Contornos - Educação e Pesquisa: educação
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07 fevereiro 2026

Estudos de crioulo haitiano para professores: 7 dicas

Com o que temos visto nos últimos anos com relação à produção de conteúdo na internet, que migra cada vez mais para redes sociais, e também com relação aos conteúdos gerados por IA, fico me perguntando o quanto vale a pena continuar escrevendo. No entanto, talvez ainda exista um ou outro que tenha saudade de sites e blogs e queira ler algo que não se perca em uma timeline infinita. Pensei, então, em trazer algumas reflexões e estudos que tenho feito como professora, para compilar e refletir sobre o que tenho desenvolvido na vida docente e aprendido com os colegas, estudantes e escolas por onde passo.
 
Sinto que a cada ano de docência vamos aprimorando algum aspecto, no último ano, estive interessada em estudar sobre como melhorar a minha prática com estudantes imigrantes. Desde que comecei a ser professora na educação básica, sempre tive estudantes estrangeiros em alguma medida, como deve acontecer com boa parte dos colegas. Com relação aos estudantes haitianos, sentia muita impotência por não conseguirmos nos entender. Na escola em que eu atuava até o ano passado, havia uma quantidade enorme de estudantes imigrantes e especialmente de estudantes haitianos já formados em seu país, mas que eram matriculados no 3º ano do Ensino Médio para concluir seus estudos (novamente) no Brasil, um caminho mais em conta do que a revalidação do diploma*.
 
Inicialmente, tentei inserir algumas frases em francês ou traduzir avaliações para esse idioma, pois, na educação básica formal haitiana, o idioma utilizado é o francês. No entanto, apesar de compreenderem o francês, os estudantes haitianos utilizam em sua comunicação com familiares e amigos o crioulo haitiano (Kreyol). Assim, pareceu fazer mais sentido a comunicação com eles em crioulo. Como não sou fluente em francês, pensei em aproveitar a oportunidade para estudar algumas frases de crioulo. Entretanto, aprender um novo idioma implica também estudar sobre história e cultura local para que as peças se encaixem. Assim, fui explorando referências e desenvolvendo o idioma junto com meus estudantes, o que nos aproximou muito. A surpresa e o sorriso deles ao serem recebidos com um “Bonswa, ki jan ou ye?” é sensacional.
 
Assim, o objetivo deste texto é apresentar algumas referências para leitura e estudo da história, cultura e idioma para professores que possuem estudantes que vêm do Haiti. Cabe destacar que esse aprendizado é a título de acolhimento do estudante imigrante, não significa que nós professores temos que falar com eles a todo momento em crioulo, mas que busquemos conhecer o contexto de onde esses estudantes vieram e demonstrar que estamos abertos, enquanto o próprio estudante também se responsabiliza pelo seu processo e busca aprender o português.

1 - Ann Pale Potigè: Apostila Crioulo Haitiano – Português

A cartilha produzida por Pastoral da Mobilidade Humana da Diocese do Alto Solimões, Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil e Instituto de Migrações e Direitos Humanos contém uma série de expressões e frases comuns para o contato cotidiano entre falantes de português e crioulo haitiano.
 


Por exemplo:
  • Bonjou = Bom dia
  • Bonswa = Boa tarde/Boa noite
  • Kòman ou ye ? = Como vai ?
  • Èske ou anfòm ? = Tudo bom?
  • Mwen byen = Estou bem.
  • Kòman ou rele ? = Como é seu nome ?
  • Mwen rele…. = Meu nome é…
  • Ki lang ou pale ? = Você fala quais línguas ?
  • Mwen pale kreyòl, franse, panyòl ak anglè. = Eu falo crioulo, francês, espanhol e inglês.
  • Ki laj ou ? = Quantos anos você tem ?
  • Wi = Sim
  • Non = Não
  • Silvouplè = Por favor
  • Mèsi = Obrigado
  • Anpil = Muito 
2 - Duolingo

Se você tem algum conhecimento em inglês, o Duolingo possui o curso de crioulo haitiano a partir do inglês. Mesmo que você não seja fluente em inglês, é possível aprender as primeiras palavras no idioma haitiano e suas pronúncias.

3 - Podcast Koze Mande Chez
 


O Koze Mande Chez é um podcast de professores de crioulo haitiano, sendo três brasileiros (Renata, Camila e Bruno) e um haitiano (Francky). O podcast tem mais de 20 episódios com muito conteúdo interessante para quem convive com pessoas haitianas no Brasil. Recomendo começar pelo episódio 1, mas o meu episódio preferido é o #19.
4 - Fronteiras Invisíveis do Futebol #86 – Haiti

O podcast Fronteiras Invisíveis do Futebol é dos mesmos criadores do podcast Xadrez Verbal, e, apesar do nome, não trata apenas de futebol. Esse episódio faz um histórico detalhado da nação haitiana e de sua luta por independência e liberdade. Cabe lembrar que o Haiti foi a única nação das Américas que aliou o processo de independência com o fim da escravidão no território.

5 - Blog Aprenda Crioulo Haitiano - prof. Bruno

O professor Bruno Pinto Silva é uma grande referência nos estudos de crioulo haitiano para falantes de português. Além de sua participação no podcast Koze Mande Chez, ele produziu diversos materiais e cursos que estão disponíveis em seu blog e canal do you tube. Ele também ministrou cursos de crioulo haitiano como curso de extensão na USP, que está totalmente disponível no You Tube.
 
6 - “Ayisyen kite lakay”: uma introdução à música da diáspora haitiana no Brasil

O artigo de Caetano Maschio Santos analisa a produção e os fazeres musicais de haitianos no Brasil, sob um olhar antropológico e etnomusicológico. O autor possui várias produções sobre música haitiana no Brasil, sua dissertação de mestrado foi uma das primeiras referências que li, na qual ele estuda a produção musical e as trajetórias de músicos da diáspora haitiana no Rio Grande do Sul. A dissertação possui um capítulo sobre o contexto histórico da imigração haitiana para o Brasil e acompanha a trajetória de músicos haitianos imigrantes em Porto Alegre.7 - Literatura haitiana

Outra forma de conhecer mais sobre a cultura e o modo de vida no Haiti, é conhecendo a literatura haitiana. O primeiro livro que li foi “País sem chapéu” de Dany LaFerriere, sugerido por um amigo professor. O mesmo autor possui diversas outras obras, inclusive infantis como o título “Mwen damou pou Vava”.

Outro livro que li, desta vez de uma autora haitiana e que retrata a perspectiva de duas mulheres vivendo no Haiti foi “A cor do amanhecer”, de Yanick Lahens. Esta obra está entre uma das mais importantes que já li.

Outras indicações de literatura haitiana - 5 romances para entender o Haiti - Nexo Jornal | Nexo Políticas Públicas
 

 
*Sobre essa medida, ver PORTARIA Nº 2083 de 2023/SC - p. 3.

23 janeiro 2025

“Diálogos Contemporâneos das Juventudes”: explorando o componente curricular eletivo e suas possibilidades de aprofundamento de conceitos sociológicos

Este texto visa expor um trabalho apresentado no VII Congresso da VI Congresso Nacional da Associação Brasileira de Ensino de Ciências Sociais (Abecs)

Trata-se de um relato de experiência sobre uma disciplina chamada “Diálogos Contemporâneos das Juventudes”, que ministrei de 2022 a 2024, na implementação do “Novo Ensino Médio” na rede estadual de Santa Catarina. Em 2024 houve uma nova reforma, que excluiu a disciplina do currículo, por isso me refiro a ela sempre no passado. Apesar de ser pessoalmente favorável ao retorno da carga-horária para a formação geral básica, foram anos de preparações e desenvolvimento de atividades com esse foco, as quais acredito que podem ser replicadas em outros componentes de Ciências Humanas, para além da Sociologia, e também como projetos interdisciplinares.

