Contornos - Educação e Pesquisa: língua portuguesa
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19 setembro 2013

Normalização ou normatização?

Ao longo da maratona de produção de um trabalho acadêmico, pensamos na adequação do texto às normas específicas de apresentação (ABNT, Vancouver, de revistas científicas etc). Mas... como denominar essa atividade? A dúvida é recorrente: o mais correto é dizer normalização ou normatização? 

Segundo Moreno (2008) os dois termos possuem significados e funções diferentes. Normalizar quer dizer "tornar normal", da mesma forma que legalizar remete a "tornar legal" e regularizar a "tornar regular". 

Em Estatística, a palavra normal possui um significado bem específico. Diz-se que uma variável tem ocorrência normal quando apresenta distribuição semelhante à curva de Gauss (figura), ou seja, distribuição simétrica em relação à média e os valores de média, moda e mediana são iguais. Nesse contexto, normal é puramente o mais frequente.

De outro lado, o verbo normatizar possui o significado específico de "regular através de uma norma", sendo, portanto, mais adequado ao denominar a atividade. 

Vale lembrar que esses dados não são regras visto que vários dicionários atribuem o mesmo significado aos dois vocábulos. Entretanto, Moreno defende que o termo normatizar, mesmo sendo considerado "irregular" por alguns autores, teve um processo de criação semelhante a outras palavras (por ex.: dogma - dogmatizar e drama - dramatizar) sendo, dessa forma, também legítimo na complexidade da Língua Portuguesa.

Referência
MORENO, Claúdio. O prazer das palavras: um olhar bem-humorado sobre a Língua Portuguesa. Porto Alegre: L&M Pocket, 2008.

19 junho 2012

Conjunções - dicas de uso

Conjunção é uma classe gramatical que funciona basicamente como um meio para relacionar os termos em uma frase ou parágrafo. As mais comuns são as aditivas (quando reforçam e acrescentam argumentos à primeira ideia) e adversativas (quando refutam e confrontam a ideia anterior). Há diversas outras formas de relacionar ideias dentro de uma oração ou parágrafo, enriquecendo o texto e auxiliando no desenvolvimento dos argumentos. Abaixo seguem algumas dicas de conjunções que podem ajudar na construção do seu texto. :)

  • ADITIVAS: e, nem, não só...mas também, não só...como também. 
  • ADVERSATIVAS: mas, porém, todavia, contudo, no entanto, entretanto. 
  • ALTERNATIVAS: ou...ou, ora...ora, quer...quer, seja...seja, nem...nem, já...já, etc. 
  • CONCLUSIVAS: logo, pois, portanto, por conseguinte, por isso, assim, então. 
  • PROPORCIONAIS: à medida que, quanto mais, ao passo que, à proporção que. 
  • EXPLICATIVAS: que, porque, pois, porquanto. 
  • CAUSAIS: porque, pois, por quanto, como, pois que, por isso que, já que, uma vez que, visto que, visto como, que
  • COMPARATIVAS: que, (mais/menos/maior/menor/melhor/pior) do que, tal qual, tanto quanto, como, assim como, bem como, como se, que nem, tão... quanto, etc.
  • CONCESSIVAS: embora, conquanto, ainda que, mesmo que, posto que, bem que, se bem que, apesar de que, nem que,em que, que,e, etc.
  • CONDICIONAIS: se, caso, quando, contanto que, salvo se, sem que, dado que, desde que, a menos que, a não ser que, etc.
  • CONSECUTIVAS: que (combinada com uma das palavras tal, tanto, tão ou tamanho, presentes ou latentes na oração anterior), de forma que, de maneira que, de modo que, de sorte que
  • TEMPORAIS: quando, antes que, depois que, até que, logo que, sempre que, assim que, desde que, todas as vezes que, cada vez que, apenas, mal, que [= desde que], etc.

Veja também: objetivos em um projeto de pesquisa

Fonte: anotações pessoais de estudos de gramáticas

02 abril 2012

Existe dupla negação na língua portuguesa?

Tive essa dúvida por muito tempo, pois a resposta que me davam não me convencia. A língua portuguesa é muito rica, temos uma quantidade muito maior de vocábulos e, consequentemente, de combinações e diversidade de composições do que a língua inglesa, por exemplo. Dessa forma, temos que observar que as línguas possuem diferentes estruturas e que não podem ser pensadas da mesma forma.

Um dia vi, por acaso, no canal Futura, o famoso prof. Pasquale falando justamente sobre isso. Segundo ele, essa dúvida vem de uma confusão com a estrutura da língua inglesa, que não admite a dupla negação. As línguas derivadas do latim (como o português, o espanhol e o italiano) podem sim negar duas vezes na mesma frase.

Como não consegui encontrar o vídeo dessa aula do Pasquale (era bem antigo), indico um trecho de um texto dele na Folha de São Paulo em 2009, comentando sobre uma questão do vestibular da Unicamp cujo tema seria justamente este.

Refiro-me à dupla negação ("Não há nenhuma medida..."). Não são poucas as mensagens que recebo a respeito disso ("É possível negar duas vezes?"; "Menos com menos não dá mais?"; "Se eu digo que não encontrei ninguém, isso não significa que eu encontrei alguém?").
Devagar com o andor, caro leitor. Nem pensar em fazer a tal conta. Se eu digo que não vi ninguém, isso significa que vi zero pessoa, nada, pessoa alguma, ninguenzinho mesmo.
A dupla negação como a que fazemos, que realmente não ocorre em inglês, é mais que comum em italiano, espanhol... Nossa velha frase "Não conheço ninguém", por exemplo, em espanhol corresponde a "No conozco a nadie". Em italiano, corresponde a "Non conosco nessuno". Em ambas se nota a dupla negação ("no" e "nadie", em espanhol, e "no" e "nessuno", em italiano). É isso. 

Foto por Virtual EyeSee - https://www.flickr.com/photos/virtualeyesee/