Contornos - Educação e Pesquisa: 2020

10 dezembro 2020

As tecnologias digitais e o ensino em tempos de pandemia

Por Prof. Djeison Machado

 A pandemia causada pelo novo coronavírus causou um grande impacto na educação em 2020. Apesar de previsível, a chegada do vírus ao Brasil ocorreu de forma rápida demais para as redes de ensino e escolas da educação básica se prepararem. Diversos gestores optaram por manter as aulas através do que ficou conhecido como ERE (ensino remoto emergencial), apoiado na maioria dos casos pelo uso das TDICs (tecnologias digitais da informação e comunicação), explorando principalmente as plataformas digitais de ensino da Google e da Microsoft.

    Professores e professoras ganharam novos desafios: reconstruir o planejamento considerando as novas condições impostas pelo ERE, aprender a utilizar as plataformas digitais adotadas pelas redes e escolas, produzir materiais didáticos digitais (e em alguns estados as versões impressas destes), pensar em estratégias para manter os vínculos com os estudantes, criar uma rotina de trabalho em home office e manter em condições saudáveis suas próprias saúdes físicas e mentais. Se isso tudo já não fosse o bastante, o medo do uso das TDICs foi arrancado do armário onde vários professores o mantinham trancado e escondido. Tornou-se comum ouvirmos em diversos espaços que “a pandemia acelerou uma mudança que estava prevista para ocorrer ao longo dos próximos anos na educação, ela [a pandemia] trouxe as TDICs para os planejamentos de todos os docentes”.  É necessário que façamos algumas reflexões acerca disso tudo, para que possamos minimamente compreender o que aconteceu neste ano e quais caminhos devemos perseguir no período pós-pandemia.

Fonte: https://topagitos.com.br/ensino-na-pandemia-com-aulas-remotas-aumenta-o-estresse-e-ansiedade-dos-profissionais-da-educacao/

    Discussões, pesquisas e práticas com as TDICs na educação básica não são novidades. Há diversas redes, escolas, professores e professoras que há muito tempo já exploram os recursos digitais em suas aulas. A novidade deste ano foi o uso das tecnologias digitais em larga escala por quase todos os docentes e como política pública para promover alguma forma de ensino durante a pandemia. Vimos nos noticiários e nos relatos de nossos amigos e familiares que o ERE expôs a desigualdade social entre as escolas, mas pouco ouvimos sobre as desigualdades das habilidades dos professores e das professoras para incorporarem as TDICs em seus planejamentos. Parte do magistério nunca foi exposta a discussões teóricas e metodológicas sobre o uso das TDICs, nem tampouco puderam experimentá-las em suas aulas devido à precariedade (ou inexistência) destes recursos nas escolas. Desta forma, muitos professores e professoras tornaram-se suscetíveis a discursos sobre o uso das TDICs que são de senso comum, de experiências de seus colegas e/ou de instituições que possuem interesses escusos aos da promoção de uma educação crítica e de qualidade.

    Não raramente, vemos as TDICs serem apresentadas como uma forma para chamar a atenção dos estudantes e motivá-los a aprender. Assume-se que os estudantes por serem nativos digitais irão se interessar mais pelas aulas se elas foram digitalizadas e explorarem recursos tecnológicos como óculos de realidade virtual, jogos, vídeos e redes sociais. No entanto, quando pensamos em mudar o formato de uma aula para agradar os estudantes, corremos o risco de tornar nossas aulas um produto desenhado para satisfazer supostos desejos que acreditamos existirem em nossas salas de aulas. Não podemos correr o risco de repetirmos a lógica do consumismo, em que o cliente (estudante) só consome aquilo (aula) quando está no formato (digital) que lhe satisfaz. A motivação, como a semântica da palavra explica, é algo interno de cada um. Em suas memórias você deve lembrar de vários professores que prenderam a sua atenção apenas com o uso da voz e tantos outros que montaram “um circo” diante de você e não lhe causaram nenhum interesse. Será mesmo que o desinteresse dos nossos estudantes se dá pelo formato das nossas aulas ou talvez se dê por questões institucionais, sociais e pessoais? Seriam as TDICs capazes de resolverem os problemas de desmotivação e desinteresse dos estudantes?