O componente “Diálogos Contemporâneos das Juventudes”

O componente curricular fez parte de um conjunto de 52 componentes curriculares eletivos, que foram criados a partir de pesquisas com jovens e comunidades em 120 escolas-piloto. A ideia era de que os estudantes tivessem a oportunidade de votar nas disciplinas que desejassem cursar e as mais votadas seriam oferecidas semestralmente. O foco principal prescrito para esse componente curricular foi estimular a pesquisa e a discussão sobre os desafios e características dos diferentes grupos juvenis, ajudando os alunos a refletirem criticamente sobre os estereótipos sociais que os cercam.

O desenvolvimento da disciplina por mim na escola considerou a proposta curricular catarinense e os interesses dos estudantes das turmas. Os conteúdos abordados incluíram objetos de aprendizagem como relações sociais, interdependência, instituições sociais e cultura, sempre com uma conexão com a Sociologia. As aulas foram organizadas em blocos que combinaram teoria e prática, permitindo que os alunos se envolvessem ativamente no processo de aprendizagem, com uma parte expositivo-dialogada e outra parte mais prática.

Entre os temas explorados estão as relações de gênero, a interseção entre juventude e violência e as novas dinâmicas do mercado de trabalho. Além disso, as culturas digitais e as mídias sociais foram discutidas, promovendo uma reflexão sobre a confiabilidade da informação e os riscos do ambiente virtual, como ciberbullying e crimes cibernéticos.

Avaliação e Reflexão

As avaliações foram realizadas por meio de atividades práticas e dinâmicas em sala de aula, culminando em projetos que envolvem a construção de campanhas informativas para estudantes mais jovens. Uma das atividades de destaque foi a análise de dados do Atlas da Violência, que permitiu aos alunos compreenderem a vulnerabilidade da juventude em relação à violência.

Os estudantes também tiveram a oportunidade de entrevistar pessoas de diferentes gerações, comparando suas experiências de juventude e analisando como as interações sociais mudaram ao longo do tempo. Essa abordagem não apenas enriqueceu o aprendizado, mas também incentivou um diálogo intergeracional.

Com a implementação contínua de ajustes e melhorias, essa eletiva se destacou como um espaço privilegiado para o desenvolvimento do interesse dos jovens por temas sociais, buscando sempre a formação de cidadãos críticos e participativos.

 Abaixo os slides da apresentação no evento:



22 setembro 2024

Coletâneas - Diversidade biocultural na escola

Os livros a seguir são coletâneas de reflexões e discussões elaboradas por membros do Laboratório de Ecologia Humana e Etnobotânica (ECOHE/UFSC) para uso de professores do ensino básico. As obras destacam a importância dos saberes e práticas de povos indígenas e comunidades tradicionais e contêm planos de aula e relatos de experiência que buscam incentivar a discussão e vivência da ciência entre crianças e adolescentes.

Ambas estão disponíveis no site: https://www.etnobiologia.org/editora

É uma obra escrita a muitas mãos, fruto de reflexões e discussões que emanam das trajetórias e vivências de pesquisa de integrantes do Laboratório de Ecologia Humana e Etnobotânica (ECOHE/UFSC). Tais reflexões trazem para um primeiro plano a importância dos saberes, conhecimentos, práticas e perspectivas de povos indígenas, povos e comunidades tradicionais e locais. Esperamos que este material de apoio para professores e professoras do Ensino Fundamental contribua também como um incentivo para que a ciência seja discutida e vivenciada de forma profunda com as crianças e os adolescentes, e que possibilite a formação de sujeitos críticos e com potencial transformador
 
O livro tem sua gênese nos trabalhos finais de um curso de formação online sobre o livro original "Diversidade Biocultural na Escola - reflexões e práticas para professoras e professores". A qualidade dos trabalhos finais do curso e a riqueza das trocas de experiência nos encontros síncronos motivaram os organizadores a estruturar um segundo livro com a participação dos cursistas e a construção deste volume teve como desafio fazer a costura entre as trocas e reflexões de educadores e educadoras em contextos distintos. Neste livro cada leitor pode ler os capítulos na ordem desejada. No entanto, a organização está em ordem crescente de ano escolar, começando por um plano aplicável para todos os anos, seguido de planos direcionados para os anos do ensino fundamental e médio. Assim, esperamos que essas atividades e propostas sirvam como inspiração e como um convite para outras atividades serem pensadas e desenvolvidas, ajustadas a cada contexto, mas sempre respeitando a riqueza da diversidade biocultural brasileira.



12 fevereiro 2024

Como começar uma revisão bibliográfica ou sistemática

Sabemos que em uma pesquisa acadêmica é necessário realizar uma revisão de literatura sobre o tema que envolve o objeto de pesquisa. Em um artigo sobre as causas do plágio em trabalhos acadêmicos, tratei sobre a importância da pesquisa na construção de um trabalho, ainda que simples, para que “tenhamos o que dizer” nos trabalhos que apresentamos. (Veja em: Plágio em trabalhos e relatórios: é preciso entender o que é pesquisa). No entanto, o que é e como fazer uma pesquisa bibliográfica? Por onde começar e como buscar as bases teóricas de uma pesquisa? E o que é uma revisão sistemática?

Primeiramente é preciso destacar que o processo de pesquisa não é linear, apesar de poder ser sistematizado. Trata-se de um vai e vem na medida em que se lê, experimenta visões e entra em confronto com ideias diversas. A definição do objeto fica mais amadurecida depois de algumas leituras, sendo que parte dessas serão bases para se aprofundar e outras são descartadas ao longo do caminho.

Severino (2007) distingue 3 fases do amadurecimento de um trabalho: (1) a fase da invenção, da descoberta e da formulação de hipóteses; (2) a pesquisa em si, podendo ser experimental, de campo e/ou bibliográfica e (3) a formulação amadurecida com o levantamento de fontes e documentos. Assim, há um percurso de exploração, leitura e amadurecimento da proposta e das percepções do pesquisador-autor, para daí se produzir um trabalho acadêmico.

As pesquisas acadêmicas são também pesquisas bibliográficas, pois sempre retomam as bases do tema a ser tratado. Algumas são apenas bibliográficas e outras e realizam também a pesquisa empírica, com dados construídos em trabalho de campo. De acordo com Severino (2007)

A pesquisa bibliográfica é aquela que se realiza a partir do registro disponível de pesquisas anteriores em documentos impressos como livros, artigos, teses etc. Utiliza-se de dados ou de categorias teóricas já trabalhadas por outros pesquisadores e devidamente registrados. Os textos tornam-se fontes dos temas a serem pesquisados. O pesquisador trabalha a partir das contribuições dos autores dos estudos analíticos constantes nos textos (p.122).

A escolha sobre as fontes da pesquisa bibliográfica vai depender de um conhecimento básico sobre o tema e seus fundamentos, de autores clássicos até os mais atuais. Muitas vezes o/a professor/a orientador/a traz algumas sugestões, mas cabe ao estudante também buscar as bases do tema (se já não o conhecer) em planos de ensino das disciplinas relacionadas e referências de trabalhos estudados. O nível de aprofundamento depende do tipo de pesquisa que está sendo realizada (artigo, TCC, dissertação ou tese).

