Contornos - Educação e Pesquisa: internet
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04 fevereiro 2024

Como referenciar figuras e imagens (II) - Imagens geradas por IA

A citação de figuras e imagens geradas por inteligência artificial (IA) em trabalhos acadêmicos segue as mesmas diretrizes básicas de citação para qualquer outra imagem (ver Como referenciar figuras e imagens). No entanto, ainda que o comando seja executado por você, é importante reconhecer que as figuras e imagens geradas por IA são criadas por uma ferramenta específica e podem existir diferenças e particularidades entre essas ferramentas, sendo, portanto, essencial mencioná-las.

Ao utilizar essas imagens, é fundamental destacar as considerações éticas associadas ao uso de IA. Mesmo em uma apresentação de slides, o rigor deve ser o mesmo de um trabalho escrito. O quanto essa imagem é importante para o seu trabalho? A imagem “cabe” para o contexto? Há alguma imagem “real” que possa substituí-la? Estou sendo transparente quanto às informações da imagem? São algumas perguntas a se fazer quando utilizar imagens criadas por IA.


Aqui estão algumas orientações gerais para as referências de figuras ou imagens geradas por IA ou algoritmos em geral:

No título da figura:

Inclua informações sobre a descrição da imagem. Por exemplo, "Figura 2: representação de um pesquisador em trabalho de campo."


Na legenda da figura:

Inclua informações detalhadas sobre a ferramenta de IA ou o algoritmo utilizado. Por exemplo, "Fonte: gerado por [Nome da Ferramenta de IA] em dd/mm/aaaa."


No texto:

Mencione a autoria como "imagem gerada por [Nome da Ferramenta de IA]" ou "Figura gerada por algoritmo de inteligência artificial."


Exemplo:

Figura 1: Representação de uma cientista utilizando mecanismos de inteligência artificial.
.
Fonte: gerada por IA. Plataforma DALL·E 3. Em 2 de fevereiro de 2024.


Lembre-se de consultar as diretrizes de citação do estilo escolhido para garantir que você esteja seguindo todas as regras específicas dessas normas. Além disso, se a ferramenta de IA ou o algoritmo usado tiver um artigo ou documentação oficial, você pode incluir essa fonte na lista de referências para fornecer mais contexto sobre como a IA foi treinada e desenvolvida.

O uso de inteligência artificial em trabalhos acadêmicos é um tema que ainda estamos compreendendo e, por enquanto, essas indicações seguem princípios gerais de uma pesquisa científica como transparência, rigor, coerência e confiabilidade. É possível que algumas diretrizes mudem com o tempo e desenvolvimento de nossa compreensão, assim, atente à data de publicação e atualizações desta postagem. ;)

 

Para citar este artigo: PEREIRA, Vanessa Souza. Como referenciar figuras e imagens (II) – Imagens geradas por IA. Contornos: Educação e Pesquisa. Disponível em: http://www.contornospesquisa.org/2024/02/como-referenciar-figuras-e-imagens-ii.html. Acesso em: ____.

26 outubro 2020

Podcast na educação: o que é, dicas e como começar

 
Os podcasts já vinham se popularizando nos últimos anos, e com o contexto de pandemia, distanciamento social e aulas remotas, sua utilização tornou-se uma alternativa interessante para a educação. Esse recurso tem sido bastante utilizado por professores, tanto como forma de se aproximar de seus estudantes quanto para sua própria formação.
 
O que é um podcast? Trata-se de um meio de publicação de arquivos de mídia (áudio) em agregadores diversos (Apple, Google, Spotify, Deezer, Pocket, entre outros ou até mesmo em um site próprio). É muito comparado ao rádio, por ser uma mídia sonora, porém, apresenta algumas diferenças. O podcast é um conteúdo “on demand”, ou seja, tocado sob demanda do usuário. Não há uma programação diária, o arquivo é postado e cada um ouve quando e quantas vezes quiser. Também é um conteúdo fácil de compartilhar por meio de links. Existem programas curtos, de até 10 minutos, outros com cerca de uma hora e até com várias horas de duração, que o usuário pode ouvir em partes.
 
Atualmente, com a maior facilidade de produzir e distribuir, passou-se a observar como esse poderia ser mais um recurso didático para o contexto de ensino remoto emergencial, ensino híbrido ou mesmo em aulas totalmente presenciais.
 
