Contornos - Educação e Pesquisa: ética na pesquisa
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04 fevereiro 2024

Como referenciar figuras e imagens (II) - Imagens geradas por IA

A citação de figuras e imagens geradas por inteligência artificial (IA) em trabalhos acadêmicos segue as mesmas diretrizes básicas de citação para qualquer outra imagem (ver Como referenciar figuras e imagens). No entanto, ainda que o comando seja executado por você, é importante reconhecer que as figuras e imagens geradas por IA são criadas por uma ferramenta específica e podem existir diferenças e particularidades entre essas ferramentas, sendo, portanto, essencial mencioná-las.

Ao utilizar essas imagens, é fundamental destacar as considerações éticas associadas ao uso de IA. Mesmo em uma apresentação de slides, o rigor deve ser o mesmo de um trabalho escrito. O quanto essa imagem é importante para o seu trabalho? A imagem “cabe” para o contexto? Há alguma imagem “real” que possa substituí-la? Estou sendo transparente quanto às informações da imagem? São algumas perguntas a se fazer quando utilizar imagens criadas por IA.


Aqui estão algumas orientações gerais para as referências de figuras ou imagens geradas por IA ou algoritmos em geral:

No título da figura:

Inclua informações sobre a descrição da imagem. Por exemplo, "Figura 2: representação de um pesquisador em trabalho de campo."


Na legenda da figura:

Inclua informações detalhadas sobre a ferramenta de IA ou o algoritmo utilizado. Por exemplo, "Fonte: gerado por [Nome da Ferramenta de IA] em dd/mm/aaaa."


No texto:

Mencione a autoria como "imagem gerada por [Nome da Ferramenta de IA]" ou "Figura gerada por algoritmo de inteligência artificial."


Exemplo:

Figura 1: Representação de uma cientista utilizando mecanismos de inteligência artificial.
.
Fonte: gerada por IA. Plataforma DALL·E 3. Em 2 de fevereiro de 2024.


Lembre-se de consultar as diretrizes de citação do estilo escolhido para garantir que você esteja seguindo todas as regras específicas dessas normas. Além disso, se a ferramenta de IA ou o algoritmo usado tiver um artigo ou documentação oficial, você pode incluir essa fonte na lista de referências para fornecer mais contexto sobre como a IA foi treinada e desenvolvida.

O uso de inteligência artificial em trabalhos acadêmicos é um tema que ainda estamos compreendendo e, por enquanto, essas indicações seguem princípios gerais de uma pesquisa científica como transparência, rigor, coerência e confiabilidade. É possível que algumas diretrizes mudem com o tempo e desenvolvimento de nossa compreensão, assim, atente à data de publicação e atualizações desta postagem. ;)

 

Para citar este artigo: PEREIRA, Vanessa Souza. Como referenciar figuras e imagens (II) – Imagens geradas por IA. Contornos: Educação e Pesquisa. Disponível em: http://www.contornospesquisa.org/2024/02/como-referenciar-figuras-e-imagens-ii.html. Acesso em: ____.

14 janeiro 2019

O que fazer quando a autoria é desconhecida?

Embora seja pouco comum (e recomendável), por vezes há a necessidade de citar e referenciar um material com autoria desconhecida. É importante destacar que a autoria é desconhecida, o que não significa que não exista autoria. Um texto sempre terá um/a autor/a, podendo ser autoria coletiva ou em nome de instituições.


Quando não encontramos a autoria do texto, primeiramente devemos pesquisar sobre a publicação em outros locais, buscar o dado de forma mais ampla. Caso ainda assim não o encontre, questionar-se sobre a confiabilidade dessa fonte e se é realmente importante para o trabalho. Se a resposta a essa última questão foi positiva, a ABNT 6023 indica uma alternativa para referenciar o material:

8.1.3 Autoria desconhecida
Em caso de autoria desconhecida, a entrada é feita pelo título. O termo anônimo não deve ser usado em substituição ao nome do autor desconhecido.
Exemplo: DIAGNÓSTICO do setor editorial brasileiro. São Paulo: Câmara Brasileira do Livro, 1993. 64 p.

Assim, colocamos a primeira palavra do título em caixa alta e as seguintes normais, sem utilizar negrito. Veja bem, não é mesmo o caso de legislações, pois o autor dessas é a unidade administrativa ou a instituição responsável.

Exemplos:
BRASIL. Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da Lei no 10.098, de 19 de dezembro de 2000.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL (UFRGS). Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão. Resolução Nº 04/2004. Diretrizes para o Plano Pedagógico das Licenciaturas da UFRGS. Disponível em: http://www.ufrgs.br/cepe/legislacao/Res04-04.htm

Lembre-se de considerar a palavra seguinte ao colocar em maiúsculas se o título iniciar com artigo definido, indefinido ou palavra monossílaba.

Exemplo:
A ÉTICA nas universidades brasileiras...
Por fim, tente incluir mais informações que conseguir sobre a publicação a fim de que outros elementos possam ajudar a entender a fonte, pois a ausência de autoria é um ponto de atenção para a confiabilidade da fonte.

Obs.: As mudanças na ABNT 6023 de 14 de novembro de 2018 não alteraram esse item.

Referência:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 6023: Informação e documentação - Referências - Elaboração. Rio de Janeiro, 2002.

05 janeiro 2019

O que é citar e referenciar?

É comum utilizarmos os termos citar e referenciar em redações e comunicações científicas, porém nem sempre é claro para quem está iniciando o que são essas ações.

De acordo com o Dicionário Priberam, os dois vocábulos são sinônimos de mencionar e referir. No entanto, em pesquisa, de forma prática, consideramos cada palavra para uma ação diferente.