Já em uma pesquisa bibliográfica sistemática, revisão sistemática ou metapesquisa utiliza de palavras-chave e busca de trabalhos em bases de dados, com recortes e filtros como período de publicação, área de estudos, entre outros. Pode haver diferenças procedimentais em cada uma das nomenclaturas e abordagens conforme os autores, mas basicamente apresentam o uso de palavras-chave para busca em bancos de dados e critérios de exigibilidade , ou seja, o que seja incluído ou não na lista de estudos a serem lidos. Essa busca pode ser realizada tanto em bibliotecas quanto em bases de dados digitais (ver exemplos mais adiante).

A leitura dos estudos de revisão sistemática é guiada por perguntas pré definidas que são feitas para cada estudo, conforme o problema de pesquisa. Por exemplo, em um artigo que foi publicado em 2015, realizei uma pesquisa sistemática sobre o que outros estudos dizem sobre a formação de professores para a gestão democrática na escola. Com as leituras, foram formadas categorias a partir dos achados, que depois foram sistematizadas em anotações e arquivos.

No exemplo, realizamos um levantamento junto ao Banco de Teses e Dissertações Capes das produções referentes aos anos de 2011 e 2012. Observamos que, nesse período, foram defendidas 25 dissertações e 4 teses com os termos gestão democrática da educação, gestão escolar democrática e gestão democrática na escola. A intenção era verificar, inicialmente, através dos resumos, os temas e objetos investigados nas pesquisas, além de seus resultados, buscando compreender as tendências na efetivação da gestão democrática na escola. 
 
Apenas com a leitura dos resumos dessa amostra foi possível perceber que nenhum dos trabalhos abordava a relação entre formação inicial de professores e gestão escolar democrática, o que nos trouxe um dado importante para mais questões de pesquisa e aprofundamento. No trabalho completo é possível ver como trabalhamos com a revisão sistemática para entender os caminhos das pesquisas sobre gestão democrática na escola: A gestão escolar democrática na formação inicial do professor: elementos teóricos para pensar a formação política do professor da educação básica

Algumas bases de dados digitais de material bibliográfico mais comuns no Brasil:
  • SciELO - Brasil - É um portal que reúne acesso aos principais periódicos científicos do país, organizados por temas e áreas de conhecimento.
  • LILACS - bvsalud.org - Um abrangente índice da literatura científica e técnica da América Latina e Caribe.
  • Portal de Periódicos da CAPES - Uma plataforma digital que oferece acesso a uma vasta gama de periódicos científicos, artigos, revistas, e outras fontes de informação acadêmica. Desenvolvido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
  • Catálogo de Teses & Dissertações - CAPES - Trata-se de um repositório de dissertações e teses defendidas em universidades brasileiras s, também desenvolvido pela CAPES.

A biblioteca da UDESC elaborou um material informativo sobre revisão sistemática, um guia para quem quer se aprofundar nessa metodologia de pesquisa. Veja em: https://www.udesc.br/bu/manuais/rsl

Existe outro tipo de pesquisa que pode se confundir com a pesquisa bibliográfica que é a pesquisa documental. Trata-se de uma outra metodologia que envolve práticas próprias. Sobre a pesquisa documental, veja este outro artigo: Pesquisa Documental: utilização e abordagens metodológicas

Enfim, muito se poderia falar sobre pesquisa bibliográfica e sistemática, no entanto, o objetivo aqui é aproximar ou reaproximar as pessoas dos procedimentos de pesquisa acadêmica e mais leituras podem ser necessárias para o aprofundamento da compreensão.


Referência:

SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 23.ed. rev. e atual. São Paulo: Cortez, 2007.

26 janeiro 2024

Infrequência escolar: rotinas e estratégias na escola

No ano de 2022 atuei como orientadora educacional de uma escola de ensino fundamental em um município de Santa Catarina e tinha como atividade diária o trabalho de prevenção e combate à infrequência escolar. O desaparecimento ou faltas alternadas de um estudante pode ser indício de situações como desinteresse, problemas de saúde, trabalho infantil, violência, maus tratos e/ou negligência, além da violação do direito à educação, por isso, o tema é sempre urgente.

Neste texto, o objetivo é apresentar de forma ampla a rotina de combate e prevenção à evasão escolar na perspectiva tanto da orientação pedagógica quanto do/a professor/a em sala de aula. Várias das informações e protocolos aqui descritos estão disponíveis no curso “Infrequência escolar e o programa APOIA do MPSC” disponível no link: Infrequência Escolar e o Programa APOIA do MPSC


Rotina da orientação pedagógica

Com a verificação da alta quantidade de faltas (mediante aviso dos professores ou averiguação no sistema), era dado início aos registros e estratégias de resgate. Primeiramente, era preciso entender o que levou o estudante a deixar de frequentar. Antes de prosseguir, é importante diferenciar os conceitos de frequência, infrequência, abandono e evasão escolar.

Frequência escolar é o modo de medir a periodicidade com que os alunos estão comparecendo à instituição de ensino. Utilizamos os dados das chamadas feitas pelos professores diariamente,

O abandono escolar é caracterizado pela infrequência, ou seja, o desaparecimento do estudante ou alta quantidade de faltas (os parâmetros costumam ser em torno de 5 faltas seguidas ou 7 alternadas sem justificativa em 30 dias). Nesse caso, o estudante falta muito ou não vem mais, porém tem matrícula no ano seguinte.

Já a evasão escolar é quando o estudante não permanece em lugar algum, sai da escola e não retorna, não se matricula mais.

Portanto, na rotina, trabalhamos no combate à infrequência, que é por onde começa o abandono e a evasão escolar. Os motivos para a infrequência são diversos e há uma grande quantidade de estudos a respeito. O MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) destaca algumas questões como as dificuldades de aprendizagem, a violência na escola (sobretudo o bullying), gravidez, trabalho, falta de transporte, entre outros. Também observei, mais recentemente, a infrequência relacionada a questões de saúde mental sem tratamento.

As configurações de cada caso são múltiplas e podem correlacionar várias questões, portanto, também demandam estratégias diferenciadas. Uma parte importante desse processo são os registros: das comunicações com os professores, das tentativas de contatos com os responsáveis, das reuniões, dos encaminhamentos realizados e outros atores da rede de proteção que foram acionados.

As formas de registros são diversas e devem fazer sentido na organização de cada profissional. Para a minha experiência, precisei usar (1) uma planilha com as comunicações dos professores e tentativas de contato com as famílias; (2) um planner para organizar as reuniões agendadas com famílias, professores e outros profissionais; (3) caderno com anotações sobre as reuniões e encaminhamentos.

(1) Modelo planner: Planner semanal e mensal  (PDF)
(2) Modelo planilha: Planilha Busca Ativa (Google Drive)
 
Caso você queira receber os arquivos por e-mail e contribuir para este site, adquira por um valor simbólico de R$3,90 no Hotmart: https://contornos.hotmart.host/material-para-processo-de-busca-ativa
 
Processo de Busca Ativa

Ao tomar conhecimento das faltas pelos professores ou por acompanhamento do sistema, era necessário registrar na planilha e iniciar as tentativas de contatos com os responsáveis. As tentativas eram múltiplas e deviam ser todas registradas. Poucas tinham sucesso, o que também é um dado muito importante. 
Quando havia reuniões com familiares, era realizada uma ata de reunião, assinada pelos presentes ao término. Dado o pouco tempo entre as atividades, na maioria das vezes as atas eram realizadas à mão em um livro de atas ou cadernos. Trata-se de uma tarefa muito difícil atender as famílias e fazer conversas complexas tendo que ao mesmo tempo secretariar e registrar a reunião, ainda que com outro colega acompanhando (o que é altamente recomendável), mas a realidade é que temos poucos materiais e muitas demandas urgentes.