    Também é comum encontrarmos associações entre as TDICs e a velocidade de conclusão das tarefas. Diz-se que uma aula com a utilização das TDICs permite que os estudantes desenvolvam as atividades de forma mais rápida por não “perderem tempo” como ocorreria ao utilizarem outros recursos, como o lápis e o papel. Aligeirar as tarefas, na ânsia de concluí-las mais rapidamente, para talvez concluir mais tarefas no mesmo espaço de tempo, não necessariamente permite aos estudantes aprenderem mais e nem melhor. A dinâmica de aumento da produção através da otimização do tempo é algo que faz sentido no mundo fabril e empresarial, onde tempo é dinheiro. Na educação, sabemos que a aprendizagem não se dá na conclusão das tarefas, mas sim no desenvolvimento destas. Um ambiente de aprendizagem que promove tarefas aos estudantes pensando no cronômetro não parece ser adequado para favorecer algumas condições necessárias para a aprendizagem como  manter o cérebro calmo e atento. Acelerar o percurso de aprendizagem pode acarretar em perdas pois, afinal, aprender leva tempo.

    Há ainda aqueles que defendem o uso das TDICs para que os estudantes dominem as novas tecnologias. O mundo moderno já nos exige a utilização destes recursos em vários momentos e exigirá cada vez mais, por isso caberia à escola preparar minimamente os estudantes para tal realidade através do uso dos recursos disponíveis. No entanto, dado o avanço tecnológico acelerado em que vivemos, é um pouco ingênuo pensarmos que os softwares e equipamentos que podemos utilizar hoje serão os mesmos daqui 10 ou 20 anos, basta pensar em como era a nossa relação com a Internet em 2010 e como ela é hoje, mudou bastante não é mesmo? Talvez fizesse mais sentido ensinarmos alguns fundamentos teóricos e práticos sobre as tecnologias (como programação, por exemplo), talvez assim pudéssemos de fato preparar os jovens para o dinâmico e imprevisível futuro tecnológico que os aguarda, mas não é isso que vemos na maioria das aulas com as tecnologias digitais.

        As TDICs quando propagandeadas como “bala de prata” para os problemas da educação, geralmente costumam apresentar novos problemas ao invés de soluções. Em 2020, por exemplo, vimos a falta de conexão com a Internet, a falta de equipamentos adequados e a pouca alfabetização digital dos estudantes como principais desafios, por vezes limitadores. Também vimos que muitos professores e professoras, por melhor boa intenção que tiveram e esforço que dispuseram, fizeram um uso pobre das TDICs, pois não basta apenas fazer uma vídeo aula transmitida pelo YouTube, isso continua sendo uma aula expositiva; não é suficiente enviar formulários, isso continua sendo um teste de assinalar; solicitar a elaboração de um texto utilizando um software, continua sendo a produção de um texto; pedir um vídeo aos estudantes apresentando um tema, continua sendo uma apresentação de trabalho que antes era feita na sala de aula mas que agora se deu na frente da câmera.

    O que vimos durante 2020 com o ERE foi, em muitos casos, a digitalização das mesmas práticas que já eram realizadas nas aulas presenciais. É claro que não há problemas em transpor as práticas antes realizadas no ambiente com lápis e papel para o ambiente digital. O ambiente digital é bonito, é agradável, usar softwares e a Internet permite que a alfabetização digital aconteça, além do fato de que o meio ambiente agradece a redução do uso de papel. Também não podemos negar a importância das aulas expositivas que foram transmitidas pela Internet neste ano, elas foram fundamentais para que estudantes e seus professores mantivessem contato.  Muito menos devemos deixar de dar o reconhecido crédito a todos os professores e todas as professoras que fizeram limonadas com os limões que lhes foram dados. Mas é preciso ressaltar que a falta de discussões e reflexões teóricas e metodológicas sobre o uso das TDICs na educação nos fez perder uma janela de oportunidades única que a pandemia nos trouxe. Foi um momento em que os professores e as professoras precisaram utilizar os recursos digitais, mas ninguém os mostrou como o ensino e a aprendizagem poderiam ser diferentes com estes recursos, então, eles fizeram o que sabiam fazer na versões digitais e disponibilizaram aos estudantes através das plataformas.

