer quando não se sabe o ano da publicação? Citações e referências


O ano da publicação é uma informação imprescindível para a referência de qualquer material. A ABNT 6023 (2002) coloca deve sempre haver uma indicação de ano da publicação, ainda que aproximada. Pode ser também o ano da distribuição, da impressão, da patente ou outra data significativa para a obra. Nesses casos, especificar. Se a data não puder ser determinada, em último caso, inserir uma data aproximada entre colchetes, como nos exemplos a seguir:

  • [1965?] - data provável
  • [1973] - quando se sabe que é desse ano, mas não está indicado no item
  • [1982 ou 1983] - um ano ou outro
  • [entre 1906 e 1912] - utilizar somente intervalos menores de 20 anos
  • [195-] - quando se sabe que é dessa década, mas não está indicado no item
  • [195-?] - década provável
  • [18--] quando se sabe que é desse século, mas não está indicado no item
  • [18--?] - século provável

O mesmo é aplicado quando se tratam de referências publicadas em meio virtual. Os números em colchetes vão assim também na referência dentro texto no sistema autor-data. Por exemplo, (ALECRIM, [2012?]) ou  OLIVEIRA ([200-]). Não é usual e deve ser evitado. O sistema é uma alternativa para que de alguma forma haja informação sobre a obra no tempo, no entanto, é para ser utilizado somente se não foi possível obter mais informações e após pesquisa sobre a origem da referência.

Dúvidas? Envie nos comentários.

Referência:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 6023: Informação e documentação - Referências - Elaboração. Rio de Janeiro, 2002.

Foto por Kikabu - https://www.flickr.com/photos/28778836@N08/

07 junho 2017

Plágio em trabalhos e relatórios: é preciso entender o que é pesquisa

Nos últimos anos tive a oportunidade de acompanhar vários alunos em processo de pesquisa e percebi que muitos não têm plena consciência de que o que estão fazendo é plágio. É fato que não se pode alegar simples desconhecimento, porém esse equívoco geralmente decorre da falta de preparo sobre o que é o processo de pesquisa. Infelizmente no Brasil não é comum que tenhamos a pesquisa como princípio educativo na educação básica. A maior parte das pessoas vai ter acesso ao que é uma pesquisa só na universidade (o que também foi o meu caso e contribuiu para muitos tropeços). Há iniciativas nesse sentido, inclusive de redes públicas de ensino, porém há um longo caminho de investimento.

Assim, o que temos atualmente é uma grande quantidade de pessoas acostumadas com o sistema de transcrição de trechos de enciclopédias ou revistas para a realização de trabalhos escolares e muitas outras que já nasceram na era digital, mas que seguem o mesmo princípio de transcrição, só que sem nem ao menos escrever. Com a facilidade das buscas por textos em ambientes virtuais, a prática de transcrição agora é reduzida ao famoso copiar e colar. Em muitos casos, as pessoas modificam apenas algumas palavras do texto e a partir daí o tratam como um texto “seu”.

Vejo que instituições de ensino muitas vezes enviam alertas sérios sobre o problema do plágio nos trabalhos (hoje facilmente identificáveis com softwares) mas pouco se dedicam a educar sobre o que é plágio. Talvez não seja algo tão bem entendido como se imagina.

Veja a cartilha produzida por uma comissão especializada em avaliação de autoria da UFF (Universidade Federal Fluminense) com explicação e exemplos de plágio. Atenção para os três tipos: integral, parcial e conceitual. Apenas o primeiro tipo se trata de cópia palavra por palavra. 

cartilha plágio
"Print" da primeira página da cartilha (UFF, 2010)
http://www.noticias.uff.br/arquivos/cartilha-sobre-plagio-academico.pdf

Para entender o que é plágio, é preciso entender: o que é pesquisar? Ao refletir sobre o que consiste o ato de pesquisar, o plágio tende a ficar mais evidente e evitável.

Pesquisar é um processo, não se faz na noite do último dia de prazo. Para ter o que escrever, será necessário ler, realmente conhecer o que foi publicado sobre o tema tratado. Aliás, dificilmente haverá um problema de pesquisa bem definido sem leitura, pois a leitura auxilia na percepção de lacunas que se pode examinar com a pesquisa.

01 junho 2017

Sobre uso de fotografias em relatórios e trabalho acadêmicos

Conforme vimos no post anterior, a fotografia foi inventada há cerca de 180 anos e ainda hoje é essencial para nossa comunicação e memórias pessoais e coletivas, além de provocar novas questões sociais com as inovações tecnológicas na área.