Aqui em Santa Catarina, temos o programa APOIA do MPSC que une as informações sobre infrequência, os fluxos e as estratégias adotadas por cada componente da rede (escolas das redes municipais, estaduais, federais e particulares, Conselho Tutelar e Ministério Público). É por meio desse programa que a escola registra o estudante, a quantidade de faltas e os contatos e estratégias realizadas junto aos responsáveis. Caso o estudante não retorne em 7 dias após o registro, a escola deve notificar, pelo sistema, o Conselho Tutelar. Se em 14 dias após o encaminhamento o estudante ainda não retornou, o caso vai para o Ministério Público. Por meio do sistema é possível acompanhar o fluxo, adicionar documentos, atualizar dados, informar o retorno, entre outras funcionalidades.

De acordo com o MPSC, as causas mais frequentes de abandono escolar relatados no APOIA são:
  • desinteresse/ não quer retornar
  • dificuldade de aprendizagem
  • problemas familiares
  • problemas de saúde
  • mudança de endereço sem confirmação de estar estudando
  • trabalho
  • gravidez/parto recente
  • responsáveis não localizados (não se sabe o motivo do abandono escolar)

O programa contribui muito para a gestão dos dados a respeito da infrequência no estado de Santa Catarina. No entanto, como qualquer sistema dessa magnitude, precisa de capacitação para o melhor aproveitamento e aperfeiçoamento no sistema em si. Um grande desafio da rotina é fazer os atendimentos, registros e lançamentos no sistema, considerando todas as demandas diárias da orientação pedagógica.

Estratégias da equipe pedagógica

Na minha experiência como orientadora, os professores foram muito parceiros na comunicação sobre as faltas e hipóteses sobre as causas da infrequência. Frequentemente fazíamos reuniões de assessoria individual com alinhamento das comunicações sobre faltas e também conversávamos sobre os encaminhamentos feitos e os possíveis. Essa parceria é essencial para que o trabalho tenha sucesso, embora esse sucesso muitas vezes esteja longe do alcance dos profissionais.

Além do contato com os professores, o contato com a rede intersetorial é essencial para que possam ser feitos encaminhamentos assertivos e ações de prevenção. Por exemplo, é possível realizar parcerias com o CRAS e a UBS da comunidade para realização de palestras na escola e troca de ideias em equipe sobre casos mais graves. O Conselho Tutelar também é um aliado neste trabalho, além de sua atuação obrigatória na busca ativa, dependendo da relação estabelecida, pode também haver uma parceria para discussão dos casos.

Como essas relações intersetoriais são construídas e mantidas são desafios que podem ser discutidos junto à equipe da escola, no entanto, muitas vezes um e-mail, um telefone ou uma visita se apresentando já são o pontapé de uma relação. Eu costumava começar escrevendo e-mails em busca de parcerias com outros órgãos municipais e tive muito sucesso, especialmente com o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social).

Os resultados obtidos com as estratégias devem ser monitorados pelos registros (como a planilha de acompanhamento dos casos), para que se possa planejar estrategicamente quais ações foram mais eficazes para os tipos de casos.

Rotina da professora em sala de aula

Hoje estou como professora em sala e lembro da importância do contato com a orientação, procuro a orientadora ou assistente pedagógica da escola e faço registros formais quando a infrequência começa a ocorrer. É interessante fazer o registro por escrito ou por e-mail, para que todos os envolvidos estejam seguros sobre terem feito os encaminhamentos.

No contexto que trabalho atualmente (Ensino Médio), o combate à infrequência se dá de maneira diferenciada do ensino fundamental, até porque muitas vezes os estudantes são maiores de 18 anos e não mais abrangidos pelos encaminhamentos via APOIA. Assim, o trabalho dos professores é também uma prevenção diária à infrequência, com o que se pode fazer desse lugar. Os últimos anos (durante e após a pandemia) foram bastante desafiadores nesse sentido e tentei estratégias diversas para incentivar os estudantes e combater o desânimo com os os estudos (ainda que as causas para infrequência sejam diversas e mais do que uma atitude pessoal). Organizei um site com os materiais da disciplina para que os estudantes se organizassem, formei grupos de estudos com direcionamento para o ensino técnico e superior, promovi saídas pedagógicas no período noturno, chamei ex-alunos da escola para conversarem sobre a vida depois de formados, convidei palestrantes com diferentes trajetórias, e, muitas vezes, em conversas informais, estreitamos os laços que davam força para continuar.

Você já se deparou com um contexto de alta evasão escolar? Que aspectos você percebeu que podem ter influenciado a desistência dos estudantes naquele ano letivo? No papel de professor, que tipos de ações você proporia para prevenir a evasão escolar?

Sugestões de material complementar

Rita de Cássia Pacheco Gonçalves. PROCESSOS PEDAGÓGICOS PARA PERMANÊNCIA E ÊXITO. Material do curso ESPECIALIZAÇÃO Educação Profissional Integrada à Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos - PROEJA - PROEJA_processos_pedagogicos.pdf

SANTA CATARINA (2018) - POLÍTICA DE EDUCAÇÃO, PREVENÇÃO, ATENÇÃO E ATENDIMENTO ÀS VIOLÊNCIAS NA ESCOLA - Caderno - Política de Educação, Prevenção, Atenção e Atendimento às Violências na Escola - NEPRE.pdf

04 março 2023

Organização para estudos na transição do Ensino Fundamental para o Ensino Médio


Todo início de ano letivo é o recomeço de um ciclo nas escolas, o que em muitos casos demanda a condução de um processo de organização pessoal por parte dos estudantes. Em alguns contextos escolares, como o caso da escola onde trabalho, muitos estudantes não chegam ao Ensino Médio com autonomia na organização de seus materiais e informações acadêmicas. No Novo Ensino Médio (NEM), são cerca de 15 componentes curriculares, alguns trimestrais, outros semestrais, cada qual com seus métodos e avaliações. Muitos estudantes ficam atordoados com a quantidade de informações novas e carecem de estratégias para auto regulação quanto ao que precisa ser feito.

Essa é uma questão que muito tem me preocupado e acredito ser essencial para a aprendizagem. Assim, nas turmas nas quais fiquei como responsável pelo componente de “Projeto de Vida”, iniciei o ano letivo com uma série de recursos e orientações para a organização dos estudantes para com os seus estudos e outras atividades.

Primeiramente, apresentei aos estudantes as 4 grandes áreas do conhecimento (Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas), os componentes que compõem cada uma e seus respectivos objetos de estudo. Na ocasião, também discutimos o que seria interdisciplinaridade. Nos itinerários do NEM, os estudantes precisam escolher as áreas de aprofundamento e também disciplinas eletivas, no entanto, grande parte desconhece o objeto de estudo das áreas, o que os confunde bastante na hora de escolher.