Não podemos nos iludir achando que 2020 foi um ano de grandes mudanças na educação e que 2021 será diferente de 2019 porque agora os professores sabem compartilhar uma planilha, fazer um vídeo no YouTube e organizar o Google Sala de Aula. A pandemia e o ERE deixaram evidentes que as metodologias de ensino classificadas como tradicionais estão presentes até hoje, não por acaso, nem comodismo, porque funcionam bem para o modelo de educação de massas e que a incorporação das TDICs e ambientes virtuais de aprendizagens por si só não são capazes de promover mudanças significativas para esta estrutura educacional que temos. Espero que as experiências vividas por professores e estudantes neste ano nos auxiliem a pensar como as tecnologias digitais podem ser utilizadas para promover aprendizagens não possíveis com os atuais recursos comumente utilizados. Convido-lhe a refletir sobre qual foi o uso que você fez das TDICs durante o ERE em 2020, sobre o que você aprendeu e poderia compartilhar com seus pares e sobre o que você percebe que ainda precisa aprender. Ainda temos um longo caminho a percorrer, muitas leituras, diversas reflexões e principalmente trocas de experiências sobre o uso das TDICs para que estas nos sirvam na construção de um modelo de educação mais crítico e de qualidade. Por fim, deixo como sugestão uma antiga charge, velha conhecida de muitos cursos de licenciatura e de formação continuada, que nos convida a refletir sobre o uso das novas tecnologias nas nossas aulas.


(48) Metodologia ou tecnologia - YouTube


Djeison Machado
 
Professor efetivo na Rede Estadual de Educação de Santa Catarina. Licenciado em Matemática (UFSC), possui mestrado em Educação Científica e Tecnológica Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e especializações em Psicopedagogia (Faculdade Municipal de Palhoça), Ensino de Ciências (IFSC) e Metodologia do Ensino de Matemática (Uniasselvi). É professor de matemática em escolas públicas e privadas desde 2011.     Contato: djeison@outlook.com


COMO REFERENCIAR ESTA POSTAGEM:

MACHADO, Djeison. As tecnologias digitais e o ensino em tempos de pandemia. Contornos - Educação e Pesquisa, Florianópolis, 2020. Disponível em: <http://www.contornospesquisa.org/2020/12/as-tecnologias-digitais-e-o-ensino-em.html>. Acesso em: dia/mês/ano.   

26 outubro 2020

Podcast na educação: o que é, dicas e como começar

 
Os podcasts já vinham se popularizando nos últimos anos, e com o contexto de pandemia, distanciamento social e aulas remotas, sua utilização tornou-se uma alternativa interessante para a educação. Esse recurso tem sido bastante utilizado por professores, tanto como forma de se aproximar de seus estudantes quanto para sua própria formação.
 
O que é um podcast? Trata-se de um meio de publicação de arquivos de mídia (áudio) em agregadores diversos (Apple, Google, Spotify, Deezer, Pocket, entre outros ou até mesmo em um site próprio). É muito comparado ao rádio, por ser uma mídia sonora, porém, apresenta algumas diferenças. O podcast é um conteúdo “on demand”, ou seja, tocado sob demanda do usuário. Não há uma programação diária, o arquivo é postado e cada um ouve quando e quantas vezes quiser. Também é um conteúdo fácil de compartilhar por meio de links. Existem programas curtos, de até 10 minutos, outros com cerca de uma hora e até com várias horas de duração, que o usuário pode ouvir em partes.
 
Atualmente, com a maior facilidade de produzir e distribuir, passou-se a observar como esse poderia ser mais um recurso didático para o contexto de ensino remoto emergencial, ensino híbrido ou mesmo em aulas totalmente presenciais.
 
O formato possui diversos potenciais, como suscitar o interesse do educandos com uma forma diferente de entrar em contato com o conteúdo, diversificação dos espaços de aprendizagem, contribuição para os diferentes ritmos de aprendizagem (já que se pode ouvir de forma acelerada, pausada ou re-ouvir várias), acessibilidade para estudantes com deficiência visual ou dificuldades de leitura e, quando os estudantes também produzem os programas, há uma intensa mobilização sócio-discursiva, pois é necessária uma organização do discurso por parte do estudante.
 
Quanto aos desafios, um dos principais se refere à possibilidade de conexão para download ou ouvir os áudios em streaming. Para muitos estudantes, esse ainda é um entrave significativo. Outro desafio é a sustentabilidade do projeto por parte dos professores. Um podcast, assim como qualquer projeto, precisa de planejamento, objetivo e roteiro claros, o que demanda muita preparação e disposição. Uma dica para superar esse desafio é formar parcerias, trazer convidados/as, ter um grupo de apoio e dividir tarefas. Outra dica é que os podcasts se organizam por temporadas, você pode criar uma temporada com um número limitado de episódios os quais você se compromete em produzir (por exemplo uma temporada de 4 episódios) e depois vê a viabilidade de realizar outras temporadas.