Por wildolive, 2010,
https://www.flickr.com/photos/molliejohanson/
A fotografia também é elemento importante para muitos trabalhos acadêmicos de praticamente todas as áreas do conhecimento. Muito se fala sobre a adequação do texto às normas, mas e as fotografias? 

Considerando fotografia aqui como retrato, imagem produzida por um/a fotógrafo/a e uma câmera (o que é diferente de figuras ou ilustrações) é preciso ter em mente que um dos pressupostos básicos para a existência das normas para trabalhos acadêmicos é a proteção da autoria e confiabilidade das informações na produção de conhecimento.

Neste blog há uma postagem específica sobre como indicar a descrição e a fonte de imagens utilizadas em trabalhos acadêmicos, o que também serve para a fotografia. [Como referenciar figuras e imagens] No entanto, a utilização de fotografias contém algumas questões a mais que considerei pertinentes para ampliar a discussão.

Quando utilizar uma fotografia em um trabalho, primeiramente, você deve saber, no mínimo, o nome de quem fotografou (pode ser o nome artístico), quem tem os direitos dessa fotografia, por exemplo, jornal ou agência de notícias e o ano em que foi tirada (se tiver a data completa, melhor). Apenas indicar o site de onde você buscou (especialmente em um trabalho que não é virtual) não é suficiente sem essas informações. Já para publicações na internet e em apresentações, as pessoas costumam ter menos cuidados e tenho visto que é aceitável incluir imagens sem colocar a fonte. No entanto, insisto que é importante colocar sempre as informações de autoria junto à foto, mesmo que não tenha todas.

13 fevereiro 2016

Resumos de trabalhos acadêmicos (NBR 6028)

Por definição, resumir é abreviar, sintetizar, condensar, enfim, reduzir a menores proporções. Contudo, metodologicamente, essa atividade não é tão simples quanto parece e requer a observação de alguns pontos. No Brasil, a NBR 6028 (2003) estabelece requisitos para a apresentação de resumos. Entretanto, também há controvérsias. 

Segundo a norma, o resumo deve ressaltar o objetivo, o método, os resultados e as conclusões do documento. Muito importante observar esses quatro momentos do resumo. Como é possível observar, a bibliografia utilizada no trabalho não é recomendada para o resumo, por isso, particularmente indico que autores não sejam mencionados, a não ser que a pesquisa tenha utilizado um autor de forma bastante significativa (geralmente em teses de doutorado).

A norma estabelece que o resumo seja composto de uma sequência de frases concisas, afirmativas e não de enumeração de tópicos. Recomenda que a primeira frase já apresente o tema principal do documento e que se utilize parágrafo único.

A NBR 6028 coloca que “deve-se usar o verbo na voz ativa e na terceira pessoa do singular”, o que é uma grande controvérsia no meio acadêmico. Cientistas de diversas áreas (mas especialmente das Ciências Humanas) defendem a utilização da primeira pessoa do singular ou do plural em textos acadêmicos. Esse tema, entretanto, remete à questões mais profundas sobre a prática da pesquisa e merece maior aprofundamento em outro texto. Contudo, já está bastante disseminado e aceito o uso da primeira pessoa em textos acadêmicos. A minha sugestão é que você converse com o/a orientador/a e utilize o que sentir que seja mais adequado, desde que saiba justificar essa escolha.

Quanto à extensão, a norma assinala de 150 a 500 palavras para resumos de trabalhos acadêmicos (teses, dissertações e outros) e relatórios técnico-cientifícos e de 100 a 250 palavras os de artigos de periódicos, entretanto, a respeito dos artigos de periódicos, atualmente cada periódico tem estabelecido suas normas e formatos para publicação. Assim, o recomendável nesse caso é consultar a norma da revista.

Palavras-chave

A NBR 6028 define palavra-chave como “palavra representativa do conteúdo do documento, escolhida, preferencialmente, em vocabulário controlado”. A respeito do que se chama de vocabulário controlado, a escolha de palavras é livre, porém, se você quer que o seu trabalho seja mais facilmente encontrado na internet e em bibliotecas, especialmente por pesquisadores de sua área e estudantes buscando referências, procure palavras representativas de sua pesquisa dentro da área de enfoque.