Em outro momento, conversamos sobre ferramentas que podem nos auxiliar na organização pessoal e para os estudos, como agendas, planners, listas e aplicativos. Nessa ocasião, surgiu a questão da alta demanda que os estudantes estão sentindo nessa nova fase (mudança do Ensino Fundamental para o Ensino Médio) e a ansiedade que essas novidades geram, além do sentimento de incapacidade e baixa autoestima. Para lidar com essa questão, trabalhamos a importância do planejamento para “tirar da mente e colocar no papel” o que foi e o que precisa ser feito, a fim de minimizar o ato de “ruminar” sobre passado e futuro. Assim, entreguei aos educandos dois modelos de planner que podem ser facilmente impressos ou reproduzidos em uma folha de papel. A ideia é que eles possam criar o hábito de anotar e conferir os compromissos, uma vez que já possuem uma grande quantidade de atividades e informações para gerenciar.

Os modelos de planner semanal e planner mensal você pode baixar aqui: https://drive.google.com/file/d/1LgJAw6DYmijGFpNuxpUg_DpC35aUUkH7/view?usp=sharing

Além dos planners que visam planejar o que vem pela frente, apresentei aos estudantes também a Planilha de Hábitos, uma ferramenta sobre a qual já comentei neste espaço e que utilizo muito na minha própria organização pessoal. Trata-se de uma lista de atividades que se quer reforçar e registrar os dias em que são realizadas, como uma “recompensa” (ver quantas coisas realizou por dia) e também para ter uma visão ampla do que se tem feito ou não e assim poder planejar estratégias posteriores. No primeiro mês, montei junto com os estudantes quais seriam as suas atividades a serem registradas e conferi semanalmente como eles estavam utilizando o recurso. A partir do segundo mês, os deixei livres para continuarem usando ou não, sempre oferecendo o modelo impresso para quem quiser. É muito legal perceber que alguns estudantes realmente aderem e percebem a importância desses registros. Outros não se interessam em continuar, o que também não tem problema, pois cada um tem seu tempo para perceber a relevância da auto organização.

Foram apresentados aos estudantes também outros recursos para organização pessoal em aplicativos e sites como o Google Agenda, Google Keep, Notion, Todoist, entre outros.

Para finalizar a unidade, trabalhamos a questão do foco e da atenção, o que muito tem preocupado professores e responsáveis, uma vez que se observa a juventude (e não só ela) bastante dispersa, inquieta, com baixíssima tolerância à espera e à frustração. Assim, fizemos uma dinâmica de leitura em conjunto do texto “Preste atenção! Neurociência explica o que você viu mas não viu”, fizemos um debate sobre o uso do celular e autodisciplina no uso de eletrônicos. Por fim, apresentei aos estudantes a estratégia da Técnica Pomodoro na tentativa de “educar” o cérebro a realizar o que a princípio pode não ser prazeroso, mas que é importante ser feito. Finalizamos com um questionário no qual os estudantes escreveram sobre onde dispensam sua atenção e que estratégias utilizam quando precisam focar.

O objetivo deste texto foi compartilhar algumas das estratégias pedagógicas utilizadas para familiarizar os estudantes com métodos de organização pessoal e provocá-los a pensar sobre como estão utilizando seu tempo e dispersando sua atenção, o que é útil não só para os estudantes, mas também para seus familiares e nós professores.

Se você já realizou algo semelhante ou tem sugestões de outras estratégias nessa temática, compartilhe conosco nos comentários. :)

 



25 julho 2021

Utilizando o Notion nas atividades docentes

O Notion é um aplicativo/plataforma que ganhou notoriedade nos últimos tempos devido a sua multi funcionalidade. Pode ser desde um bloco de notas até um gerenciador de projetos robustos. Nas minhas férias de 2021 (férias em isolamento pandêmico), decidi ir migrando alguns painéis de outros aplicativos para experimentar e, desde então, tenho desde listas de filmes e livros até planejamentos de aula e páginas para compartilhamento de material com os estudantes.


Pelo fato de apresentar muitas possibilidades, o uso do Notion pode parecer um pouco confuso no começo. Por isso, é interessante começar pelos modelos já existentes - “templates”. A partir desses modelos você vai entendendo o que é possível fazer com a ferramenta e vai adaptando para a sua realidade.


Como tem funcionado para minha atividade docente


Uma questão importante que fui pensando ao longo dessa montagem foi que isso não poderia ser mais uma tarefa na minha rotina e sim uma forma de facilitar o gerenciamento de tantas informações. Neste ano tenho 15 turmas em 3 escolas e em algumas tenho dois componentes curriculares diferentes, o que vai multiplicando os registros de forma insana. 


Neste primeiro semestre de 2021, o que mais tenho utilizado são os painéis:


  1. Plano anual (previsão geral para 2021)

  2. Obras de referência para a professora (base dos planejamentos)

  3. Banco de questões

  4. Sequência de aulas por ano/disciplina

  5. Páginas de referência para os estudantes


Os três últimos painéis são os mais importantes para mim. 


Banco de questões


O banco de questões é um pouco trabalhoso para ir formando, mas depois ajuda muito. Estou sempre precisando buscá-las e já tentei compilar de várias formas, esta finalmente atende as minhas necessidades.



Essa é a tabela com os temas, conceitos, autores e a origem da questão (mais uma coluna para marcar se a questão já foi utilizada neste ano). Ao clicar na página, abre a questão.



 

Sequência de aulas por ano/disciplina

 


Ao clicar em cada aula, é possível ter uma página com as informações e roteiro. Nessa imagem já aparece o semestre pronto, mas, quando estava planejando, ia inserindo ideias na página de cada aula.



Ao definir os temas e a sequência, sempre que me ocorria uma ideia, ia inserindo na página correspondente, o que auxiliava na hora de montar o roteiro mais formal que vai para os estudantes depois.


Páginas de referência para os estudantes


As páginas de referência para os estudantes foram uma necessidade que surgiu ao longo do ano letivo, uma vez que a plataforma da rede por vezes não funcionava, eles tinham problemas com login, etc. No Notion, você pode compartilhar um painel em forma de site, no qual as pessoas podem acessar e somente ver. A URL não é amigável, mas um encurtador resolve o caso. Compartilhei o link com os estudantes por bluetooth ou escrevendo no quadro mesmo e lá estavam todas as informações que eles poderiam precisar em casa (já que a maior parte das turmas neste ano está no modelo “híbrido”).



Na tabela com os roteiros de estudos há uma página por quinzena com o conteúdo e questões para fazer no “tempo casa”. Nessa página também tem as indicações sobre como funciona o ensino híbrido, formulário de contato com a professora e outros links importantes. Nem todos os estudantes têm acesso à internet, nesse caso, envio para cada um os roteiros por bluetooth (felizmente são raros os casos de adolescentes sem celular, a questão tem sido o acesso à internet).


Enfim, são tantas possibilidades que pode ficar confuso, mas também é divertido ir explorando e com o tempo os registros ficam muito interessantes. Esses foram exemplos bem particulares da minha rotina, fique à vontade para compartilhar a sua forma de organização também, assim podemos conhecer mais possibilidades. :)

 

Outras experiências

 

 Usos do Notion por outros professores:

- Aulas e materiais prof. João Gilberto Saraiva
- Introdução a Engenharia de Computação - prof. José Edil G. de Medeiros

 (em construção)

  

10 dezembro 2020

As tecnologias digitais e o ensino em tempos de pandemia

Por Prof. Djeison Machado

 A pandemia causada pelo novo coronavírus causou um grande impacto na educação em 2020. Apesar de previsível, a chegada do vírus ao Brasil ocorreu de forma rápida demais para as redes de ensino e escolas da educação básica se prepararem. Diversos gestores optaram por manter as aulas através do que ficou conhecido como ERE (ensino remoto emergencial), apoiado na maioria dos casos pelo uso das TDICs (tecnologias digitais da informação e comunicação), explorando principalmente as plataformas digitais de ensino da Google e da Microsoft.