O formato possui diversos potenciais, como suscitar o interesse do educandos com uma forma diferente de entrar em contato com o conteúdo, diversificação dos espaços de aprendizagem, contribuição para os diferentes ritmos de aprendizagem (já que se pode ouvir de forma acelerada, pausada ou re-ouvir várias), acessibilidade para estudantes com deficiência visual ou dificuldades de leitura e, quando os estudantes também produzem os programas, há uma intensa mobilização sócio-discursiva, pois é necessária uma organização do discurso por parte do estudante.
 
Quanto aos desafios, um dos principais se refere à possibilidade de conexão para download ou ouvir os áudios em streaming. Para muitos estudantes, esse ainda é um entrave significativo. Outro desafio é a sustentabilidade do projeto por parte dos professores. Um podcast, assim como qualquer projeto, precisa de planejamento, objetivo e roteiro claros, o que demanda muita preparação e disposição. Uma dica para superar esse desafio é formar parcerias, trazer convidados/as, ter um grupo de apoio e dividir tarefas. Outra dica é que os podcasts se organizam por temporadas, você pode criar uma temporada com um número limitado de episódios os quais você se compromete em produzir (por exemplo uma temporada de 4 episódios) e depois vê a viabilidade de realizar outras temporadas.

Algumas dicas de podcasts para estudantes e professores*

  • BBC Learning English
  • Café da Manhã
  • Fronteiras da Ciência
  • Fronteiras Invisíveis do Futebol
  • História No Cast
  • História Preta
  • Mira na Língua Portuguesa
  • Nerdcast
  • Ponto de Virada
  • Prato cheio
  • Quadro Negro
  • Teaching in Critical Times
  • Trip com Ciência
  • Xadrez Verbal

*Dicas de estudantes e colegas por meio de enquete em maio de 2020 - envie suas sugestões nos comentários. :) 

Destaco também duas iniciativas (entre tantas maravilhosas) de professores da educação básica:


Como começar a produzir um podcast? Para as minhas aulas no Ensino Médio em 2020, utilizei a plataforma Anchor (https://anchor.fm) para produzir aulas em áudio para os estudantes. Trata-se de uma plataforma gratuita e bastante intuitiva, é possível produzir programas por meio do celular. 

Para saber mais como funciona essa ferramenta, recomendo o curso (que foi a principal referência para este texto) "Podcast na educação: da ideia à publicação" realizado pelo EDUMÍDIA - UFSC para a Semana de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação da UFSC (SEPEX).

O curso está disponível no YouTube:

 
 
 

COMO REFERENCIAR ESTA POSTAGEM:

PEREIRA, Vanessa Souza. Podcast na educação: o que é, dicas e como começar. Contornos - Educação e Pesquisa, Florianópolis, 2020. Disponível em: <http://www.contornospesquisa.org/2020/10/podcast-na-educacao.html>. Acesso em: dia/mês/ano.   

11 setembro 2018

Bases de dados em Educação


Para uma visão geral de variáveis quantitativas em populações, existem bases de dados nas mais diferentes áreas. Essas bases fornecem acesso a dados produzidos por institutos de pesquisa. 

A propósito, estar sempre atento à fonte dos dados, qual empresa ou instituto é o responsável e que métodos utilizou para produzi-los.

Alguns exemplos de bases de dados que podem ser utilizadas em pesquisas na área de educação:


*Conhece outra(s)? Indique nos comentários. :)

Centro de Políticas Sociais/FGV

Portal organizado pela Fundação Getúlio Vargas, contém pesquisas, bancos de dados, textos, artigos, informações de seminários, entre outros

Consórcio de Informações Sociais (CIS)

Bancos de dados, microdados em SPSS.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Possui os mais diversos dados sobre a população e o espaço brasileiro. A PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), por exemplo, é um conjunto de dados amostrais da população, realizado anualmente, em contraponto ao Censo, que é feito uma vez a cada 10 anos e possui diferenças na metodologia.

- IBGE Cidades

Ensino - matrículas, docentes e rede escolar;
Conta com informações referentes à educação superior na América Latina (em espanhol).

Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP)

Levantamentos estatísticos e avaliativos sobre o sistema educacional brasileiro. Censo Escolar, IDEB, ENEM, Censo da Educação Superior, ENADE.

INEP / EDUDATABRASIL – Sistema de Estatísticas Educacionais

Sistema de Estatísticas Educacionais (Edudatabrasil).
"O sistema reúne dados de matrícula, docentes, infra-estrutura e indicadores de eficiência e rendimento educacional de todos os níveis de ensino. As variáveis estão disponíveis com detalhamento até a esfera municipal e podem, ainda, ser analisadas em diferentes dimensões, de acordo com o interesse do usuário."

