Contornos - Educação e Pesquisa: Entrevistas: detalhes importantes para as questões (parte I)

terça-feira, 31 de maio de 2011

Entrevistas: detalhes importantes para as questões (parte I)


A entrevista é, basicamente, um método de coleta/produção de dados sonoros/textuais largamente utilizado em várias áreas do conhecimento, especialmente nas Ciências Humanas. As entrevistas são classificadas segundo o grau de estruturação das questões, ou seja, quanto ao grau de abertura de cada pergunta.
O tipo de entrevista a ser escolhida depende do tipo de informação que se busca construir, além do tempo para análise e possibilidade de comparação entre as respostas. Por exemplo, as entrevistas estruturadas buscam um elevado grau de padronização das respostas, sendo mais indicada para pesquisas que necessitem de um grande número de sujeitos. Entretanto, entrevistas menos estruturadas aumentam as possibilidades de captação de aspectos subjetivos que, dependendo do problema de pesquisa, podem ser essenciais.



Alguns pontos importantes para observar

 - Se você pretende obter maior profundidade nas respostas, recomenda-se iniciar a entrevista com questões mais abertas, pois questões fechadas no início da entrevista tendem a influenciar o respondente, incitando-o a dar respostas mais curtas e objetivas. Entretanto, essa dica só vale para o caso das entrevistas semi-estruturadas, as quais podem variar quanto à estruturação das questões.

- Tome cuidado para que as questões estejam definidas com foco no problema de pesquisa. Tenha em mente (melhor ainda: em um roteiro) o que você efetivamente quer saber. Pode parecer bobagem, mas ao escapar do foco, você pode acabar gastando um tempo precioso para outras questões e esgotar o entrevistado antes de chegar ao seu objetivo.

- Ao construir as questões, faça referências para que a pessoa possa organizar o pensamento e estruturar a resposta. Por exemplo, dizer "fale sobre a sua comunidade" gera respostas bem diferentes de "fale um pouco sobre a sua vida na comunidade, o que há de bom e de ruim, como é a infraestrutura, as relações entre os vizinhos, etc."

Lembre-se que você como entrevistador(a) e pesquisador(a) participa da construção das informações junto com o respondente. O modo como você produzirá as questões e abordará os sujeitos influenciará diversos aspectos das respostas. ;)


REFERÊNCIAS

PINTO, Céli Regina J.; GUAZZELLI, Cesar A. B. Ciências Humanas - pesquisa e método. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2008.

TRIVIÑOS, Augusto N. S. Bases Teórico-Metodológicas da Pesquisa Qualitativa em Ciências Sociais: ideias gerais para a elaboração de um projeto de pesquisa. Cadernos de Pesquisa Ritter dos Reis, v. IV. 2ª ed. Porto Alegre: Faculdades Integradas Ritter dos Reis, 2001.

2 comentários:

  1. Boa noite,
    primeiramente, parabéns pelo blog, é ótimo!

    tenho algumas dúvidas sobre o uso de entrevistas em monografias de graduação.
    Não quero usar o nome dos meus entrevistados, então estou chamando por "Entrevistado 1", "Entrevistado 2", etc.
    eu preciso colocar as entrevistas nas referências do meu trabalho? como vou fazer isso sem ter que dizer o nome dos entrevistados?

    outra dúvida que eu tenho é se vou precisar colocar a transcrição integral das entrevistas no apêndice, ou se posso simplesmente citar as partes mais importantes ao longo do trabalho.

    Obrigada!

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    1. Olá, Dani
      As entrevistas não precisam aparecer nas referências, uma vez que quando você tratar sobre a metodologia do trabalho, dirá que fez entrevistas e que as mencionará ao longo do texto. Também não precisa colocar tudo em apêndice, só se você considerar importante ou fizer questão.
      Abraços!

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