    Professores e professoras ganharam novos desafios: reconstruir o planejamento considerando as novas condições impostas pelo ERE, aprender a utilizar as plataformas digitais adotadas pelas redes e escolas, produzir materiais didáticos digitais (e em alguns estados as versões impressas destes), pensar em estratégias para manter os vínculos com os estudantes, criar uma rotina de trabalho em home office e manter em condições saudáveis suas próprias saúdes físicas e mentais. Se isso tudo já não fosse o bastante, o medo do uso das TDICs foi arrancado do armário onde vários professores o mantinham trancado e escondido. Tornou-se comum ouvirmos em diversos espaços que “a pandemia acelerou uma mudança que estava prevista para ocorrer ao longo dos próximos anos na educação, ela [a pandemia] trouxe as TDICs para os planejamentos de todos os docentes”.  É necessário que façamos algumas reflexões acerca disso tudo, para que possamos minimamente compreender o que aconteceu neste ano e quais caminhos devemos perseguir no período pós-pandemia.

Fonte: https://topagitos.com.br/ensino-na-pandemia-com-aulas-remotas-aumenta-o-estresse-e-ansiedade-dos-profissionais-da-educacao/

    Discussões, pesquisas e práticas com as TDICs na educação básica não são novidades. Há diversas redes, escolas, professores e professoras que há muito tempo já exploram os recursos digitais em suas aulas. A novidade deste ano foi o uso das tecnologias digitais em larga escala por quase todos os docentes e como política pública para promover alguma forma de ensino durante a pandemia. Vimos nos noticiários e nos relatos de nossos amigos e familiares que o ERE expôs a desigualdade social entre as escolas, mas pouco ouvimos sobre as desigualdades das habilidades dos professores e das professoras para incorporarem as TDICs em seus planejamentos. Parte do magistério nunca foi exposta a discussões teóricas e metodológicas sobre o uso das TDICs, nem tampouco puderam experimentá-las em suas aulas devido à precariedade (ou inexistência) destes recursos nas escolas. Desta forma, muitos professores e professoras tornaram-se suscetíveis a discursos sobre o uso das TDICs que são de senso comum, de experiências de seus colegas e/ou de instituições que possuem interesses escusos aos da promoção de uma educação crítica e de qualidade.

    Não raramente, vemos as TDICs serem apresentadas como uma forma para chamar a atenção dos estudantes e motivá-los a aprender. Assume-se que os estudantes por serem nativos digitais irão se interessar mais pelas aulas se elas foram digitalizadas e explorarem recursos tecnológicos como óculos de realidade virtual, jogos, vídeos e redes sociais. No entanto, quando pensamos em mudar o formato de uma aula para agradar os estudantes, corremos o risco de tornar nossas aulas um produto desenhado para satisfazer supostos desejos que acreditamos existirem em nossas salas de aulas. Não podemos correr o risco de repetirmos a lógica do consumismo, em que o cliente (estudante) só consome aquilo (aula) quando está no formato (digital) que lhe satisfaz. A motivação, como a semântica da palavra explica, é algo interno de cada um. Em suas memórias você deve lembrar de vários professores que prenderam a sua atenção apenas com o uso da voz e tantos outros que montaram “um circo” diante de você e não lhe causaram nenhum interesse. Será mesmo que o desinteresse dos nossos estudantes se dá pelo formato das nossas aulas ou talvez se dê por questões institucionais, sociais e pessoais? Seriam as TDICs capazes de resolverem os problemas de desmotivação e desinteresse dos estudantes?

    Também é comum encontrarmos associações entre as TDICs e a velocidade de conclusão das tarefas. Diz-se que uma aula com a utilização das TDICs permite que os estudantes desenvolvam as atividades de forma mais rápida por não “perderem tempo” como ocorreria ao utilizarem outros recursos, como o lápis e o papel. Aligeirar as tarefas, na ânsia de concluí-las mais rapidamente, para talvez concluir mais tarefas no mesmo espaço de tempo, não necessariamente permite aos estudantes aprenderem mais e nem melhor. A dinâmica de aumento da produção através da otimização do tempo é algo que faz sentido no mundo fabril e empresarial, onde tempo é dinheiro. Na educação, sabemos que a aprendizagem não se dá na conclusão das tarefas, mas sim no desenvolvimento destas. Um ambiente de aprendizagem que promove tarefas aos estudantes pensando no cronômetro não parece ser adequado para favorecer algumas condições necessárias para a aprendizagem como  manter o cérebro calmo e atento. Acelerar o percurso de aprendizagem pode acarretar em perdas pois, afinal, aprender leva tempo.

    Há ainda aqueles que defendem o uso das TDICs para que os estudantes dominem as novas tecnologias. O mundo moderno já nos exige a utilização destes recursos em vários momentos e exigirá cada vez mais, por isso caberia à escola preparar minimamente os estudantes para tal realidade através do uso dos recursos disponíveis. No entanto, dado o avanço tecnológico acelerado em que vivemos, é um pouco ingênuo pensarmos que os softwares e equipamentos que podemos utilizar hoje serão os mesmos daqui 10 ou 20 anos, basta pensar em como era a nossa relação com a Internet em 2010 e como ela é hoje, mudou bastante não é mesmo? Talvez fizesse mais sentido ensinarmos alguns fundamentos teóricos e práticos sobre as tecnologias (como programação, por exemplo), talvez assim pudéssemos de fato preparar os jovens para o dinâmico e imprevisível futuro tecnológico que os aguarda, mas não é isso que vemos na maioria das aulas com as tecnologias digitais.

        As TDICs quando propagandeadas como “bala de prata” para os problemas da educação, geralmente costumam apresentar novos problemas ao invés de soluções. Em 2020, por exemplo, vimos a falta de conexão com a Internet, a falta de equipamentos adequados e a pouca alfabetização digital dos estudantes como principais desafios, por vezes limitadores. Também vimos que muitos professores e professoras, por melhor boa intenção que tiveram e esforço que dispuseram, fizeram um uso pobre das TDICs, pois não basta apenas fazer uma vídeo aula transmitida pelo YouTube, isso continua sendo uma aula expositiva; não é suficiente enviar formulários, isso continua sendo um teste de assinalar; solicitar a elaboração de um texto utilizando um software, continua sendo a produção de um texto; pedir um vídeo aos estudantes apresentando um tema, continua sendo uma apresentação de trabalho que antes era feita na sala de aula mas que agora se deu na frente da câmera.

    O que vimos durante 2020 com o ERE foi, em muitos casos, a digitalização das mesmas práticas que já eram realizadas nas aulas presenciais. É claro que não há problemas em transpor as práticas antes realizadas no ambiente com lápis e papel para o ambiente digital. O ambiente digital é bonito, é agradável, usar softwares e a Internet permite que a alfabetização digital aconteça, além do fato de que o meio ambiente agradece a redução do uso de papel. Também não podemos negar a importância das aulas expositivas que foram transmitidas pela Internet neste ano, elas foram fundamentais para que estudantes e seus professores mantivessem contato.  Muito menos devemos deixar de dar o reconhecido crédito a todos os professores e todas as professoras que fizeram limonadas com os limões que lhes foram dados. Mas é preciso ressaltar que a falta de discussões e reflexões teóricas e metodológicas sobre o uso das TDICs na educação nos fez perder uma janela de oportunidades única que a pandemia nos trouxe. Foi um momento em que os professores e as professoras precisaram utilizar os recursos digitais, mas ninguém os mostrou como o ensino e a aprendizagem poderiam ser diferentes com estes recursos, então, eles fizeram o que sabiam fazer na versões digitais e disponibilizaram aos estudantes através das plataformas.