Ministério da Educação

Site oficial do MEC, contém as legislações da área, especificações sobre os programas e demais informações oficiais da educação no Brasil;

MEC / SESu – Secretaria de Educação Superior

Portal indispensável para quem realiza estudos sobre Educação Superior


01 junho 2017

Sobre uso de fotografias em relatórios e trabalho acadêmicos

Conforme vimos no post anterior, a fotografia foi inventada há cerca de 180 anos e ainda hoje é essencial para nossa comunicação e memórias pessoais e coletivas, além de provocar novas questões sociais com as inovações tecnológicas na área.

Por wildolive, 2010,
https://www.flickr.com/photos/molliejohanson/
A fotografia também é elemento importante para muitos trabalhos acadêmicos de praticamente todas as áreas do conhecimento. Muito se fala sobre a adequação do texto às normas, mas e as fotografias? 

Considerando fotografia aqui como retrato, imagem produzida por um/a fotógrafo/a e uma câmera (o que é diferente de figuras ou ilustrações) é preciso ter em mente que um dos pressupostos básicos para a existência das normas para trabalhos acadêmicos é a proteção da autoria e confiabilidade das informações na produção de conhecimento.

Neste blog há uma postagem específica sobre como indicar a descrição e a fonte de imagens utilizadas em trabalhos acadêmicos, o que também serve para a fotografia. [Como referenciar figuras e imagens] No entanto, a utilização de fotografias contém algumas questões a mais que considerei pertinentes para ampliar a discussão.

Quando utilizar uma fotografia em um trabalho, primeiramente, você deve saber, no mínimo, o nome de quem fotografou (pode ser o nome artístico), quem tem os direitos dessa fotografia, por exemplo, jornal ou agência de notícias e o ano em que foi tirada (se tiver a data completa, melhor). Apenas indicar o site de onde você buscou (especialmente em um trabalho que não é virtual) não é suficiente sem essas informações. Já para publicações na internet e em apresentações, as pessoas costumam ter menos cuidados e tenho visto que é aceitável incluir imagens sem colocar a fonte. No entanto, insisto que é importante colocar sempre as informações de autoria junto à foto, mesmo que não tenha todas.

30 maio 2017

Fotografia e sociedade: questões básicas para a discussão sobre o uso de fotografias em trabalhos acadêmicos

Imagine o mundo antes da fotografia. Para reproduzir concretamente uma imagem vista pelos olhos, era necessário realizar uma pintura ou desenho. Joseph Niepce, inventor francês, foi um dos primeiros a realizar experimentos com sucesso, ainda no final do século XVIII. Só em 1826 foi possível a primeira fotografia de fato, ainda com uma qualidade muito baixa e processo de confecção bastante trabalhoso e demorado. (1)

A primeira fotografia, produzida em 1826.
Fonte: http://dcl.umn.edu/ (Domínio público)
Por ser um evento raro na vida da maioria das pessoas da época, muitas só tiveram seu retrato produzido após a morte. É o caso das fotos post mortem, comuns no século XIX. Para nós, hoje, parece assombroso, mas na época era uma forma muito comum de obter uma última lembrança de um ente querido falecido, além de ser um dos raros momentos em que se conseguia reunir toda a família. Eram muito comuns também as fotos post mortem de crianças, devido à alta mortalidade infantil da época. (2)

A fotografia, apesar de inicialmente só ser acessível a famílias de grande poder aquisitivo, pouco a pouco passou a ser elemento cada vez mais importante para a história e as memórias pessoais, coletivas e institucionais, proporcionando uma forma de registrar acontecimentos e produzir patrimônio cultural para a humanidade.

Os filmes coloridos passaram a ser utilizados em larga escala a partir dos anos 1970, até o lançamento do método digital. Foi um salto muito significativo para a fotografia, pois modificou três questões importantes: (a) não há mais a dependência da quantidade de “poses” de um filme; (b) poder imprimir as fotos e não ser necessário o processo revelação, o que torna mais barata e rápida a materialização da fotografia. Além disso, (c) com a fotografia digital é possível ver a foto antes de imprimir, podendo mantê-la ou excluí-la.

Atualmente, após 180 anos do início da fotografia, a maior parte das pessoas dos centros urbanos do mundo possuem um aparelho smartphone com câmera digital, permitindo produzir inúmeras fotografias e publicá-las em seguida. À propósito, o processo de publicação e compartilhamento em redes sociais já tem substituído a impressão das fotos digitais. Está ficando cada vez mais raro que tenhamos as fotos em papel.