Citar: é transcrever os textos/falas de autores de forma literal ou parafraseada ao longo do texto. (= CITAÇÃO).
Exemplo:
Conforme Dussel (1993, p. 35), “A América não é descoberta como algo que resiste distinta, como o Outro, mas como a matéria onde é projetado o 'si mesmo'.”
Referenciar: é associar a citação aos seus dados de registro (especialmente autor e data). Cada citação demanda duas referências:

1) Ao longo do texto, logo após trecho transcrito/parafraseado, no sistema autor-data. 

Exemplo: (DUSSEL, 1993, p. 35)

2) No final do trabalho, na lista de referências. 

Exemplo: DUSSEL, Enrique. 1492: o encobrimento do outro – a origem do mito da modernidade. Petrópolis: Vozes, 1993.

Veja mais em Citações: para quê servem? Como utilizar e formatar referências no corpo do trabalho

Dúvidas? Escreva nos comentários. ;)

Por: ShellyS Fonte: https://www.flickr.com/photos/shellysblogger/


19 junho 2017

O que fazer quando não se sabe o ano da publicação? Citações e referências


O ano da publicação é uma informação imprescindível para a referência de qualquer material. A ABNT 6023 (2002) coloca deve sempre haver uma indicação de ano da publicação, ainda que aproximada. Pode ser também o ano da distribuição, da impressão, da patente ou outra data significativa para a obra. Nesses casos, especificar. Se a data não puder ser determinada, em último caso, inserir uma data aproximada entre colchetes, como nos exemplos a seguir:

  • [1965?] - data provável
  • [1973] - quando se sabe que é desse ano, mas não está indicado no item
  • [1982 ou 1983] - um ano ou outro
  • [entre 1906 e 1912] - utilizar somente intervalos menores de 20 anos
  • [195-] - quando se sabe que é dessa década, mas não está indicado no item
  • [195-?] - década provável
  • [18--] quando se sabe que é desse século, mas não está indicado no item
  • [18--?] - século provável

O mesmo é aplicado quando se tratam de referências publicadas em meio virtual. Os números em colchetes vão assim também na referência dentro texto no sistema autor-data. Por exemplo, (ALECRIM, [2012?]) ou  OLIVEIRA ([200-]). Não é usual e deve ser evitado. O sistema é uma alternativa para que de alguma forma haja informação sobre a obra no tempo, no entanto, é para ser utilizado somente se não foi possível obter mais informações e após pesquisa sobre a origem da referência.

Dúvidas? Envie nos comentários.

Referência:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 6023: Informação e documentação - Referências - Elaboração. Rio de Janeiro, 2002.

Foto por Kikabu - https://www.flickr.com/photos/28778836@N08/

07 junho 2017

Plágio em trabalhos e relatórios: é preciso entender o que é pesquisa

Nos últimos anos tive a oportunidade de acompanhar vários alunos em processo de pesquisa e percebi que muitos não têm plena consciência de que o que estão fazendo é plágio. É fato que não se pode alegar simples desconhecimento, porém esse equívoco geralmente decorre da falta de preparo sobre o que é o processo de pesquisa. Infelizmente no Brasil não é comum que tenhamos a pesquisa como princípio educativo na educação básica. A maior parte das pessoas vai ter acesso ao que é uma pesquisa só na universidade (o que também foi o meu caso e contribuiu para muitos tropeços). Há iniciativas nesse sentido, inclusive de redes públicas de ensino, porém há um longo caminho de investimento.

Assim, o que temos atualmente é uma grande quantidade de pessoas acostumadas com o sistema de transcrição de trechos de enciclopédias ou revistas para a realização de trabalhos escolares e muitas outras que já nasceram na era digital, mas que seguem o mesmo princípio de transcrição, só que sem nem ao menos escrever. Com a facilidade das buscas por textos em ambientes virtuais, a prática de transcrição agora é reduzida ao famoso copiar e colar. Em muitos casos, as pessoas modificam apenas algumas palavras do texto e a partir daí o tratam como um texto “seu”.

Vejo que instituições de ensino muitas vezes enviam alertas sérios sobre o problema do plágio nos trabalhos (hoje facilmente identificáveis com softwares) mas pouco se dedicam a educar sobre o que é plágio. Talvez não seja algo tão bem entendido como se imagina.

Veja a cartilha produzida por uma comissão especializada em avaliação de autoria da UFF (Universidade Federal Fluminense) com explicação e exemplos de plágio. Atenção para os três tipos: integral, parcial e conceitual. Apenas o primeiro tipo se trata de cópia palavra por palavra. 

cartilha plágio
"Print" da primeira página da cartilha (UFF, 2010)
http://www.noticias.uff.br/arquivos/cartilha-sobre-plagio-academico.pdf

Para entender o que é plágio, é preciso entender: o que é pesquisar? Ao refletir sobre o que consiste o ato de pesquisar, o plágio tende a ficar mais evidente e evitável.

Pesquisar é um processo, não se faz na noite do último dia de prazo. Para ter o que escrever, será necessário ler, realmente conhecer o que foi publicado sobre o tema tratado. Aliás, dificilmente haverá um problema de pesquisa bem definido sem leitura, pois a leitura auxilia na percepção de lacunas que se pode examinar com a pesquisa.

01 junho 2017

Sobre uso de fotografias em relatórios e trabalho acadêmicos

Conforme vimos no post anterior, a fotografia foi inventada há cerca de 180 anos e ainda hoje é essencial para nossa comunicação e memórias pessoais e coletivas, além de provocar novas questões sociais com as inovações tecnológicas na área.

Por wildolive, 2010,
https://www.flickr.com/photos/molliejohanson/
A fotografia também é elemento importante para muitos trabalhos acadêmicos de praticamente todas as áreas do conhecimento. Muito se fala sobre a adequação do texto às normas, mas e as fotografias? 