Uma forma de conhecer as palavras mais utilizadas na área é observando as palavras-chave de suas referências e das referências de suas referências. Há ferramentas que auxiliam o pesquisador na escolha de palavras com busca por tema, descrição mais ampla do termo, entre outros. Em algumas revistas científicas, exige-se que as palavras estejam de acordo com dicionários de termos específicos da área. Em educação, por exemplo, utiliza-se o Thesaurus Brasileiro da Educação. Para a área da saúde, Descritores em Ciências da Saúde

A palavra-chave não precisa ser só uma palavra, pode ser uma expressão, por exemplo, “administração escolar”, “políticas públicas em educação” e “Programa Nacional Fortalecimento dos Conselhos Escolares”. Observe que, das palavras citadas, a primeira é mais ampla e a última mais específica (um programa específico, que seria foco do trabalho). Assim, também é importante pensar as palavras em ordem do mais abrangente para o mais específico.

*esta e outras postagens são dinâmicas, de tempos em tempos são revisadas e atualizadas por novas experiências e também com o auxílio de leitores. ;)
 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6028: Informação e documentação - Resumo. Rio de Janeiro, 2003.

Como citar este texto
PEREIRA, Vanessa Souza. Resumos de trabalhos acadêmicos (NBR 6028). Contornos Educação e Pesquisa, Porto Alegre, 2016. Disponível em: <http://www.contornospesquisa.org/2016/02/resumos-de-trabalhos-academicos-nbr-6028.html>. Acesso em: dia/mês/ano.


22 fevereiro 2015

Como conseguir estudar?

Estudar e produzir não é fácil pra ninguém. É claro que tem aqueles com mais facilidade, mas são exceções. É comum ficar adiando o início desse tipo de tarefa e ficar frustrado se não conseguir se aprofundar no tema. Por isso, acabamos deixando essas coisas para a última hora e sofrendo com o prazo perto do fim. No entanto, essa parece ser a única forma de conseguir fazer algo: o pavor dos últimos dias.

Há diversas teorias sobre esse fenômeno que é psicológico e também social. Recomendo duas leituras a respeito: "Uma longa noite aprendendo" e "A ciência por trás da mania de adiar o que precisa ser feito".

Mesmo após essas leituras, é preciso que cada um descubra a sua forma de funcionar. As indicações podem não servir para todos. Por isso, é bom ler e tentar entender como, em geral, isso se dá no cérebro. E a partir daí ver o que pode ser feito na sua rotina e no seu modo de levar a vida que o ajude a se concentrar e estudar melhor.

Pessoalmente, o que mais tem funcionado para mim é a “técnica pomodoro”. Trata-se de delimitar um período de tempo (em geral utilizo 35min) para estudo sem qualquer distração. Durante esse tempo, leio, faço marcações e reescrevo com as minhas palavras trechos do texto que considero importantes. Se alguma passagem é muitíssimo relevante, copio-a por inteiro, com a anotação da página (importante para citar depois, quando for escrever o meu texto). [Sobre esse assunto, veja: Citações literais - uma versão sobre o uso

Para escrever, utilizo a mesma técnica, porém aí já tenho meio caminho andado, uma vez que nas anotações de cada livro/artigo sempre que possível já fui associando as ideias com o texto que pretendia escrever mais adiante. Depois do tempo estabelecido sem distrações, é importante dar-se uma recompensa. Comer/beber algo, ver um vídeo, brincar com o animal de estimação, esfriar a cabeça. Isso é essencial, pois assim damos um reforço positivo para o cérebro, ou seja, ele passa a entender que estudar é bom.

Ultimamente tenho utilizado menos o Facebook e desencorajado meus alunos a utilizá-lo, ainda mais os que estão com planos de prestar vestibular. Se contássemos quantas horas por dia passamos conectados a essa rede social, nos impressionaríamos. Com 2 horas de dedicação, por dia, daria pra aprender um idioma, por exemplo. Porém, passamos esse tempo ou mais em redes sociais (às vezes fazendo coisas úteis, mas, muitas vezes, não). Assim, tenho utilizado mais o Twitter, por ser uma rede social na qual dá para se atualizar rapidamente com o conteúdo.