04 dezembro 2013

Como citar um tweet em um trabalho acadêmico?

Além de toda a importância que o Twitter conquistou nos últimos anos no campo informacional, atualmente várias informações chegam lá mais rápido que em outras mídias ou sites. Por isso, faz-se necessário, em muitos casos, utilizar informações geradas no Twitter como referência também em trabalhos acadêmicos. 

No Brasil ainda não há definição da ABNT sobre como um tweet deve ser citado. Contudo, a Modern Language Association criou uma forma padrão de citação para tweets. A citação seguiria o padrão a seguir.

Para pessoas:
Último nome, Primeiro nome (nome de usuário). "Tweet por completo". Data, horário. Tweet.
No caso de organizações:
Nome da organização (nome de usuário). "Tweet por completo". Data, horário. Tweet.
A URL da informação não é necessária, uma vez que dados muito antigos ficam indisponíveis na plataforma. Quanto ao horário, deve-se colocar o horário visto pelo leitor (não é preciso calcular o fuso horário). Deve-se ter a noção, porém, de que esse horário sempre será aproximado e nunca exato, devido às próprias características do Twitter.

Exemplos:


Santomé, Jurjo Torres (JurjoTorres). "FAES acapara la mitad de las subvenciones de Cultura destinadas a las fundaciones de los partidos políticos" 13/12/2013, 13:06. Tweet.


Creative Commons (creativecommons). "In case you missed Friday's big news: new CC license suite designed for intergovernmental organizations http://bit.ly/1clj1zX " 09/12/2013, 12:16. Tweet.



Social Biblio (socialbiblio). "#Socialbiblio ¿son los mensajes de correo-e documentos de archivo? Y otra pregunta: ¿quién es el responsable de la gestión del correo-e?" 11/12/13, 13:22. Tweet.


Dependendo do contexto do trabalho, talvez seja necessário colocar uma imagem do tweet (através do recurso print screen). Nesse caso, faça da mensagem destacada/expandida, como nos casos acima, pois dessa forma ficam registradas mais informações.

Caso você utilize a imagem do tweet, não se esqueça do colocar como legenda "Fonte: Twitter ". Veja mais sobre figuras em trabalhos em Como referenciar figuras e imagens.

Fontes:
How Do You Cite a Tweet in an Academic Paper?
How do I cite a tweet?

26 dezembro 2012

[Sugestão de artigo] Web 2.0 e Pesquisa: Um Estudo do Google Docs em Métodos Quantitativos

Resumo
As abordagens inovadoras de ensino vêm se configurando como o meio mais eficiente de se alcançar uma educação de qualidade. Nesse contexto, as ferramentas da Web 2.0 aliam-se cada vez mais às práticas educativas a fim de alcançar seus objetivos. Entretanto, percebemos que nas pesquisas Survey poucas mudanças ocorreram nas práticas de gerenciar/administrar os questionários. Diante desse quadro, este trabalho busca realizar reflexões sobre a contribuição das ferramentas da Web 2.0, em especial o Google Docs, na pesquisa Survey, partindo de questionamentos acerca do uso dessa ferramenta mediando os processos de elaboração, disponibilização e avaliação dos questionários. Procuramos responder aos questionamentos a partir de um estudo bibliográfico e análises de duas formas de apresentação dos questionários, uma na forma do texto impresso e outra através do Google Docs. Percebemos que o uso dessa ferramenta possibilita ao pesquisador uma diversidade de estratégias como também uma economia coletiva nos processos do método de pesquisa.

Palavras-chaves: Web 2.0. Google Docs. Questionários

Web 2.0 and Research: A Study of Quantitative Methods in Google Docs

Abstract
The innovative teaching approaches are becoming increasingly the most efficient way to achieve a quality education. In this context, Web 2.0 tools combine with increasingly educational practices in order to achieve their goals. However, we realize that the few changes occurred Survey research practices to manage / administer the questionnaires. Against this background, this paper seeks to make reflections on the contribution of Web 2.0 tools, especially Google Docs, Survey research, from questions about the use of this tool mediating the processes of development, delivery and evaluation of questionnaires. We try to answer the questions from a bibliographical study and analysis of two forms of presentation of questionnaires, one in the form of printed text and the other through Google Docs. We realized that using this tool allows the researcher to a variety of strategies as well as a collective economy in the processes of research method.