Não podemos nos iludir achando que 2020 foi um ano de grandes mudanças na educação e que 2021 será diferente de 2019 porque agora os professores sabem compartilhar uma planilha, fazer um vídeo no YouTube e organizar o Google Sala de Aula. A pandemia e o ERE deixaram evidentes que as metodologias de ensino classificadas como tradicionais estão presentes até hoje, não por acaso, nem comodismo, porque funcionam bem para o modelo de educação de massas e que a incorporação das TDICs e ambientes virtuais de aprendizagens por si só não são capazes de promover mudanças significativas para esta estrutura educacional que temos. Espero que as experiências vividas por professores e estudantes neste ano nos auxiliem a pensar como as tecnologias digitais podem ser utilizadas para promover aprendizagens não possíveis com os atuais recursos comumente utilizados. Convido-lhe a refletir sobre qual foi o uso que você fez das TDICs durante o ERE em 2020, sobre o que você aprendeu e poderia compartilhar com seus pares e sobre o que você percebe que ainda precisa aprender. Ainda temos um longo caminho a percorrer, muitas leituras, diversas reflexões e principalmente trocas de experiências sobre o uso das TDICs para que estas nos sirvam na construção de um modelo de educação mais crítico e de qualidade. Por fim, deixo como sugestão uma antiga charge, velha conhecida de muitos cursos de licenciatura e de formação continuada, que nos convida a refletir sobre o uso das novas tecnologias nas nossas aulas.


(48) Metodologia ou tecnologia - YouTube


Djeison Machado
 
Professor efetivo na Rede Estadual de Educação de Santa Catarina. Licenciado em Matemática (UFSC), possui mestrado em Educação Científica e Tecnológica Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e especializações em Psicopedagogia (Faculdade Municipal de Palhoça), Ensino de Ciências (IFSC) e Metodologia do Ensino de Matemática (Uniasselvi). É professor de matemática em escolas públicas e privadas desde 2011.     Contato: djeison@outlook.com


COMO REFERENCIAR ESTA POSTAGEM:

MACHADO, Djeison. As tecnologias digitais e o ensino em tempos de pandemia. Contornos - Educação e Pesquisa, Florianópolis, 2020. Disponível em: <http://www.contornospesquisa.org/2020/12/as-tecnologias-digitais-e-o-ensino-em.html>. Acesso em: dia/mês/ano.   

26 outubro 2020

Podcast na educação: o que é, dicas e como começar

 
Os podcasts já vinham se popularizando nos últimos anos, e com o contexto de pandemia, distanciamento social e aulas remotas, sua utilização tornou-se uma alternativa interessante para a educação. Esse recurso tem sido bastante utilizado por professores, tanto como forma de se aproximar de seus estudantes quanto para sua própria formação.
 
O que é um podcast? Trata-se de um meio de publicação de arquivos de mídia (áudio) em agregadores diversos (Apple, Google, Spotify, Deezer, Pocket, entre outros ou até mesmo em um site próprio). É muito comparado ao rádio, por ser uma mídia sonora, porém, apresenta algumas diferenças. O podcast é um conteúdo “on demand”, ou seja, tocado sob demanda do usuário. Não há uma programação diária, o arquivo é postado e cada um ouve quando e quantas vezes quiser. Também é um conteúdo fácil de compartilhar por meio de links. Existem programas curtos, de até 10 minutos, outros com cerca de uma hora e até com várias horas de duração, que o usuário pode ouvir em partes.
 
Atualmente, com a maior facilidade de produzir e distribuir, passou-se a observar como esse poderia ser mais um recurso didático para o contexto de ensino remoto emergencial, ensino híbrido ou mesmo em aulas totalmente presenciais.
 
O formato possui diversos potenciais, como suscitar o interesse do educandos com uma forma diferente de entrar em contato com o conteúdo, diversificação dos espaços de aprendizagem, contribuição para os diferentes ritmos de aprendizagem (já que se pode ouvir de forma acelerada, pausada ou re-ouvir várias), acessibilidade para estudantes com deficiência visual ou dificuldades de leitura e, quando os estudantes também produzem os programas, há uma intensa mobilização sócio-discursiva, pois é necessária uma organização do discurso por parte do estudante.
 
Quanto aos desafios, um dos principais se refere à possibilidade de conexão para download ou ouvir os áudios em streaming. Para muitos estudantes, esse ainda é um entrave significativo. Outro desafio é a sustentabilidade do projeto por parte dos professores. Um podcast, assim como qualquer projeto, precisa de planejamento, objetivo e roteiro claros, o que demanda muita preparação e disposição. Uma dica para superar esse desafio é formar parcerias, trazer convidados/as, ter um grupo de apoio e dividir tarefas. Outra dica é que os podcasts se organizam por temporadas, você pode criar uma temporada com um número limitado de episódios os quais você se compromete em produzir (por exemplo uma temporada de 4 episódios) e depois vê a viabilidade de realizar outras temporadas.

Algumas dicas de podcasts para estudantes e professores*

  • BBC Learning English
  • Café da Manhã
  • Fronteiras da Ciência
  • Fronteiras Invisíveis do Futebol
  • História No Cast
  • História Preta
  • Mira na Língua Portuguesa
  • Nerdcast
  • Ponto de Virada
  • Prato cheio
  • Quadro Negro
  • Teaching in Critical Times
  • Trip com Ciência
  • Xadrez Verbal

*Dicas de estudantes e colegas por meio de enquete em maio de 2020 - envie suas sugestões nos comentários. :) 

Destaco também duas iniciativas (entre tantas maravilhosas) de professores da educação básica:


Como começar a produzir um podcast? Para as minhas aulas no Ensino Médio em 2020, utilizei a plataforma Anchor (https://anchor.fm) para produzir aulas em áudio para os estudantes. Trata-se de uma plataforma gratuita e bastante intuitiva, é possível produzir programas por meio do celular. 

Para saber mais como funciona essa ferramenta, recomendo o curso (que foi a principal referência para este texto) "Podcast na educação: da ideia à publicação" realizado pelo EDUMÍDIA - UFSC para a Semana de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação da UFSC (SEPEX).

O curso está disponível no YouTube:

 
 
 

COMO REFERENCIAR ESTA POSTAGEM:

PEREIRA, Vanessa Souza. Podcast na educação: o que é, dicas e como começar. Contornos - Educação e Pesquisa, Florianópolis, 2020. Disponível em: <http://www.contornospesquisa.org/2020/10/podcast-na-educacao.html>. Acesso em: dia/mês/ano.   

14 outubro 2020

A plataformização da educação na pandemia


Ao completar 10 anos, o site Contornos entra em uma nova fase de conteúdos com a participação de professores/as e pesquisadores/as. A primeira convidada é a cientista social Andressa Nunes Soilo, que pesquisa Antropologia Digital e Antropologia da Propriedade Intelectual.

A plataformização da educação tem sido cada vez mais acolhida pelo mercado, instituições de ensino e alunos com acesso à internet. Comprometendo-se, especialmente, a flexibilizar o formato de aulas presenciais envoltas em horários determinados e exposições instantâneas, o modelo da educação à distância no ambiente online proporciona certo ajuste das demandas da vida à vida.
 