Seria interessante conhecer que métodos de estudos vocês, leitores/as, tentam desenvolver. Se tiver alguma sugestão, escreva para alguém poder tentar também. ;)


*Esta e outras postagens são dinâmicas, de tempos em tempos são revisadas e atualizadas por novas experiências e também com o auxílio de leitores. ;)


Como citar este texto
PEREIRA, Vanessa Souza. Como conseguir estudar? Contornos Educação e Pesquisa, Porto Alegre, 2015. Disponível em: <http://www.contornospesquisa.org/2015/02/como-conseguir-estudar.html>. Acesso em: dia/mês/ano.


26 fevereiro 2014

Indicações básicas sobre o uso de tabelas e gráficos

Os números “falam” e são frequentemente utilizados como base para análises também nas Ciências Sociais. Contudo, nem mesmo sendo numéricos os dados são absolutos, eles são interpretados pelo pesquisador, que enfatiza as informações e faz as inferências mais relevantes para o seu objeto. Isso significa que uma análise de dados varia conforme os objetivos e paradigmas da pesquisa e do pesquisador. Os mesmos dados, analisados por diferentes pesquisadores em contextos diversos, resultarão em análises distintas. A seguir, algumas recomendações ao se trabalhar com dados quantitativos, lições que fui acumulando ao longo dos anos.

Gráficos e tabelas são ferramentas muito úteis para o trabalho de pesquisa. Um gráfico bem construído e esteticamente agradável pode clarear dados que ficariam confusos em uma tabela ou descritos ao longo do texto. Já as tabelas organizam dados quantitativos e remetem a um total, o que também pode facilitar a demonstração dos dados.

Conforme descrito no post sobre a formatação de tabelas e quadros, as tabelas remetem a dados numéricos ou estatísticos (enquanto os quadros são para dados textuais), ou seja, uma tabela pode vir a se transformar em um gráfico. Dependendo da configuração da tabela e da complexidade dos dados, pode ser melhor transformá-la em um gráfico, para exemplificar de maneira mais didática, principalmente quando se tratam de comparações.
Fonte: Dicionário Priberam

  • Só mostrar ao leitor os números encontrados não é análise, é descrição. Analisar é fazer inferências, ou seja, a partir do dado, problematizar as causas e consequências do fenômeno, por que a distribuição se deu dessa forma, que outros fatores podem estar envolvidos etc. Utilize também referências de outros autores para fundamentar essas inferências.
  • Uma tabela ou gráfico não se explica sozinho. O mais importante é a relatoria do autor e sua interpretação sobre esses dados. Dependendo do que for, nem precisa colocar a tabela no texto, só comentar sobre os dados (apontando de onde vieram). Tabelas e gráficos existem apenas para ilustrar o que você já mencionou no texto.
    Vejamos o exemplo abaixo (Gráfico 01); se apresentássemos os dados desse gráfico em uma tabela, seria bem menos clara a compreensão da proporção de celulares pré-pagos com relação aos pós-pagos. Observe como o gráfico demonstra bem essa diferença.
Gráfico 01

  • Lembre-se que tanto uma tabela quanto um gráfico não podem estar "flutuando" no texto. Além de fazer sentido junto ao contexto, este elemento precisa ser referido e comentado. Tratando-se do gráfico acima, além de mencionar "Conforme dados do Gráfico 01..." ou "No que se refere à distribuição entre planos de telefonia móvel no Brasil (Gráfico 01)...", é interessante também discutir esses dados, e não somente apresentá-los. Discorrer brevemente sobre as possíveis causas e consequências de tal fenômeno (se possível, com alguma referência que corrobore com a sua afirmação/proposição) e levantar questões sobre esses dados enriquece o trabalho, demonstra um bom conhecimento sobre o tema e que você está atento para procurar não cometer generalizações.
  • Ao ler sobre os dados de uma tabela, é desagradável para o leitor ver novamente no texto tudo o que já está escrito na tabela. Portanto, tente interpretar as proporções de uma forma mais interessante. Você pode dizer “um quarto” em vez de 25%, “1 a cada 5” no lugar de 20% ou “quase metade” para 47%.
  • Se você for construir uma tabela, não basta apenas demonstrar os valores absolutos, mas também a porcentagem, que dá uma melhor ideia da distribuição geral.
Exemplo de tabela com frequência e porcentagem.

  • Às vezes podem faltar informações para fazer interpretações sobre os dados. Outras variáveis podem ajudar. Cabe ao pesquisador ter iniciativa para buscar maiores informações dentro e fora do banco de dados que está estudando.
  • Trabalhando com bancos de dados grandes, é possível que você encontre muitas variáveis interessantes, porém é recomendável manter o foco apenas no que esteja diretamente relacionado com os objetivos da sua pesquisa.
Veja também: Formatação de tabelas e quadros

04 dezembro 2013

Como citar um tweet em um trabalho acadêmico?

