Contornos - Educação e Pesquisa: 2020

Principais artigos

14 outubro 2020

A plataformização da educação na pandemia


Ao completar 10 anos, o site Contornos entra em uma nova fase de conteúdos com a participação de professores/as e pesquisadores/as. A primeira convidada é a cientista social Andressa Nunes Soilo, que pesquisa Antropologia Digital e Antropologia da Propriedade Intelectual.

A plataformização da educação tem sido cada vez mais acolhida pelo mercado, instituições de ensino e alunos com acesso à internet. Comprometendo-se, especialmente, a flexibilizar o formato de aulas presenciais envoltas em horários determinados e exposições instantâneas, o modelo da educação à distância no ambiente online proporciona certo ajuste das demandas da vida à vida.
 
No cenário da COVID-19, o EAD assume novos significados e (im)possibilidades junto à educação nacional e seus atores. O formato online de ensino passa a ser adotado como um recurso de prosseguimento do “normal” por várias instituições pedagógicas em todo o país - o cumprimento do calendário escolar, o ritmo do ensino-aprendizado, a preparação para o ENEM foram algumas das motivações que alicerçaram o EAD como medida de segurança.

Deixando de servir apenas como possibilidade, e assumindo uma roupagem de compromisso emergencial à educação para alguns, o EAD subitamente causou desconforto. De engajamento a nível nacional, o formato passa a ser percebido como um ato descompromissado com as realidades do Brasil. O ensino à distância anuncia uma metáfora sobre a (constante) distância que o ensino está de muitos brasileiros.

Não por acaso. Aproximadamente 27% dos domicílios no Brasil não possuem acesso à internet (IBGE, 2018); cerca de 4,8 milhões de crianças e adolescentes não têm acesso à internet em casa (TIC EDUCAÇÃO, 2019); e quase 40% dos estudantes da rede pública de ensino não possui computadores ou tablets (idem). Também, somente 14% das escolas públicas contam com uma plataforma digital de ensino (idem).

Em um contexto social que apresenta tais dados, a oportunidade de acessar plataformas online de ensino passa a simbolizar a existência do sujeito social no mapa da educação. No mapa do cuidado, e da importância. Um sujeito incluído no e pelo Estado.

O EAD passa, assim, a ser um demarcador explícito das desigualdades e da exclusão social. Torna-se uma expressão de distinção na pandemia. Distinção entre aqueles que podem receber educação por meio do ambiente digital, e aqueles que não.

Os esforços de fazer parte de um lugar, sem ter o caminho para este, são regularmente apontados por parte da mídia. Crianças esperam seus pais voltarem de seus empregos para terem acesso a celulares, e assim, assistirem às aulas. Estudantes criam redes de compartilhamento de dispositivos móveis e internet para que colegas e amigos tenham acesso ao conhecimento. Utilizam a internet das comunidades em que vivem. Outros ainda, organizam encontros presenciais na casa dos colegas que possuem acesso aos aprendizados.

Contudo, somado a esses obstáculos, há também a percepção de que pouco do que é ensinado online é absorvido pelos estudantes. Muitos pretendem “repetir de ano”, pois sentem que não aprenderam o suficiente. Por  vezes, há pouca familiaridade dos professores com o ensino à distância, ou mesmo com as tecnologias envolvidas neste processo. O EAD foi lançado sem apresentar metodologia que contribuísse para a preparação e recepção do conhecimento.

Neste cenário, a constante construção da inclusão por quem está excluído pode ser interpretada como resistência às características neoliberais que envolvem tal formato emergencial de ensino. O distanciamento social, nestes casos, é menos um distanciamento em prol da saúde do que um distanciamento total do Estado e de seus direitos fundamentais.


Referências
IBGE, 2018. PNAD Contínua TIC 2018. Disponível em: <https://bit.ly/3212lBY> Acesso em: 06, set, 2020
TIC EDUCAÇÃO, 2019. TIC Kids Online Brasil 2019 - Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) Disponível em: <https://cetic.br/pt/pesquisa/kids-online/indicadores/> Acesso em: 06, set, 2020.]

  

Andressa Nunes Soilo

É doutora e mestra em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), cientista social graduada pela mesma universidade e bacharel em Direito graduada pelo Centro Universitário Ritter dos Reis (UNIRITTER). Pesquisa temas nas áreas da Antropologia da Propriedade Intelectual, Antropologia Digital e Antropologia do Consumo.

Contato: Twitter @andressanns ou e-mail andressansoilo@outlook.com




23 setembro 2020

10 anos de Contornos



O site Contornos está completando 10 anos em 2020. O espaço tem o objetivo de compartilhar textos e materiais didáticos que produzi ou utilizo como referência em minha vida de estudante/pesquisadora/professora.

Nesta última década, os leitores acompanharam meu amadurecimento acadêmico desde a graduação, passando por especialização e mestrado, até trabalhos como professora de diferentes disciplinas nas Ciências Humanas.

Atualmente tenho feito o que eu mais queria quando iniciei este projeto, que é trabalhar na educação pública. Contudo, como o trabalho tem tomado a maior parte da vida, não está sendo possível produzir novos conteúdos relevantes, como vocês podem perceber pela ausência de postagens.

Há muitas ideias e outros pesquisadores/as que podem contribuir para que este espaço continue vivo com conteúdos atuais. Dessa forma, a partir de agora, serão publicados também textos de pesquisadores/as convidados/as para compartilhar ensaios sobre as temáticas de educação e pesquisa.