Algumas dicas de podcasts para estudantes e professores*

  • BBC Learning English
  • Café da Manhã
  • Fronteiras da Ciência
  • Fronteiras Invisíveis do Futebol
  • História No Cast
  • História Preta
  • Mira na Língua Portuguesa
  • Nerdcast
  • Ponto de Virada
  • Prato cheio
  • Quadro Negro
  • Teaching in Critical Times
  • Trip com Ciência
  • Xadrez Verbal

*Dicas de estudantes e colegas por meio de enquete em maio de 2020 - envie suas sugestões nos comentários. :) 

Destaco também duas iniciativas (entre tantas maravilhosas) de professores da educação básica:


Como começar a produzir um podcast? Para as minhas aulas no Ensino Médio em 2020, utilizei a plataforma Anchor (https://anchor.fm) para produzir aulas em áudio para os estudantes. Trata-se de uma plataforma gratuita e bastante intuitiva, é possível produzir programas por meio do celular. 

Para saber mais como funciona essa ferramenta, recomendo o curso (que foi a principal referência para este texto) "Podcast na educação: da ideia à publicação" realizado pelo EDUMÍDIA - UFSC para a Semana de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação da UFSC (SEPEX).

O curso está disponível no YouTube:

 
 
 

COMO REFERENCIAR ESTA POSTAGEM:

PEREIRA, Vanessa Souza. Podcast na educação: o que é, dicas e como começar. Contornos - Educação e Pesquisa, Florianópolis, 2020. Disponível em: <http://www.contornospesquisa.org/2020/10/podcast-na-educacao.html>. Acesso em: dia/mês/ano.   

14 outubro 2020

A plataformização da educação na pandemia


Ao completar 10 anos, o site Contornos entra em uma nova fase de conteúdos com a participação de professores/as e pesquisadores/as. A primeira convidada é a cientista social Andressa Nunes Soilo, que pesquisa Antropologia Digital e Antropologia da Propriedade Intelectual.

A plataformização da educação tem sido cada vez mais acolhida pelo mercado, instituições de ensino e alunos com acesso à internet. Comprometendo-se, especialmente, a flexibilizar o formato de aulas presenciais envoltas em horários determinados e exposições instantâneas, o modelo da educação à distância no ambiente online proporciona certo ajuste das demandas da vida à vida.
 
No cenário da COVID-19, o EAD assume novos significados e (im)possibilidades junto à educação nacional e seus atores. O formato online de ensino passa a ser adotado como um recurso de prosseguimento do “normal” por várias instituições pedagógicas em todo o país - o cumprimento do calendário escolar, o ritmo do ensino-aprendizado, a preparação para o ENEM foram algumas das motivações que alicerçaram o EAD como medida de segurança.

Deixando de servir apenas como possibilidade, e assumindo uma roupagem de compromisso emergencial à educação para alguns, o EAD subitamente causou desconforto. De engajamento a nível nacional, o formato passa a ser percebido como um ato descompromissado com as realidades do Brasil. O ensino à distância anuncia uma metáfora sobre a (constante) distância que o ensino está de muitos brasileiros.

Não por acaso. Aproximadamente 27% dos domicílios no Brasil não possuem acesso à internet (IBGE, 2018); cerca de 4,8 milhões de crianças e adolescentes não têm acesso à internet em casa (TIC EDUCAÇÃO, 2019); e quase 40% dos estudantes da rede pública de ensino não possui computadores ou tablets (idem). Também, somente 14% das escolas públicas contam com uma plataforma digital de ensino (idem).

Em um contexto social que apresenta tais dados, a oportunidade de acessar plataformas online de ensino passa a simbolizar a existência do sujeito social no mapa da educação. No mapa do cuidado, e da importância. Um sujeito incluído no e pelo Estado.

O EAD passa, assim, a ser um demarcador explícito das desigualdades e da exclusão social. Torna-se uma expressão de distinção na pandemia. Distinção entre aqueles que podem receber educação por meio do ambiente digital, e aqueles que não.