Considerando fotografia aqui como retrato, imagem produzida por um/a fotógrafo/a e uma câmera (o que é diferente de figuras ou ilustrações) é preciso ter em mente que um dos pressupostos básicos para a existência das normas para trabalhos acadêmicos é a proteção da autoria e confiabilidade das informações na produção de conhecimento.

Neste blog há uma postagem específica sobre como indicar a descrição e a fonte de imagens utilizadas em trabalhos acadêmicos, o que também serve para a fotografia. [Como referenciar figuras e imagens] No entanto, a utilização de fotografias contém algumas questões a mais que considerei pertinentes para ampliar a discussão.

Quando utilizar uma fotografia em um trabalho, primeiramente, você deve saber, no mínimo, o nome de quem fotografou (pode ser o nome artístico), quem tem os direitos dessa fotografia, por exemplo, jornal ou agência de notícias e o ano em que foi tirada (se tiver a data completa, melhor). Apenas indicar o site de onde você buscou (especialmente em um trabalho que não é virtual) não é suficiente sem essas informações. Já para publicações na internet e em apresentações, as pessoas costumam ter menos cuidados e tenho visto que é aceitável incluir imagens sem colocar a fonte. No entanto, insisto que é importante colocar sempre as informações de autoria junto à foto, mesmo que não tenha todas.

30 maio 2017

Fotografia e sociedade: questões básicas para a discussão sobre o uso de fotografias em trabalhos acadêmicos

Imagine o mundo antes da fotografia. Para reproduzir concretamente uma imagem vista pelos olhos, era necessário realizar uma pintura ou desenho. Joseph Niepce, inventor francês, foi um dos primeiros a realizar experimentos com sucesso, ainda no final do século XVIII. Só em 1826 foi possível a primeira fotografia de fato, ainda com uma qualidade muito baixa e processo de confecção bastante trabalhoso e demorado. (1)

A primeira fotografia, produzida em 1826.
Fonte: http://dcl.umn.edu/ (Domínio público)
Por ser um evento raro na vida da maioria das pessoas da época, muitas só tiveram seu retrato produzido após a morte. É o caso das fotos post mortem, comuns no século XIX. Para nós, hoje, parece assombroso, mas na época era uma forma muito comum de obter uma última lembrança de um ente querido falecido, além de ser um dos raros momentos em que se conseguia reunir toda a família. Eram muito comuns também as fotos post mortem de crianças, devido à alta mortalidade infantil da época. (2)

A fotografia, apesar de inicialmente só ser acessível a famílias de grande poder aquisitivo, pouco a pouco passou a ser elemento cada vez mais importante para a história e as memórias pessoais, coletivas e institucionais, proporcionando uma forma de registrar acontecimentos e produzir patrimônio cultural para a humanidade.

Os filmes coloridos passaram a ser utilizados em larga escala a partir dos anos 1970, até o lançamento do método digital. Foi um salto muito significativo para a fotografia, pois modificou três questões importantes: (a) não há mais a dependência da quantidade de “poses” de um filme; (b) poder imprimir as fotos e não ser necessário o processo revelação, o que torna mais barata e rápida a materialização da fotografia. Além disso, (c) com a fotografia digital é possível ver a foto antes de imprimir, podendo mantê-la ou excluí-la.

Atualmente, após 180 anos do início da fotografia, a maior parte das pessoas dos centros urbanos do mundo possuem um aparelho smartphone com câmera digital, permitindo produzir inúmeras fotografias e publicá-las em seguida. À propósito, o processo de publicação e compartilhamento em redes sociais já tem substituído a impressão das fotos digitais. Está ficando cada vez mais raro que tenhamos as fotos em papel.

13 fevereiro 2016

Resumos de trabalhos acadêmicos (NBR 6028)

Por definição, resumir é abreviar, sintetizar, condensar, enfim, reduzir a menores proporções. Contudo, metodologicamente, essa atividade não é tão simples quanto parece e requer a observação de alguns pontos. No Brasil, a NBR 6028 (2003) estabelece requisitos para a apresentação de resumos. Entretanto, também há controvérsias. 

Segundo a norma, o resumo deve ressaltar o objetivo, o método, os resultados e as conclusões do documento. Muito importante observar esses quatro momentos do resumo. Como é possível observar, a bibliografia utilizada no trabalho não é recomendada para o resumo, por isso, particularmente indico que autores não sejam mencionados, a não ser que a pesquisa tenha utilizado um autor de forma bastante significativa (geralmente em teses de doutorado).

A norma estabelece que o resumo seja composto de uma sequência de frases concisas, afirmativas e não de enumeração de tópicos. Recomenda que a primeira frase já apresente o tema principal do documento e que se utilize parágrafo único.

A NBR 6028 coloca que “deve-se usar o verbo na voz ativa e na terceira pessoa do singular”, o que é uma grande controvérsia no meio acadêmico. Cientistas de diversas áreas (mas especialmente das Ciências Humanas) defendem a utilização da primeira pessoa do singular ou do plural em textos acadêmicos. Esse tema, entretanto, remete à questões mais profundas sobre a prática da pesquisa e merece maior aprofundamento em outro texto. Contudo, já está bastante disseminado e aceito o uso da primeira pessoa em textos acadêmicos. A minha sugestão é que você converse com o/a orientador/a e utilize o que sentir que seja mais adequado, desde que saiba justificar essa escolha.

Quanto à extensão, a norma assinala de 150 a 500 palavras para resumos de trabalhos acadêmicos (teses, dissertações e outros) e relatórios técnico-cientifícos e de 100 a 250 palavras os de artigos de periódicos, entretanto, a respeito dos artigos de periódicos, atualmente cada periódico tem estabelecido suas normas e formatos para publicação. Assim, o recomendável nesse caso é consultar a norma da revista.