Além de toda a importância que o Twitter conquistou nos últimos anos no campo informacional, atualmente várias informações chegam lá mais rápido que em outras mídias ou sites. Por isso, faz-se necessário, em muitos casos, utilizar informações geradas no Twitter como referência também em trabalhos acadêmicos. 

No Brasil ainda não há definição da ABNT sobre como um tweet deve ser citado. Contudo, a Modern Language Association criou uma forma padrão de citação para tweets. A citação seguiria o padrão a seguir.

Para pessoas:
Último nome, Primeiro nome (nome de usuário). "Tweet por completo". Data, horário. Tweet.
No caso de organizações:
Nome da organização (nome de usuário). "Tweet por completo". Data, horário. Tweet.
A URL da informação não é necessária, uma vez que dados muito antigos ficam indisponíveis na plataforma. Quanto ao horário, deve-se colocar o horário visto pelo leitor (não é preciso calcular o fuso horário). Deve-se ter a noção, porém, de que esse horário sempre será aproximado e nunca exato, devido às próprias características do Twitter.

Exemplos:


Santomé, Jurjo Torres (JurjoTorres). "FAES acapara la mitad de las subvenciones de Cultura destinadas a las fundaciones de los partidos políticos" 13/12/2013, 13:06. Tweet.


Creative Commons (creativecommons). "In case you missed Friday's big news: new CC license suite designed for intergovernmental organizations http://bit.ly/1clj1zX " 09/12/2013, 12:16. Tweet.



Social Biblio (socialbiblio). "#Socialbiblio ¿son los mensajes de correo-e documentos de archivo? Y otra pregunta: ¿quién es el responsable de la gestión del correo-e?" 11/12/13, 13:22. Tweet.


Dependendo do contexto do trabalho, talvez seja necessário colocar uma imagem do tweet (através do recurso print screen). Nesse caso, faça da mensagem destacada/expandida, como nos casos acima, pois dessa forma ficam registradas mais informações.

Caso você utilize a imagem do tweet, não se esqueça do colocar como legenda "Fonte: Twitter ". Veja mais sobre figuras em trabalhos em Como referenciar figuras e imagens.

Fontes:
How Do You Cite a Tweet in an Academic Paper?
How do I cite a tweet?

19 setembro 2013

Normalização ou normatização?

Ao longo da maratona de produção de um trabalho acadêmico, pensamos na adequação do texto às normas específicas de apresentação (ABNT, Vancouver, de revistas científicas etc). Mas... como denominar essa atividade? A dúvida é recorrente: o mais correto é dizer normalização ou normatização? 

Segundo Moreno (2008) os dois termos possuem significados e funções diferentes. Normalizar quer dizer "tornar normal", da mesma forma que legalizar remete a "tornar legal" e regularizar a "tornar regular". 

Em Estatística, a palavra normal possui um significado bem específico. Diz-se que uma variável tem ocorrência normal quando apresenta distribuição semelhante à curva de Gauss (figura), ou seja, distribuição simétrica em relação à média e os valores de média, moda e mediana são iguais. Nesse contexto, normal é puramente o mais frequente.

De outro lado, o verbo normatizar possui o significado específico de "regular através de uma norma", sendo, portanto, mais adequado ao denominar a atividade. 

Vale lembrar que esses dados não são regras visto que vários dicionários atribuem o mesmo significado aos dois vocábulos. Entretanto, Moreno defende que o termo normatizar, mesmo sendo considerado "irregular" por alguns autores, teve um processo de criação semelhante a outras palavras (por ex.: dogma - dogmatizar e drama - dramatizar) sendo, dessa forma, também legítimo na complexidade da Língua Portuguesa.

Referência
MORENO, Claúdio. O prazer das palavras: um olhar bem-humorado sobre a Língua Portuguesa. Porto Alegre: L&M Pocket, 2008.