Os esforços de fazer parte de um lugar, sem ter o caminho para este, são regularmente apontados por parte da mídia. Crianças esperam seus pais voltarem de seus empregos para terem acesso a celulares, e assim, assistirem às aulas. Estudantes criam redes de compartilhamento de dispositivos móveis e internet para que colegas e amigos tenham acesso ao conhecimento. Utilizam a internet das comunidades em que vivem. Outros ainda, organizam encontros presenciais na casa dos colegas que possuem acesso aos aprendizados.

Contudo, somado a esses obstáculos, há também a percepção de que pouco do que é ensinado online é absorvido pelos estudantes. Muitos pretendem “repetir de ano”, pois sentem que não aprenderam o suficiente. Por  vezes, há pouca familiaridade dos professores com o ensino à distância, ou mesmo com as tecnologias envolvidas neste processo. O EAD foi lançado sem apresentar metodologia que contribuísse para a preparação e recepção do conhecimento.

Neste cenário, a constante construção da inclusão por quem está excluído pode ser interpretada como resistência às características neoliberais que envolvem tal formato emergencial de ensino. O distanciamento social, nestes casos, é menos um distanciamento em prol da saúde do que um distanciamento total do Estado e de seus direitos fundamentais.


Referências
IBGE, 2018. PNAD Contínua TIC 2018. Disponível em: <https://bit.ly/3212lBY> Acesso em: 06, set, 2020
TIC EDUCAÇÃO, 2019. TIC Kids Online Brasil 2019 - Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) Disponível em: <https://cetic.br/pt/pesquisa/kids-online/indicadores/> Acesso em: 06, set, 2020.]

  

Andressa Nunes Soilo

É doutora e mestra em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), cientista social graduada pela mesma universidade e bacharel em Direito graduada pelo Centro Universitário Ritter dos Reis (UNIRITTER). Pesquisa temas nas áreas da Antropologia da Propriedade Intelectual, Antropologia Digital e Antropologia do Consumo.

Contato: Twitter @andressanns ou e-mail andressansoilo@outlook.com


COMO REFERENCIAR ESTA POSTAGEM:

SOILO, Andressa Nunes.  A plataformização da educação na pandemia. Contornos - Educação e Pesquisa, Porto Alegre, 2020. Disponível em: <http://www.contornospesquisa.org/2020/10/a-plataformizacao-da-educacao-na.html>. Acesso em: dia/mês/ano.  


23 setembro 2020

10 anos de Contornos



O site Contornos está completando 10 anos em 2020. O espaço tem o objetivo de compartilhar textos e materiais didáticos que produzi ou utilizo como referência em minha vida de estudante/pesquisadora/professora.

Nesta última década, os leitores acompanharam meu amadurecimento acadêmico desde a graduação, passando por especialização e mestrado, até trabalhos como professora de diferentes disciplinas nas Ciências Humanas.

Atualmente tenho feito o que eu mais queria quando iniciei este projeto, que é trabalhar na educação pública. Contudo, como o trabalho tem tomado a maior parte da vida, não está sendo possível produzir novos conteúdos relevantes, como vocês podem perceber pela ausência de postagens.

Há muitas ideias e outros pesquisadores/as que podem contribuir para que este espaço continue vivo com conteúdos atuais. Dessa forma, a partir de agora, serão publicados também textos de pesquisadores/as convidados/as para compartilhar ensaios sobre as temáticas de educação e pesquisa.


Obrigada por acompanhar e confiar nos conteúdos aqui disponibilizados!


Se você tem alguma sugestão, pergunta, ideia ou proposta para este espaço, entre em contato: contornospesquisa@gmail.com ou aqui pelos comentários.


Abraços,
Vanessa Souza Pereira

16 maio 2020

5 aplicativos para professores em trabalho remoto

Nesta semana completamos 60 dias de aulas presenciais suspensas em Santa Catarina devido à pandemia do novo coronavírus. As aulas no ensino básico foram retomadas de forma não presencial e o trabalho passou a ser remoto.

Nesse período, tivemos que rapidamente pensar estratégias de ensino nessa modalidade. Os desafios e críticas são inúmeros, considerando a dificuldade de acesso igualitário aos meios para participação nas atividades escolares, sem falar na falta de apoio em casa e superação das dificuldades de aprendizagem que já eram presentes.