Palavras-chave

A NBR 6028 define palavra-chave como “palavra representativa do conteúdo do documento, escolhida, preferencialmente, em vocabulário controlado”. A respeito do que se chama de vocabulário controlado, a escolha de palavras é livre, porém, se você quer que o seu trabalho seja mais facilmente encontrado na internet e em bibliotecas, especialmente por pesquisadores de sua área e estudantes buscando referências, procure palavras representativas de sua pesquisa dentro da área de enfoque.

Uma forma de conhecer as palavras mais utilizadas na área é observando as palavras-chave de suas referências e das referências de suas referências. Há ferramentas que auxiliam o pesquisador na escolha de palavras com busca por tema, descrição mais ampla do termo, entre outros. Em algumas revistas científicas, exige-se que as palavras estejam de acordo com dicionários de termos específicos da área. Em educação, por exemplo, utiliza-se o Thesaurus Brasileiro da Educação. Para a área da saúde, Descritores em Ciências da Saúde

A palavra-chave não precisa ser só uma palavra, pode ser uma expressão, por exemplo, “administração escolar”, “políticas públicas em educação” e “Programa Nacional Fortalecimento dos Conselhos Escolares”. Observe que, das palavras citadas, a primeira é mais ampla e a última mais específica (um programa específico, que seria foco do trabalho). Assim, também é importante pensar as palavras em ordem do mais abrangente para o mais específico.

*esta e outras postagens são dinâmicas, de tempos em tempos são revisadas e atualizadas por novas experiências e também com o auxílio de leitores. ;)
 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6028: Informação e documentação - Resumo. Rio de Janeiro, 2003.

Como citar este texto
PEREIRA, Vanessa Souza. Resumos de trabalhos acadêmicos (NBR 6028). Contornos Educação e Pesquisa, Porto Alegre, 2016. Disponível em: <http://www.contornospesquisa.org/2016/02/resumos-de-trabalhos-academicos-nbr-6028.html>. Acesso em: dia/mês/ano.


01 junho 2014

A construção da metodologia na pesquisa social

Este artigo é um subcapítulo do trabalho: PEREIRA, Vanessa Souza. A emergência de novidades metodológicas no campo virtual: uma análise de estudos no ciberespaço. Trabalho de Conclusão de Curso - Bacharelado em Ciências Sociais - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2012.

Distinguindo-se do conhecimento comum, o conhecimento científico se concretiza na atividade de pesquisa, cuja fundamentação se dá através de teorias, conceitos, métodos e técnicas. A pesquisa constitui-se como atividade básica da ciência na sua indagação e construção da realidade. 

Uma pesquisa inicia com um problema articulado a conhecimentos anteriores, mas possíveis de demandar novos referenciais. Esses conhecimentos anteriores, construídos por outros estudiosos, são um sistema organizado de proposições e são chamados de teorias. Para Minayo (1994), as teorias são tentativas de aproximação e explicação (parcial) da realidade, contextualizadas e compostas de conceitos. A metodologia de pesquisa seria o caminho do pensamento e a prática exercida na abordagem da realidade. Ela reúne as concepções teóricas da abordagem de um objeto, as técnicas de investigação, as quais encaminham os impasses teóricos para a prática, e o potencial criativo do pesquisador (MINAYO, 1994). Sobre o trabalho de campo, a autora defende que seja um recorte empírico da construção teórica e um momento prático de confirmação ou refutação das hipóteses e construção de teorias. 

A metodologia de pesquisa possui um sentido mais técnico dentro projeto científico, no qual se constituem regras para definir um objeto e as escolhas referentes ao trabalho de campo e aos instrumentos para investigação. Boudon e Bourricaud salientam que a atitude crítica do pesquisador na análise do objeto também constitui a ideia de metodologia de pesquisa:
Contrariamente a uma confusão corrente, essa noção [metodologia de pesquisa] designa, não só as técnicas de investigação empírica e da análise de dados, mas a atividade crítica que se aplica aos diversos produtos da pesquisa (BOUDON e BOURRICAUD, 2000a, p. 336).
Assim, podemos entender que a abordagem metodológica de um estudo científico visa sistematizar o modo como se estudará um objeto para alcançar os objetivos propostos. Essa atividade engloba aspectos que devem ser explicitados ao longo do trabalho científico: o tipo de estudo, qual será a população-alvo da pesquisa empírica, como os dados serão coletados/produzidos, quais serão os procedimentos para análise e interpretação dos dados, etc. Porém, sobretudo visa estudar e definir as escolhas teóricas em busca da compreensão do objeto proposto. As técnicas de produção e análise de dados são fruto de um processo de construção e constituem o nível mais operacional das definições metodológicas (COTANDA et al, 2008).

Oliveira (1998) traz um bom exemplo sobre o lugar do método na pesquisa: 
Ao se falar, por exemplo, em método Paulo Freire de aprendizagem, a  discussão seria muito mais redutora se apenas aludisse aos recursos e  instrumentos de que se vale para promover a alfabetização; seria necessário ir além para perceber o embasamento teórico, que dá suporte e consistência ao método. De que modo encara a educação? Quais os pressupostos da relação entre educador e educandos? Como tais questões podem interferir na produção do saber? (p. 21)
Para Bourdieu et al (1999), mesmo as técnicas mais empíricas não são descoladas das opções teóricas. Os métodos seriam então construídos em função do objeto. Para ele, são os pressupostos teóricos que fazem os dados empíricos funcionarem como evidências científicas. Mesmo que os autores referidos defendam a construção do método em função do objeto, considero que outros fatores também podem influenciar a construção, entre eles as especificidades do local do trabalho de campo, como no caso dos ambientes virtuais.