25 julho 2013

[Sugestão de artigo] Série de textos sobre a construção de um artigo científico

A revista Epidemiologia e Serviços de Saúde publicou uma série de textos sobre comunicação científica, com autoria de Mauricio Gomes Pereira, professor Emérito de Epidemiologia da Universidade de Brasília. Os textos tratam sobre o artigo científico desde sua estrutura, o preparo até a análise de cada seção. É um bom guia para inspirar o processo - que não é simples.
O professor Maurício é médico, com experiência em Saúde Pública e Epidemiologia. Conhecer o autor é muito importante para interpretar o texto, pois as visões sobre a ciência e seus métodos são variadas e dinâmicas (para cada área do conhecimento e até entre cientistas e pesquisadores da mesma área). 
Os artigos estão disponíveis nos links abaixo:

Pereira MG. Estrutura do artigo científico. Epidemiologia e Serviços de Saúde. v.21 n.2 Brasília jun. 2012. 
Pereira MG. Preparo para a redação do artigo científicoEpidemiologia e Serviços de Saúde. v.21 n.3 Brasília set. 2012.
Pereira MG. A introdução de um artigo científico. Epidemiologia e Serviços de Saúde. v.21 n.4 Brasília dez. 2012.
Pereira MG. A seção de método de um artigo científico. Epidemiologia e Serviços de Saúde. v.22 n.1 Brasília mar. 2013.
Pereira MG. A seção de resultados de um artigo científico. Epidemiologia e Serviços de Saúde. v.22 n.2 Brasília, jun.2013.

19 janeiro 2013

Comentários sobre a NBR 6024 - Numeração Progressiva - Títulos e alíneas

Publicada em maio de 2003, a NBR 6024 - Numeração progressiva das seções de um documento escrito estabelece um sistema de numeração da seções que facilite o entendimento da sequência do conteúdo e estruturação da ideias. Apesar de parecer bastante simples, há vários itens e é nesse documento que se fixam parâmetros também sobre as possibilidades de divisão estrutural do texto.
São basicamente 10 itens:

1) a numeração deve ser feita com algarismos arábicos;
2) o algarismo (chamado de indicativo de seção) e o título são alinhados à esquerda;
3) o texto deve ser dividido somente até a a seção quinária, ou seja, a subdivisão máxima seria, por exemplo 1.1.1.1.1;
4) os algarismos, além de arábicos, devem ser números inteiros a partir de 1;
5) o autor deve determinar a forma como o texto será dividido,  podendo ser de seção primária até seção quinária, na sequência do assunto.

Fonte: ABNT - NBR 6024 p. 2.

6) entre o algarismo e o título a única separação é um espaço, sem ponto, hifen ou travessão;
7) Muito importante:
Destacam-se gradativamente os títulos das seções utilizando os recursos de negrito, itálico ou grifo e redondo, caixa alta ou versal e outro. Os títulos das seções (primárias, secundárias etc.) deve ser colocado após sua numeração, dele separado por um espaço. O texto deve iniciar-se em outra linha. Todas as seções devem conter um texto relacionado a elas. (ABNT, 2003, p. 2)
Na minha interpretação, a ABNT não fixa qual a ordem dos tipos de destaques às seções, portanto, utilizo a mesma forma de alguns manuais. (Veja também: ABNT em linhas gerais - formatação básica e Manuais ABNT)
Exemplos de apresentação de título:

1 SEÇÃO PRIMÁRIA - TODO EM NEGRITO E LETRAS MAIÚSCULAS
1.1 SEÇÃO SECUNDÁRIA - MAIÚSCULAS SIMPLES
1.1.1 Seção Terciária - Todo em negrito caixa baixa
1.1.1 Seção  Quaternária  - Em negrito e itálico
1.1.1.1  Seção Quinária  - Todo em itálico

Entre a seção primária e a secundária deve haver texto, obrigatoriamente. Isso significa que é preciso ao menos uma apresentação da seção e a razão da divisão em subtópicos. Além disso, não poder existir no texto uma subdivisão em 1.1 se não há o "1.2". Caso isso aconteça, é preciso repensar a estruturação do texto. 

