Contornos - Educação e Pesquisa

14 janeiro 2019

O que fazer quando a autoria é desconhecida?

Embora seja pouco comum (e recomendável), por vezes há a necessidade de citar e referenciar um material com autoria desconhecida. É importante destacar que a autoria é desconhecida, o que não significa que não exista autoria. Um texto sempre terá um/a autor/a, podendo ser autoria coletiva ou em nome de instituições.


Quando não encontramos a autoria do texto, primeiramente devemos pesquisar sobre a publicação em outros locais, buscar o dado de forma mais ampla. Caso ainda assim não o encontre, questionar-se sobre a confiabilidade dessa fonte e se é realmente importante para o trabalho. Se a resposta a essa última questão foi positiva, a ABNT 6023 indica uma alternativa para referenciar o material:

8.1.3 Autoria desconhecida
Em caso de autoria desconhecida, a entrada é feita pelo título. O termo anônimo não deve ser usado em substituição ao nome do autor desconhecido.
Exemplo: DIAGNÓSTICO do setor editorial brasileiro. São Paulo: Câmara Brasileira do Livro, 1993. 64 p.

Assim, colocamos a primeira palavra do título em caixa alta e as seguintes normais, sem utilizar negrito. Veja bem, não é mesmo o caso de legislações, pois o autor dessas é a unidade administrativa ou a instituição responsável.

Exemplos:
BRASIL. Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da Lei no 10.098, de 19 de dezembro de 2000.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL (UFRGS). Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão. Resolução Nº 04/2004. Diretrizes para o Plano Pedagógico das Licenciaturas da UFRGS. Disponível em: http://www.ufrgs.br/cepe/legislacao/Res04-04.htm

Lembre-se de considerar a palavra seguinte ao colocar em maiúsculas se o título iniciar com artigo definido, indefinido ou palavra monossílaba.

Exemplo:
A ÉTICA nas universidades brasileiras...
Por fim, tente incluir mais informações que conseguir sobre a publicação a fim de que outros elementos possam ajudar a entender a fonte, pois a ausência de autoria é um ponto de atenção para a confiabilidade da fonte.

Obs.: As mudanças na ABNT 6023 de 14 de novembro de 2018 não alteraram esse item.

Referência:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 6023: Informação e documentação - Referências - Elaboração. Rio de Janeiro, 2002.

05 janeiro 2019

O que é citar e referenciar?

É comum utilizarmos os termos citar e referenciar em redações e comunicações científicas, porém nem sempre é claro para quem está iniciando o que são essas ações.

De acordo com o Dicionário Priberam, os dois vocábulos são sinônimos de mencionar e referir. No entanto, em pesquisa, de forma prática, consideramos cada palavra para uma ação diferente.

Citar: é transcrever os textos/falas de autores de forma literal ou parafraseada ao longo do texto. (= CITAÇÃO).
Exemplo:
Conforme Dussel (1993, p. 35), “A América não é descoberta como algo que resiste distinta, como o Outro, mas como a matéria onde é projetado o 'si mesmo'.”
Referenciar: é associar a citação aos seus dados de registro (especialmente autor e data). Cada citação demanda duas referências:

1) Ao longo do texto, logo após trecho transcrito/parafraseado, no sistema autor-data. 

Exemplo: (DUSSEL, 1993, p. 35)

2) No final do trabalho, na lista de referências. 

Exemplo: DUSSEL, Enrique. 1492: o encobrimento do outro – a origem do mito da modernidade. Petrópolis: Vozes, 1993.

Veja mais em Citações: para quê servem? Como utilizar e formatar referências no corpo do trabalho. 

Dúvidas? Escreva nos comentários. ;)

Por: ShellyS Fonte: https://www.flickr.com/photos/shellysblogger/


11 setembro 2018

Bases de dados em Educação


Para uma visão geral de variáveis quantitativas em populações, existem bases de dados nas mais diferentes áreas. Essas bases fornecem acesso a dados produzidos por institutos de pesquisa. 

A propósito, estar sempre atento à fonte dos dados, qual empresa ou instituto é o responsável e que métodos utilizou para produzi-los.

Alguns exemplos de bases de dados que podem ser utilizadas em pesquisas na área de educação:


*Conhece outra(s)? Indique nos comentários. :)

- Centro de Políticas Sociais/FGV

Portal organizado pela Fundação Getúlio Vargas, contém pesquisas, bancos de dados, textos, artigos, informações de seminários, entre outros

- Consórcio de Informações Sociais (CIS)

Bancos de dados, microdados em SPSS.

- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Possui os mais diversos dados sobre a população e o espaço brasileiro. A PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), por exemplo, é um conjunto de dados amostrais da população, realizado anualmente, em contraponto ao Censo, que é feito uma vez a cada 10 anos e possui diferenças na metodologia.

- IBGE Cidades

Ensino - matrículas, docentes e rede escolar;
Conta com informações referentes à educação superior na América Latina (em espanhol).

- Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP)

Levantamentos estatísticos e avaliativos sobre o sistema educacional brasileiro. Censo Escolar, IDEB, ENEM, Censo da Educação Superior, ENADE.

- INEP / EDUDATABRASIL – Sistema de Estatísticas Educacionais

Sistema de Estatísticas Educacionais (Edudatabrasil).
"O sistema reúne dados de matrícula, docentes, infra-estrutura e indicadores de eficiência e rendimento educacional de todos os níveis de ensino. As variáveis estão disponíveis com detalhamento até a esfera municipal e podem, ainda, ser analisadas em diferentes dimensões, de acordo com o interesse do usuário."

- Ministério da Educação

Site oficial do MEC, contém as legislações da área, especificações sobre os programas e demais informações oficiais da educação no Brasil;

- MEC / SESu – Secretaria de Educação Superior

Portal indispensável para quem realiza estudos sobre Educação Superior


25 janeiro 2018

[Sugestão de artigo] A pesquisa e sua escrita: questão de estilo e autoria

De Margareth Diniz e Eloisa Helena Santos

Resumo
No presente artigo, abordamos os embaraços, os impasses e os desafios contidos na relação do pesquisador com seu objeto de pesquisa, bem como na relação do(a) orientador(a) com o(a) orientando(a), analisando em que medida as relações conscientes/inconscientes interferem e/ou elucidam os resultados da pesquisa. Nosso interesse no tema tem origem nas dificuldades vivenciadas e observadas em nossa trajetória de pesquisadoras e professoras responsáveis pela orientação de alunos(as) na realização de suas dissertações e teses. Nossa experiência evidencia um lento e trabalhoso processo de escolha do objeto de pesquisa, de desenvolvimento da pesquisa e de produção da escrita que resultará, ou não, no trabalho final de um(a) mestrando(a) ou doutorando(a) ou em um possível artigo a ser divulgado para a comunidade científica. O aporte da psicanálise, do método clínico e da teoria da implicação incide na apresentação e na análise de experiência de desenvolvimento das pesquisas e das escritas de uma tese e de uma dissertação.

Palavras-chave
Impasses na Pesquisa; Estilo e Autoria na Escrita; Relação Orientador(a)-orientando(a)

Referência
DINIZ, Margareth; SANTOS, Eloisa Helena. A pesquisa e sua escrita: questão de estilo e autoria. Trabalho & Educação. Belo Horizonte, v.25, n.1, p. 235-248, jan-abr, 2016.