Considerar que a realidade é complexa e não-linear e que o conhecimento é sempre provisório, não significa, contudo, que nenhum método será capaz de captá-la satisfatoriamente (DEMO, 2002). Segundo o autor, “em parte, este reducionismo é natural, inevitável” (p. 361). Ao fazer pesquisa buscamos ordenar e estruturar, o que representa uma violência analítica, pois a força a caber em categorias estranhas a sua dinâmica complexa e não-linear. Contudo, mesmo que consideremos que “explicar é  inapelavelmente também simplificar” (p. 361), a explicação teórica organizada se faz necessária para delimitar/definir o objeto e os objetivos do trabalho científico, visto que, sem esses, o trabalho do pesquisador seria um emaranhado confuso.

Referências:

BOUDON e BOURRICAUD. Metodologia. In: _________. Dicionário crítico de sociologia. 2ª ed. São Paulo:Ática; 2000a.
BOURDIEU, Pierre, CHAMBOREDON, J.C; PASSERON, J.C. Ofício de Sociólogo. Metodologia da pesquisa na sociologia. Petrópolis, Rio de Janeiro, 1999.
COTANDA, SILVA, ALMEIDA, ALVES. Processos de Pesquisa nas Ciências Sociais: uma introdução. In: PINTO, GUAZZELLI. Ciências Humanas: pesquisa e método. Porto Alegre: Ed. da UFRGS, 2008.
DEMO, Pedro. Cuidado Metodológico: signo crucial da qualidade. Sociedade e Estado, Brasília, v. 17, n. 2, jul/dez, 2002. p. 349-373.
MINAYO, Maria Cecília de Souza. Ciência, Técnica e Arte: o desafio da pesquisa social. In: _____. (org.) Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. 18ª ed. Petrópolis: Vozes, 1994.
OLIVEIRA, Paulo de Salles. Caminhos de construção da pesquisa em Ciências Humanas. In: _________. Metodologia das Ciências Humanas. São Paulo: Hucitec, Unesp, 1998, p. 17-26.


26 fevereiro 2014

Indicações básicas sobre o uso de tabelas e gráficos

Os números “falam” e são frequentemente utilizados como base para análises também nas Ciências Sociais. Contudo, nem mesmo sendo numéricos os dados são absolutos, eles são interpretados pelo pesquisador, que enfatiza as informações e faz as inferências mais relevantes para o seu objeto. Isso significa que uma análise de dados varia conforme os objetivos e paradigmas da pesquisa e do pesquisador. Os mesmos dados, analisados por diferentes pesquisadores em contextos diversos, resultarão em análises distintas. A seguir, algumas recomendações ao se trabalhar com dados quantitativos, lições que fui acumulando ao longo dos anos.

Gráficos e tabelas são ferramentas muito úteis para o trabalho de pesquisa. Um gráfico bem construído e esteticamente agradável pode clarear dados que ficariam confusos em uma tabela ou descritos ao longo do texto. Já as tabelas organizam dados quantitativos e remetem a um total, o que também pode facilitar a demonstração dos dados.

Conforme descrito no post sobre a formatação de tabelas e quadros, as tabelas remetem a dados numéricos ou estatísticos (enquanto os quadros são para dados textuais), ou seja, uma tabela pode vir a se transformar em um gráfico. Dependendo da configuração da tabela e da complexidade dos dados, pode ser melhor transformá-la em um gráfico, para exemplificar de maneira mais didática, principalmente quando se tratam de comparações.
Fonte: Dicionário Priberam

  • Só mostrar ao leitor os números encontrados não é análise, é descrição. Analisar é fazer inferências, ou seja, a partir do dado, problematizar as causas e consequências do fenômeno, por que a distribuição se deu dessa forma, que outros fatores podem estar envolvidos etc. Utilize também referências de outros autores para fundamentar essas inferências.
  • Uma tabela ou gráfico não se explica sozinho. O mais importante é a relatoria do autor e sua interpretação sobre esses dados. Dependendo do que for, nem precisa colocar a tabela no texto, só comentar sobre os dados (apontando de onde vieram). Tabelas e gráficos existem apenas para ilustrar o que você já mencionou no texto.
    Vejamos o exemplo abaixo (Gráfico 01); se apresentássemos os dados desse gráfico em uma tabela, seria bem menos clara a compreensão da proporção de celulares pré-pagos com relação aos pós-pagos. Observe como o gráfico demonstra bem essa diferença.
Gráfico 01

  • Lembre-se que tanto uma tabela quanto um gráfico não podem estar "flutuando" no texto. Além de fazer sentido junto ao contexto, este elemento precisa ser referido e comentado. Tratando-se do gráfico acima, além de mencionar "Conforme dados do Gráfico 01..." ou "No que se refere à distribuição entre planos de telefonia móvel no Brasil (Gráfico 01)...", é interessante também discutir esses dados, e não somente apresentá-los. Discorrer brevemente sobre as possíveis causas e consequências de tal fenômeno (se possível, com alguma referência que corrobore com a sua afirmação/proposição) e levantar questões sobre esses dados enriquece o trabalho, demonstra um bom conhecimento sobre o tema e que você está atento para procurar não cometer generalizações.
  • Ao ler sobre os dados de uma tabela, é desagradável para o leitor ver novamente no texto tudo o que já está escrito na tabela. Portanto, tente interpretar as proporções de uma forma mais interessante. Você pode dizer “um quarto” em vez de 25%, “1 a cada 5” no lugar de 20% ou “quase metade” para 47%.
  • Se você for construir uma tabela, não basta apenas demonstrar os valores absolutos, mas também a porcentagem, que dá uma melhor ideia da distribuição geral.
Exemplo de tabela com frequência e porcentagem.