Por exemplo:
1 TÍTULO MAIS ABRANGENTE
Aqui vai o texto propriamente dito. Caso não tenha muito a acrescentar neste momento, tente estruturar a apresentação em início-meio-fim, respeitando as subdivisões posteriores. Esse texto deve ser preferecialmente redigido após a conclusão da redação das subdivisões.
1.1 TÍTULO SEÇÃO SECUNDÁRIA - MAIS ESPECÍFICO
O texto. Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Suspendisse interdum varius rhoncus. In aliquet dignissim justo, eu pulvinar ante vulputate sit amet. Fusce urna tortor, dapibus in convallis nec, fermentum id tortor. Suspendisse id erat massa. Ut ac odio diam. Vivamus pretium nisi in purus volutpat fringilla vitae ut ipsum. Suspendisse viverra aliquam sem, at molestie odio dictum vitae. Curabitur nec dapibus urna. Aliquam condimentum commodo magna et auctor. Phasellus dignissim dictum tellus non rhoncus. Nullam mattis ornare nunc, vitae vehicula lorem ultrices sit amet. (...)
1.2 SEGUNDO TÍTULO DA SEÇÃO SECUNDÁRIA SUBJACENTE AO TÍTULO 1
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Suspendisse interdum varius rhoncus. In aliquet dignissim justo, eu pulvinar ante vulputate sit amet. Fusce urna tortor, dapibus in convallis nec, fermentum id tortor. Suspendisse id erat massa. Ut ac odio diam. Vivamus pretium nisi in purus volutpat fringilla vitae ut ipsum. Suspendisse viverra aliquam sem, at molestie odio dictum vitae. Curabitur nec dapibus urna. Aliquam condimentum commodo magna et auctor. Phasellus dignissim dictum tellus non rhoncus. 
(...)


8) Quando for necessário enumerar assuntos no texto e você não quiser dividir em subseções, deve-se dispor as informações em alíneasAlíneas são subdivisões no texto, designadas por a), b), c) ou tópicos. Exemplo:
  • lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Quisque tempus viverra orci, quis consectetur turpis congue id. Pellentesque nec nibh laoreet nisi fermentum ullamcorper dapibus at ante. Suspendisse nunc ipsum, feugiat ac laoreet et, scelerisque sed nibh. Maecenas risus dui, gravida ut pellentesque id, pharetra quis metus. Sed id elementum velit. Nullam laoreet porttitor tincidunt;
  • phasellus faucibus dapibus erat, in facilisis dolor lobortis nec. Nullam faucibus iaculis neque, aliquam malesuada magna fermentum a. Nulla facilisi. Donec ultricies dolor ut justo tempor laoreet. In hac habitasse platea dictumst. Mauris justo diam, varius at dapibus ut, posuere vel sem;
  • suspendisse tincidunt gravida vehicula. Nam gravida neque et lorem ornare vitae pulvinar lacus congue. Vivamus venenatis, arcu sit amet varius elementum, nisi ante rhoncus massa, sed pretium erat turpis eu nulla. Nunc sollicitudin bibendum arcu;
  • vestibulum quis tortor quis augue ultrices dapibus. Proin vitae libero dolor. Cras eros nibh, tempor eu accumsan in, varius aliquet magna. Nam in justo non tortor pharetra lobortis vel a mauris. Ut libero metus, placerat ac blandit ut, varius id nunc. 

Nota-se que são subdivisões em menor escala que as seções do texto. Se você irá ou não utilizar alíneas, depende da estrutura do seu texto. Considerando que as alíneas constituem uma lista, o texto de cada item inicia com letra minúscula e termina em ponto-e-vírgula, exceto a última, que termina em ponto.

9) Se a estrutura do texto e exposição da ideia exigir, a alínea pode ser subdividida em subalíneas, as quais devem começar com um hífen (diferentemente da alínea principal, que inicia com letra ou ponto). Exemplo:

  • lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Quisque tempus viverra orci, quis consectetur turpis congue id. Pellentesque nec nibh laoreet nisi fermentum ullamcorper dapibus at ante. 
  • Suspendisse nunc ipsum, feugiat ac laoreet et, scelerisque sed nibh. Maecenas risus dui, gravida ut pellentesque id, pharetra quis metus. Sed id elementum velit. Nullam laoreet porttitor tincidunt;
  • phasellus faucibus dapibus erat, in facilisis dolor lobortis nec. Nullam faucibus iaculis neque, aliquam malesuada magna fermentum a. Nulla facilisi. Donec ultricies dolor ut justo tempor laoreet. In hac habitasse platea dictumst. Mauris justo diam, varius at dapibus ut, posuere vel sem;
  • suspendisse tincidunt gravida vehicula. Nam gravida neque et lorem ornare vitae pulvinar lacus congue. Vivamus venenatis, arcu sit amet varius elementum, nisi ante rhoncus massa, sed pretium erat turpis eu nulla. Nunc sollicitudin bibendum arcu;

10) No momento que você utiliza indicativos de seção, é possível mencioná-los ao longo do texto retomando apenas no número do capítulo. Em outras palavras, se você estiver no capítulo nº 6 e quiser retomar uma ideia anterior, pode mencionar "conforme disposto na seção 2.2 ..." ou "ver seção 1.4".