Com a pressão do discurso “não podemos parar”, seguimos com as atividades escolares por meio de plataformas de ensino, e-mails, WhatsApp entre outros.

O objetivo deste texto é indicar algumas das ferramentas digitais que tenho utilizado para o ensino em tempos de distanciamento social.

*Anchor.fm (celular e computador) - aplicativo para criação e edição de podcasts. Possui vinhetas, transições, possibilidade de importar áudios e editá-los, além de gravar no próprio aplicativo. Ele mesmo faz a distribuição dos episódios criados no Spotify, Google Podcast, Itunes, entre outros.

*CamScanner (celular) - faz o scan inteligente de fotos e documentos em vários formatos.

*DroidCam (celular e computador) - para utilizar a câmera do celular como webcam no computador de mesa. 

*Screencastify (computador) - essa extensão do Chrome proporciona que você grave a tela do computador com a sua voz e imagem ao mesmo tempo. É excelente para revisar exercícios na tela ou explicar uma atividade. 

*Trello (celular e computador) - para organização do planejamento, roteiros de estudos, referências, tarefas etc.

Para videoconferências, tenho utilizado os aplicativos que os locais de trabalho solicitam, como Teams, Cisco Webex Meetings e Google Meet.

Alguma dúvida ou indicação? Envie nos comentários.

Fonte da imagem: https://www.flickr.com/photos/61929320@N04/

Como citar este texto

PEREIRA, Vanessa Souza. 5 aplicativos para professores em trabalho remoto. Contornos Educação e Pesquisa, Florianópolis, 2020. Disponível em: <http://www.contornospesquisa.org/2020/05/5-aplicativos-para-professores-em.html>. Acesso em: dia/mês/ano.


19 março 2020

Dicas para organização pessoal e estudos no período de quarentena

Estamos diante de circunstâncias inéditas na sociedade contemporânea, o que está nos exigindo um grande esforço em nos mantermos em resguardo, mas também ativos. Pensei nas dicas a seguir com foco em estudantes de Ensino Médio, entretanto, também pode ser útil para outros segmentos. ;)


- Não deixe de realizar seu planejamento diário/semanal, de anotar seus planos, desejos e atividades realizadas. Continue usando sua agenda e/ou seus aplicativos de organização (Google Agenda, Google Keep, Todoist, Trello etc)

- Mantenha uma rotina de horários, ainda que sejam diferenciados de sua rotina comum. Tente dormir e acordar nos mesmos horários todos os dias, mesmo que você venha a dormir e acordar bem mais tarde que de costume.

- Vista-se como se fosse sair ou encontrar alguém. Não é porque você vai ficar em casa que deve ficar de pijama o dia inteiro. Colocar uma roupa e se arrumar ajuda o cérebro a entender que você está em atividade e pronto para produzir alguma coisa.

- Equilibre dever e lazer. Mais uma razão para manter a organização da agenda. É preciso equilibrar aquilo que você faz porque precisa e aquilo que você faz para relaxar. Os dois são necessários. Pode acontecer de você se sentir culpado/a por não estar produzindo, mas a pessoa presa na ideia do dever acaba não produzindo nada.

- Anote as suas conquistas. Nesse momento sem atividades externas, a sensação de não ter produzido o suficiente tende a aumentar. Anote o que você fez durante o dia e reveja ao longo da semana, você irá se surpreender com a quantidade de atitudes tomadas. Obs.: essa é a ideia da Planilha de Hábitos.

- Estipule o tempo dos deveres e os cumpra. A Técnica Pomodoro é uma excelente aliada para focar nas atividades. No entanto, não ambicione demais. Se você estipular 3 horas seguidas de estudo, muito provavelmente não conseguirá e a frustração virá com tudo, impedindo novas tentativas. Comece com pouco tempo, como 45 minutos, cumpra e faça outra coisa depois. Dentro dos 45 minutos, faça um intervalo também. Veja mais em: Como conseguir estudar?


Que possamos superar esse momento com relativa tranquilidade e que disso possam também surgir coisas positivas. Seguimos!

Como citar este texto
PEREIRA, Vanessa Souza. Dicas para organização pessoal e estudos no período de quarentena. Contornos Educação e Pesquisa, Florianópolis, 2020. Disponível em: <http://www.contornospesquisa.org/2020/03/dicas-para-organizacao-pessoal-no.html>. Acesso em: dia/mês/ano.