  • Às vezes podem faltar informações para fazer interpretações sobre os dados. Outras variáveis podem ajudar. Cabe ao pesquisador ter iniciativa para buscar maiores informações dentro e fora do banco de dados que está estudando.
  • Trabalhando com bancos de dados grandes, é possível que você encontre muitas variáveis interessantes, porém é recomendável manter o foco apenas no que esteja diretamente relacionado com os objetivos da sua pesquisa.
Veja também: Formatação de tabelas e quadros

03 junho 2013

Citações literais - uma versão sobre o uso

Há muito tempo atrás, li um artigo que fazia uma caricatura dos tipos de revisões bibliográficas em teses e dissertações. Mexendo nos meus textos guardados, o encontrei de novo. Quando fiz o TCC e tive que fazer uma dessas, deu pra compreender bem melhor. À propósito, reler um texto é uma coisa ótima de se fazer a qualquer momento, até pra ver como as perspectivas se renovam.

O artigo é de autoria de Alda Judith Alves-Mazzotti, na época professora da Universidade Estácio de Sá (RJ). Destaca, em cada exemplo, uma categoria de um conjunto de coisas que não se devem fazer em uma revisão de literatura. É claro que, para fazer essa crítica, a autora também falou sobre a exigência do referencial teórico, para quê ele serve e suas razões de existir, além de alguns apontamentos sobre a pesquisa científica. O artigo é relativamente curto e bem escrito, vale a pena ler. Porém, por ora, quero destacar um ponto específico que no texto aparece como nota de rodapé e me pareceu uma explicação muito didática. É sobre o uso das citações literais (especialmente as longas/recuadas) na revisão de literatura:

Citações literais devem ser usadas com cautela, uma vez que, por serem extraídas de outro contexto conceitual, raramente se adequam perfeitamente ao fluxo de exposição, além de, através dessa extração, correr-se o risco de desvirtuar o pensamento do autor. É imperioso respeitar a "ecologia conceitual", indicando a que tipo de situação, preocupações e condições a afirmação se refere. Consideramos que citações literais se justificam por três situações básicas:
(a) quando o autor citado foi tão feliz e acurado em sua formulação da questão que qualquer tentativa de parafraseá-la seria empobrecedora; 
(b) quando sua posição em relação ao tema é, além de relevante, tão idiossincrática, tão original, que o pesquisador julga conveniente expressá-la nas palavras do próprio autor, para afastar a dúvida de que a paráfrase pudesse ter traído o pensamento do autor e
(c) quando, no que se refere a autores cujas ideias tiveram considerável impacto em uma dada área, se quer demonstrar que a ambiguidade de suas formulações ou ainda a inconsistência entre definições dos mesmos conceitos, quando se considera a totalidade de sua obra, foram responsáveis pela diversidade de interpretações dadas a essas afirmações (o conceito de narcisismo em Freud e o conceito de paradigma em Kuhn são exemplos desse tipo de ambiguidade) (ALVES-MAZZOTTI, 2006, p. 38)

Por isso, pode-se dizer que uma citação literal deve ser utilizada somente quando há uma justificativa plausível para você não estar escrevendo com as suas palavras. É bom ter em mente que as citações literais não devem ser usadas indiscriminadamente ou porque "tem que ter". Elas têm uma função e podem mais atrapalhar do que ajudar, se em demasia. O melhor sempre é interpretar a ideia do autor e reescrevê-la com as suas palavras, tornando o seu texto original e relevante. 

Referência
ALVES-MAZZOTTI, Alda Judith. A revisão da bibliografia” em teses e dissertações: meus tipos inesquecíveis – o retorno, In: BIANCHETTI, Lucídio; MACHADO, Ana Maria Netto (Orgs.) A bússola do escrever – desafios e estratégias na orientação de teses e dissertações. 2 ed. Florianópolis/São Paulo: Editora da UFSC/Cortez Editora, 2006. p. 25-41.

24 setembro 2012

Citações: para quê servem? Como utilizar e formatar referências no corpo do trabalho.


Dando continuidade à sequência de posts com o conteúdo do guia de normatização que construí junto com outro professor (clique aqui para ver o primeiro post da série), o texto de hoje se refere às formas de se fazer citações em trabalhos acadêmicos. ;)

1  CITAÇÕES

As citações serão bastante utilizadas na parte textual do trabalho (exceto nas conclusões). Elas servem para situar o leitor no contexto teórico do trabalho,  parafraseando ou transcrevendo literalmente o texto da referência. As citações servem também para esclarecimento, sustentação ou ilustração do assunto. É recomendado que a citação siga exatamente as características do original. As citações podem ser diretas ou indiretas.
Logo que você compreender a importância da utilização do referencial teórico no seu estudo, naturalmente buscará formas de inserir no seu trabalho as ideias dos autores nos quais você se baseia. Para demonstrar que tal autor está presente no seu estudo, provavelmente você precisará descrever suas teorias e apresentá-lo. É aí que as citações aparecem como uma ferramenta importante para a clareza e a credibilidade de trabalho científico.


1.1  Citações diretas

É a transcrição literal do texto ou de parte dele. Pode ser utilizada de duas formas: citação direta com até três linhas ou citação direta longa (com mais de três linhas). Há diversas formas de se indicar a autoria e de qual publicação de trata uma referência, contudo, utilizaremos o sistema autor-data (também recomendado pela ABNT).