No cenário da COVID-19, o EAD assume novos significados e (im)possibilidades junto à educação nacional e seus atores. O formato online de ensino passa a ser adotado como um recurso de prosseguimento do “normal” por várias instituições pedagógicas em todo o país - o cumprimento do calendário escolar, o ritmo do ensino-aprendizado, a preparação para o ENEM foram algumas das motivações que alicerçaram o EAD como medida de segurança.

Deixando de servir apenas como possibilidade, e assumindo uma roupagem de compromisso emergencial à educação para alguns, o EAD subitamente causou desconforto. De engajamento a nível nacional, o formato passa a ser percebido como um ato descompromissado com as realidades do Brasil. O ensino à distância anuncia uma metáfora sobre a (constante) distância que o ensino está de muitos brasileiros.

Não por acaso. Aproximadamente 27% dos domicílios no Brasil não possuem acesso à internet (IBGE, 2018); cerca de 4,8 milhões de crianças e adolescentes não têm acesso à internet em casa (TIC EDUCAÇÃO, 2019); e quase 40% dos estudantes da rede pública de ensino não possui computadores ou tablets (idem). Também, somente 14% das escolas públicas contam com uma plataforma digital de ensino (idem).

Em um contexto social que apresenta tais dados, a oportunidade de acessar plataformas online de ensino passa a simbolizar a existência do sujeito social no mapa da educação. No mapa do cuidado, e da importância. Um sujeito incluído no e pelo Estado.

O EAD passa, assim, a ser um demarcador explícito das desigualdades e da exclusão social. Torna-se uma expressão de distinção na pandemia. Distinção entre aqueles que podem receber educação por meio do ambiente digital, e aqueles que não.

Os esforços de fazer parte de um lugar, sem ter o caminho para este, são regularmente apontados por parte da mídia. Crianças esperam seus pais voltarem de seus empregos para terem acesso a celulares, e assim, assistirem às aulas. Estudantes criam redes de compartilhamento de dispositivos móveis e internet para que colegas e amigos tenham acesso ao conhecimento. Utilizam a internet das comunidades em que vivem. Outros ainda, organizam encontros presenciais na casa dos colegas que possuem acesso aos aprendizados.

Contudo, somado a esses obstáculos, há também a percepção de que pouco do que é ensinado online é absorvido pelos estudantes. Muitos pretendem “repetir de ano”, pois sentem que não aprenderam o suficiente. Por  vezes, há pouca familiaridade dos professores com o ensino à distância, ou mesmo com as tecnologias envolvidas neste processo. O EAD foi lançado sem apresentar metodologia que contribuísse para a preparação e recepção do conhecimento.

Neste cenário, a constante construção da inclusão por quem está excluído pode ser interpretada como resistência às características neoliberais que envolvem tal formato emergencial de ensino. O distanciamento social, nestes casos, é menos um distanciamento em prol da saúde do que um distanciamento total do Estado e de seus direitos fundamentais.


Referências
IBGE, 2018. PNAD Contínua TIC 2018. Disponível em: <https://bit.ly/3212lBY> Acesso em: 06, set, 2020
TIC EDUCAÇÃO, 2019. TIC Kids Online Brasil 2019 - Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) Disponível em: <https://cetic.br/pt/pesquisa/kids-online/indicadores/> Acesso em: 06, set, 2020.]

  

Andressa Nunes Soilo

É doutora e mestra em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), cientista social graduada pela mesma universidade e bacharel em Direito graduada pelo Centro Universitário Ritter dos Reis (UNIRITTER). Pesquisa temas nas áreas da Antropologia da Propriedade Intelectual, Antropologia Digital e Antropologia do Consumo.

Contato: Twitter @andressanns ou e-mail andressansoilo@outlook.com


COMO REFERENCIAR ESTA POSTAGEM:

SOILO, Andressa Nunes.  A plataformização da educação na pandemia. Contornos - Educação e Pesquisa, Porto Alegre, 2020. Disponível em: <http://www.contornospesquisa.org/2020/10/a-plataformizacao-da-educacao-na.html>. Acesso em: dia/mês/ano.  


23 setembro 2020

10 anos de Contornos



O site Contornos está completando 10 anos em 2020. O espaço tem o objetivo de compartilhar textos e materiais didáticos que produzi ou utilizo como referência em minha vida de estudante/pesquisadora/professora.

Nesta última década, os leitores acompanharam meu amadurecimento acadêmico desde a graduação, passando por especialização e mestrado, até trabalhos como professora de diferentes disciplinas nas Ciências Humanas.

Atualmente tenho feito o que eu mais queria quando iniciei este projeto, que é trabalhar na educação pública. Contudo, como o trabalho tem tomado a maior parte da vida, não está sendo possível produzir novos conteúdos relevantes, como vocês podem perceber pela ausência de postagens.

Há muitas ideias e outros pesquisadores/as que podem contribuir para que este espaço continue vivo com conteúdos atuais. Dessa forma, a partir de agora, serão publicados também textos de pesquisadores/as convidados/as para compartilhar ensaios sobre as temáticas de educação e pesquisa.


Obrigada por acompanhar e confiar nos conteúdos aqui disponibilizados!


Se você tem alguma sugestão, pergunta, ideia ou proposta para este espaço, entre em contato: contornospesquisa@gmail.com ou aqui pelos comentários.


Abraços,
Vanessa Souza Pereira

16 maio 2020

5 aplicativos para professores em trabalho remoto

Nesta semana completamos 60 dias de aulas presenciais suspensas em Santa Catarina devido à pandemia do novo coronavírus. As aulas no ensino básico foram retomadas de forma não presencial e o trabalho passou a ser remoto.

Nesse período, tivemos que rapidamente pensar estratégias de ensino nessa modalidade. Os desafios e críticas são inúmeros, considerando a dificuldade de acesso igualitário aos meios para participação nas atividades escolares, sem falar na falta de apoio em casa e superação das dificuldades de aprendizagem que já eram presentes.

Com a pressão do discurso “não podemos parar”, seguimos com as atividades escolares por meio de plataformas de ensino, e-mails, WhatsApp entre outros.

O objetivo deste texto é indicar algumas das ferramentas digitais que tenho utilizado para o ensino em tempos de distanciamento social.

*Anchor.fm (celular e computador) - aplicativo para criação e edição de podcasts. Possui vinhetas, transições, possibilidade de importar áudios e editá-los, além de gravar no próprio aplicativo. Ele mesmo faz a distribuição dos episódios criados no Spotify, Google Podcast, Itunes, entre outros.

*CamScanner (celular) - faz o scan inteligente de fotos e documentos em vários formatos.

*DroidCam (celular e computador) - para utilizar a câmera do celular como webcam no computador de mesa. 

*Screencastify (computador) - essa extensão do Chrome proporciona que você grave a tela do computador com a sua voz e imagem ao mesmo tempo. É excelente para revisar exercícios na tela ou explicar uma atividade. 

*Trello (celular e computador) - para organização do planejamento, roteiros de estudos, referências, tarefas etc.

Para videoconferências, tenho utilizado os aplicativos que os locais de trabalho solicitam, como Teams, Cisco Webex Meetings e Google Meet.

Alguma dúvida ou indicação? Envie nos comentários.

Fonte da imagem: https://www.flickr.com/photos/61929320@N04/

Como citar este texto

PEREIRA, Vanessa Souza. 5 aplicativos para professores em trabalho remoto. Contornos Educação e Pesquisa, Florianópolis, 2020. Disponível em: <http://www.contornospesquisa.org/2020/05/5-aplicativos-para-professores-em.html>. Acesso em: dia/mês/ano.