Como podemos notar, a norma sobre numeração progressiva não trata somente da divisão do texto em capítulos, mas da disposição das ideias de forma mais clara, com atenção à estrutura do texto. ;)

Referência
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6024: Informação e documentação -Numeração progressiva das seções de um documento escrito. Rio de Janeiro, 2003.

Como citar este texto
PEREIRA, Vanessa Souza. Comentários sobre a NBR 6024 - Numeração Progressiva - Títulos e alíneas. Contornos Educação e Pesquisa, Porto Alegre, 2013. Disponível em: <http://www.contornospesquisa.org/2013/01/comentarios-sobre-nbr-6024-numeracao.html>. Acesso em: dia/mês/ano.


14 novembro 2012

Como montar referências de filmes e vídeos

Filmes e vídeos também podem ser fontes de informação para trabalhos acadêmicos. Para a NBR 6023 (2002), filmes e vídeos constituem a categoria "Imagens em movimento", cujos elementos essenciais são: título, diretor, produtor, local, produtora, data e especificação do suporte.

Elementos essenciais da referência: título, indicação de responsabilidade (diretor, produtor), local, produtora, duração, ano e tipo de suporte.

Elementos complementares: outras indicações de responsabilidade (coordenação, intérpretes, roteiro, música), indicação de som (tipo de som), de cor e informações consideradas relevantes.



"Fórmula"

TÍTULO do Filme. Indicação de responsabilidade. Outras indicações de responsabilidade. Local: Produtora, ano. Duração em minutos, sistema de reprodução, indicação de som (legenda ou dublagem), indicação de cor, largura em milímetros.

Exemplo de referência de filme cinematográfico:

INVENÇÃO da Infância, A. Direção: Liliana Sulzbach. M. Schmiedt Produçõe.s Porto Alegre – RS, 2000. 26 min. Son, Color, Formato: 16 mm.

CENTRAL do Brasil. Direção: Walter Salles. Produção: Martire de Clemont-Tonnere e Arthur Cohn. [S.l.]: Le Studio Canal, 1998. 1 bobina cinematográfica.

Também pode ser mais completa:

CENTRAL do Brasil. Direção: Walter Salles Júnior. Produção: Martire de Clemont-Tonnere e Arthur Cohn. Intérpretes: Fernanda Montenegro; Marília Pera; Vinícius de Oliveira; Sônia Lira; Othon Bastos; Matheus Nachteergaele e outros. Roteiro: Marcos Berrnstein; João Emanuel Carneiro e Walter Salles Júnior. [S.l.]: Le Studio Canal; Riofilme; MACT Productions, 1998. 1 bobina cinematográfica (106min), son., color., 35mm.
Exemplo de referência de filme em DVD:

BLADE Runner. Direção: Ridley Scott. Produção: Michael Deeley. Intérpretes: Harrison Ford; Rutger Hauer; Sean Young; Edward Ward; James Olmos e outros. Roteiro: Hampton Fancher e David Peoples. Música: Vangelis. Los Angeles: Warner Brothers, c1991. 1 DVD (117MIN), Color. Produzido por Warner Video Home. 



Vídeos do You Tube


A ABNT ainda não fala nada sobre eles, mas podemos fazer algumas adaptações ao formato. A minha sugestão é esta:

TÍTULO do Filme. Indicação de responsabilidade. Outras indicações de responsabilidade. Local: Produtora, ano. Duração em minutos. Disponível em: endereço do site. Acesso em: nov. 2012.

Exemplo:
CRIANÇA a Alma do Negócio. Direção: Estela Renner. Produção: Marcos Nisti. Documentário, 49'05". Disponível em: endereço do site . Acesso em novembro de 2012.

Caso você não encontre maiores informações sobre o vídeo, procure explicar resumidamente do que se trata ou quem fala. Por exemplo:

CRIANÇAS Terceirizadas. Entrevista com José Martins Filho. 15'13". Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=w1CvvDWkd_0>. Acesso em novembro de 2012.

Fique à vontade para enviar a sua dúvida, sugestão ou correção. ;)