06 agosto 2012

Como referenciar figuras e imagens

Quando utilizamos figuras, ilustrações, fotos ou qualquer tipo de imagem em trabalhos acadêmicos, devemos ter o cuidado de fornecer suas informações ao leitor. É indispensável numerar e descrever o item, além de mencionar a sua fonte. De acordo com a NBR 14724 (2011, p. 11),
Qualquer que seja o tipo de ilustração, sua identificação aparece na parte superior, precedida da palavra designativa (desenho, esquema, fluxograma, fotografia, gráfico, mapa, organograma, planta, quadro, retrato, figura, imagem, entre outros), seguida de seu número de ordem de ocorrência no texto, em algarismos arábicos, travessão e do respectivo título. Após a ilustração, na parte inferior, indicar a fonte consultada (elemento obrigatório, mesmo que seja produção do próprio autor), legenda, notas e outras informações necessárias à sua compreensão (se houver). A ilustração deve ser citada no texto e inserida o mais próximo possível do trecho a que se refere.
Isso significa que devemos definir a designação do item como figura, ilustração, gráfico etc, numerar a sequência e colocar um título. A fonte deve ser sempre mencionada, inclusive quando a elaboração for do próprio autor. Veja um exemplo:

Figura 1 - "The next projected sound of '67" trazia o primeiro single lançado pelo Pink Floyd.
Fonte: Página do Pink Floyd no Facebook¹. 
Em nota de rodapé: 1 - Disponível em: <https://www.facebook.com/pinkfloyd> Acesso em ago. 2012.

A ABNT não refere se os títulos e as fontes devem ser em formatação diferente do texto, contudo, pensando na melhor visualização do leitor, indico que o título e a legenda fiquem em fonte tamanho 10 (menor que o corpo do texto), alinhados com a figura.

A realidade, porém, não é tão simples. Quase sempre acabamos esbarrando em dúvidas de detalhes na hora de referenciar as figuras. Por isso, fiz uma compilação de possibilidades e sugestões de solução (algumas com exemplos ilustrados):

a) Se a figura for de elaboração do autor do texto (você): 

Figura 3.1 - Fio condutor de eletricidade.
[FIGURA]
Fonte: Elaborada pelo autor.

Obs.: se o autor for do sexo feminino, é possível colocar "elaborado pela autora". É aconselhável, inclusive.

b) Se a figura tiver sido elaborada por outra pessoa e copiada de um livro, periódico ou artigo: 

Figura 7 - Vizinhos presentes no evento.
[FIGURA]
Fonte:  CASTRO, 2005, p. 7.

Obs.: A referência completa precisa ir em nota de rodapé ou na lista de referências no final do texto, certifique-se de que seja autorizada a reprodução da imagem.

c) Se a fonte for um site ou repositório digital: 

Figura 4 - O IFCH na década de 1960.
Fonte: Lume - Repositório Digital da UFRGS.


Em nota de rodapé: Disponível em: http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/9156/Rg1264.jpg?sequence=1;. Acesso em ago. 2012.

d) Se for um print screen de um aplicativo (mais comuns em publicações da área da informática): 

Figura 10 - Exemplo de planilha do LibreOffice Calc.
Fonte: print screen da aplicação no sistema operacional Windows 10.

e) Se for um print screen de uma tela de aplicativo com dados elaborados pelo autor (quando o foco são os dados e não o aplicativo em si): 

Figura 3 - Planilha cálculo trabalhista.
[FIGURA]
Fonte: elaborado pelo(a) autor(a).


Se esses exemplos não abarcaram as suas dúvidas, deixe um comentário e quem sabe encontramos as respostas possíveis.

Obs.: confira se a sua questão já não foi respondida em algum comentário anterior. ;)



Veja também:

11 abril 2012

Pesquisa Documental: utilização e abordagens metodológicas

A pesquisa documental é um recurso metodológico ainda visto como um complemento à produção de dados na prática de pesquisa social. É comum observarmos a utilização dos documentos nas pesquisas como uma ferramenta para reforçar o entendimento, situando relatos em um contexto histórico ou como um método que possibilita comparações entre as interpretações do observador com documentos relacionados.
Entretanto, Tim May (2004) apresenta outras perspectivas que elevam a pesquisa documental como um método que possui seus próprios méritos e potencialidades ainda pouco reconhecidas.

Por que não há tantos textos dedicados à pesquisa documental como outros métodos mais conhecidos?

May aponta três possíveis respostas para esse fenômeno. Uma é a influência positivista que rejeita a utilização de dados como base para uma pesquisa, considerando-os um “empirismo grosseiro”. Também há a ideia de que a pesquisa documental remeteria à pesquisa histórica, como se estivesse distante das Ciências Sociais (e de outras áreas do conhecimento). Além disso, a pesquisa documental dificilmente é considerada como um método, pois dizer que se utilizará documentos é não dizer nada sobre como eles serão utilizados. Desenvolveremos esse “como utilizar” mais adiante.

Fontes da pesquisa documental: como definir os documentos

John Scott (1990, apud May, 2004) define os documentos, em um sentido geral, como textos escritos, tanto em papel quanto em arquivos de computador, os quais têm o conteúdo como propósito primário. Podem ser considerados para a pesquisa documental: relatórios, estatísticas oficiais, registros governamentais, discursos, conteúdo de mídia de massa, romances, peças, desenhos, mapas, documentos pessoais, diários, fotografias e uma gama de materiais.

13 fevereiro 2012

A construção dos procedimentos metodológicos em projetos de pesquisa


Os procedimentos metodológicos constituem a fase final de apresentação de um projeto de pesquisa. Após ter esclarecido as facetas do problema, sua fundamentação teórica (em que argumentos irá se sustentar/visões que irá refutar) e revisão bibliográfica (o que outros autores já escreveram sobre o assunto), é hora de demonstrar como o problema será abordado empiricamente. Para tanto, é preciso apresentar como isso será feito na seção dos procedimentos metodológicos.

Para construir a apresentação dos seus procedimentos, pense sobre os seguintes elementos e tente responder às perguntas seguintes:

1. Métodos de investigação: como será estruturado o trabalho? Qual o foco empírico? Ex.: estudo de caso, survey, pesquisação etc.