Obrigada por acompanhar e confiar nos conteúdos aqui disponibilizados!


Se você tem alguma sugestão, pergunta, ideia ou proposta para este espaço, entre em contato: contornospesquisa@gmail.com ou aqui pelos comentários.


Abraços,
Vanessa Souza Pereira

16 maio 2020

5 aplicativos para professores em trabalho remoto

Nesta semana completamos 60 dias de aulas presenciais suspensas em Santa Catarina devido à pandemia do novo coronavírus. As aulas no ensino básico foram retomadas de forma não presencial e o trabalho passou a ser remoto.

Nesse período, tivemos que rapidamente pensar estratégias de ensino nessa modalidade. Os desafios e críticas são inúmeros, considerando a dificuldade de acesso igualitário aos meios para participação nas atividades escolares, sem falar na falta de apoio em casa e superação das dificuldades de aprendizagem que já eram presentes.

Com a pressão do discurso “não podemos parar”, seguimos com as atividades escolares por meio de plataformas de ensino, e-mails, WhatsApp entre outros.

O objetivo deste texto é indicar algumas das ferramentas digitais que tenho utilizado para o ensino em tempos de distanciamento social.

*Anchor.fm (celular e computador) - aplicativo para criação e edição de podcasts. Possui vinhetas, transições, possibilidade de importar áudios e editá-los, além de gravar no próprio aplicativo. Ele mesmo faz a distribuição dos episódios criados no Spotify, Google Podcast, Itunes, entre outros.

*CamScanner (celular) - faz o scan inteligente de fotos e documentos em vários formatos.

*DroidCam (celular e computador) - para utilizar a câmera do celular como webcam no computador de mesa. 

*Screencastify (computador) - essa extensão do Chrome proporciona que você grave a tela do computador com a sua voz e imagem ao mesmo tempo. É excelente para revisar exercícios na tela ou explicar uma atividade. 

*Trello (celular e computador) - para organização do planejamento, roteiros de estudos, referências, tarefas etc.

Para videoconferências, tenho utilizado os aplicativos que os locais de trabalho solicitam, como Teams, Cisco Webex Meetings e Google Meet.

Alguma dúvida ou indicação? Envie nos comentários.

Fonte da imagem: https://www.flickr.com/photos/61929320@N04/

Como citar este texto

PEREIRA, Vanessa Souza. 5 aplicativos para professores em trabalho remoto. Contornos Educação e Pesquisa, Florianópolis, 2020. Disponível em: <http://www.contornospesquisa.org/2020/05/5-aplicativos-para-professores-em.html>. Acesso em: dia/mês/ano.


19 março 2020

Dicas para organização pessoal e estudos no período de quarentena

Estamos diante de circunstâncias inéditas na sociedade contemporânea, o que está nos exigindo um grande esforço em nos mantermos em resguardo, mas também ativos. Pensei nas dicas a seguir com foco em estudantes de Ensino Médio, entretanto, também pode ser útil para outros segmentos. ;)


- Não deixe de realizar seu planejamento diário/semanal, de anotar seus planos, desejos e atividades realizadas. Continue usando sua agenda e/ou seus aplicativos de organização (Google Agenda, Google Keep, Todoist, Trello etc)

- Mantenha uma rotina de horários, ainda que sejam diferenciados de sua rotina comum. Tente dormir e acordar nos mesmos horários todos os dias, mesmo que você venha a dormir e acordar bem mais tarde que de costume.

- Vista-se como se fosse sair ou encontrar alguém. Não é porque você vai ficar em casa que deve ficar de pijama o dia inteiro. Colocar uma roupa e se arrumar ajuda o cérebro a entender que você está em atividade e pronto para produzir alguma coisa.

- Equilibre dever e lazer. Mais uma razão para manter a organização da agenda. É preciso equilibrar aquilo que você faz porque precisa e aquilo que você faz para relaxar. Os dois são necessários. Pode acontecer de você se sentir culpado/a por não estar produzindo, mas a pessoa presa na ideia do dever acaba não produzindo nada.

- Anote as suas conquistas. Nesse momento sem atividades externas, a sensação de não ter produzido o suficiente tende a aumentar. Anote o que você fez durante o dia e reveja ao longo da semana, você irá se surpreender com a quantidade de atitudes tomadas. Obs.: essa é a ideia da Planilha de Hábitos.

- Estipule o tempo dos deveres e os cumpra. A Técnica Pomodoro é uma excelente aliada para focar nas atividades. No entanto, não ambicione demais. Se você estipular 3 horas seguidas de estudo, muito provavelmente não conseguirá e a frustração virá com tudo, impedindo novas tentativas. Comece com pouco tempo, como 45 minutos, cumpra e faça outra coisa depois. Dentro dos 45 minutos, faça um intervalo também. Veja mais em: Como conseguir estudar?


Que possamos superar esse momento com relativa tranquilidade e que disso possam também surgir coisas positivas. Seguimos!

Como citar este texto
PEREIRA, Vanessa Souza. Dicas para organização pessoal e estudos no período de quarentena. Contornos Educação e Pesquisa, Florianópolis, 2020. Disponível em: <http://www.contornospesquisa.org/2020/03/dicas-para-organizacao-pessoal-no.html>. Acesso em: dia/mês/ano.