2. Fontes e acesso aos dados: quem se irá entrevistar/questionar? De que forma? Com qual instrumento? Se os dados são secundários, de onde vêm? Se as fontes forem pessoas, como serão contatadas e abordadas? 
3. Características da amostra: como será feito o delineamento da amostra? Ex.: aleatória, estratificada, por cotas etc. Qual é o público-alvo? [Veja: Exemplos de modelos de amostragem]
4. Coleta/produção de dados: a partir de que técnica se obterão os dados? Ex.: observação, entrevista, questionário, história de vida, pesquisa documental etc. Como será sistematizado o trabalho de campo? No trabalho de campo, as falas serão anotadas/gravadas, filmadas? Como os dados serão organizados? Será utilizado algum software de apoio?
5. Análise dos dados: como os dados serão analisados? Que técnica/perspectiva será utilizada para análise? Por quê? Será utilizado algum software específico para este trabalho? Ex.: NVivo, Atlas.ti, MaxQDA, MSExcel, SPSS etc).
6. Instrumentos de coleta de dados: o que será utilizado para produzir os dados? A entrevista ou o questionário será mais ou menos estruturado? Como o instrumento será distribuído e aplicado?

Descrever claramente como a pesquisa empírica será realizada o auxilia a obter um melhor "controle" sobre o trabalho e demonstra conhecimento sobre o processo de pesquisa, além de reconhecer a responsabilidade do pesquisador para com os dados e sua manipulação.

Fonte: anotações produzidas em aulas da disciplina Projeto de TCC em Sociologia, ministrada pela profª. Cinara Rosenfield em 2011/2 para o curso de Ciências Sociais da UFRGS.

Veja também: 
A construção da metodologia na pesquisa social
Elaboração do projeto de pesquisa: a definição do objeto

21 junho 2011

Como "conectar" argumentos de autores no texto


Complementando o post Citações: para quê servem? Como utilizar e formatar referências no corpo do trabalho, seguem algumas sugestões sobre a utilização de relações entre o problema de pesquisa e as ideias que constituem o referencial teórico do trabalho.

No momento de utilizar uma citação, seja direta ou indireta, não basta apenas "jogar" o trecho original ao longo do texto, é imprescindível que se faça a relação entre o que está sendo exposto por você, pelo autor em questão ou ainda entre outros autores, demonstrando se suas ideias se complementam, se sucedem ou se confrontam. 

Para realizar essa conexão, utilizamos expressões como:
Conforme...
Segundo...
De acordo com...
Como descrito por...
Como caracteriza...
Na opinião de...
Para...
Afirma...
Na visão de...
Do ponto de vista de...
...exemplifica...
...aponta que...
...coloca que...
...explicita seus pressupostos...
...quando afirma...
...alega que...
...conceitua...
...caracteriza...
...expõe...
...compreende que...
Enquanto estiver realizando leituras preliminares para o trabalho, procure manter o hábito de anotar a referência completa, especialmente as páginas onde estão localizadas as citações que serão posteriormente utilizadas.


Se você quiser saber mais, ouça o podcast da Prof. Mirian Carla sobre argumentação e operadores argumentativos: "Depois de ler em meu face"... argumentação e operadores argumentativos


Veja também:

31 maio 2011

Entrevistas: detalhes importantes para as questões


A entrevista é, basicamente, um método de coleta/produção de dados sonoros/textuais largamente utilizado em várias áreas do conhecimento, especialmente nas Ciências Humanas. As entrevistas são classificadas segundo o grau de estruturação das questões, ou seja, quanto ao grau de abertura de cada pergunta.
O tipo de entrevista a ser escolhida depende do tipo de informação que se busca construir, além do tempo para análise e possibilidade de comparação entre as respostas. Por exemplo, as entrevistas estruturadas buscam um elevado grau de padronização das respostas, sendo mais indicada para pesquisas que necessitem de um grande número de sujeitos. Entretanto, entrevistas menos estruturadas aumentam as possibilidades de captação de aspectos subjetivos que, dependendo do problema de pesquisa, podem ser essenciais.



Alguns pontos importantes para observar

 - Se você pretende obter maior profundidade nas respostas, recomenda-se iniciar a entrevista com questões mais abertas, pois questões fechadas no início da entrevista tendem a influenciar o respondente, incitando-o a dar respostas mais curtas e objetivas. Entretanto, essa dica só vale para o caso das entrevistas semi-estruturadas, as quais podem variar quanto à estruturação das questões.

- Tome cuidado para que as questões estejam definidas com foco no problema de pesquisa. Tenha em mente (melhor ainda: em um roteiro) o que você efetivamente quer saber. Pode parecer bobagem, mas ao escapar do foco, você pode acabar gastando um tempo precioso para outras questões e esgotar o entrevistado antes de chegar ao seu objetivo.

- Ao construir as questões, faça referências para que a pessoa possa organizar o pensamento e estruturar a resposta. Por exemplo, dizer "fale sobre a sua comunidade" gera respostas bem diferentes de "fale um pouco sobre a sua vida na comunidade, o que há de bom e de ruim, como é a infraestrutura, as relações entre os vizinhos, etc."

Lembre-se que você como entrevistador(a) e pesquisador(a) participa da construção das informações junto com o respondente. O modo como você produzirá as questões e abordará os sujeitos influenciará diversos aspectos das respostas. ;)


REFERÊNCIAS

PINTO, Céli Regina J.; GUAZZELLI, Cesar A. B. Ciências Humanas - pesquisa e método. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2008.

TRIVIÑOS, Augusto N. S. Bases Teórico-Metodológicas da Pesquisa Qualitativa em Ciências Sociais: ideias gerais para a elaboração de um projeto de pesquisa. Cadernos de Pesquisa Ritter dos Reis, v. IV. 2ª ed. Porto Alegre: Faculdades Integradas Ritter dos Reis, 2001.