Keywords: Web 2.0. Google Docs. Questionnaires

Referência
SILVA, Adriana Freire da; LÓS, SILVA, Dayvid Evandro da; LÓS,  Djalma Rodolfo da Silva. Web 2.0 e Pesquisa: Um Estudo do Google Docs em Métodos Quantitativos. RENOTE - Revista Novas Tecnologias na Educação (UFRGS), v. 9, n. 2, 2011.

Clique aqui para acessar o texto completo do artigo em .pdf.

05 novembro 2012

Controle corporativo de dados compromete pesquisas na era da web



Este é um artigo publicado originalmente no jornal New York Times em maio de 2012 (clique aqui para ver o artigo, em inglês). Utilizei-o no meu TCC para tratar sobre a posse de dados primários de pesquisas que envolvam dados de usuários de redes sociais. Esses dados acabam sendo propriedade de empresas (Facebook, Google etc) as quais produzem pesquisas com base nesses dados, porém não admitem disponibilizá-los para a comunidade científica. Para diversos cientistas, esses dados privados estariam ameaçando os próprios fundamentos da pesquisa científica.

Quando os cientistas publicam suas pesquisas, eles também disponibilizam os dados subjacentes para que os resultados possam ser verificados por outros cientistas. É assim, pelo menos, que o sistema deveria funcionar. Mas ultimamente, os cientistas sociais têm se posicionado contra uma exceção que é, fazendo jus ao seu nome, enorme. Trata-se dos "grandes volumes de dados", enormes conjuntos de informações coletadas por pesquisadores de empresas como Facebook, Google e Microsoft a partir de padrões de chamadas de celular, mensagens de texto e cliques na internet registrados por milhões de usuários ao redor do mundo.
As empresas muitas vezes se recusam a tornar públicas essas informações, às vezes por razões de concorrência e às vezes para proteger a privacidade dos clientes. Porém, para muitos cientistas, a prática é um convite à má ciência, ao sigilo e mesmo a possíveis fraudes.
A questão se mostrou candente no mês passado em uma conferência científica realizada em Lyon, na França, quando três cientistas do Google e da Universidade de Cambridge se recusaram a liberar os dados que haviam compilado para um artigo sobre a popularidade dos vídeos do YouTube em diferentes países.
O presidente do painel de conferências ¿ Bernardo A. Huberman, físico que dirige o grupo de computação social no HP Labs, em Palo Alto ¿ reagiu irritado. No futuro, disse ele, a conferência não deveria aceitar trabalhos de autores que não disponibilizassem os seus dados ao público. Ele foi saudado por aplausos da plateia.
Em fevereiro, Huberman tinha publicado uma carta na revista Nature alertando para o fato de que os dados privados estavam ameaçando os próprios fundamentos da pesquisa científica. "Se um outro conjunto de dados não validar os resultados obtidos com os dados privados", perguntou, "como saberemos se é porque eles não são universais ou se é porque os autores cometeram um erro?".
Ele acrescentou que o controle corporativo de dados pode vir a dar acesso preferencial a um grupo de cientistas de elite, provenientes das maiores corporações. "Se essa tendência continuar", escreveu ele, "vamos ver um pequeno grupo de cientistas tendo acesso a repositórios de dados privados e desfrutando de uma atenção injusta da comunidade, em detrimento de pesquisadores igualmente talentosos cuja única falha é a falta das 'conexões' certas a dados privados".
O Facebook e a Microsoft se recusaram a comentar o assunto. Hal Varian, economista-chefe do Google, afirmou simpatizar com a ideia de dados abertos, mas acrescentou que as questões de privacidade eram significativas.

22 setembro 2012

A emergência de novidades metodológicas no campo virtual: uma análise de estudos no ciberespaço

Enquanto aguardo que o trabalho seja publicado no Lume, disponibilizo aqui o meu trabalho de conclusão de curso em Ciências Sociais, cujo tema são as novidades metodológicas em estudos das Ciências Sociais que têm a internet como campo de pesquisa.

Resumo

A proposta deste trabalho é analisar a emergência de novidades metodológicas na abordagem do campo virtual em uma amostra de estudos das ciências sociais que tiveram os ambientes virtuais como campo de pesquisa. O objetivo é conhecer as estrategias metodológicas desenvolvidas na pesquisa e observar o surgimento de novos conceitos. Para tanto, procurou-se tratar sobre a construção do conhecimento científico e a metodologia de pesquisa no contexto da sociedade da informação, focando as influências da internet na metodologia de pesquisa social. O ciberespaço, como uma dimensão da realidade social, tem sido objeto e campo de um número crescente de pesquisas na área de ciências sociais. Muitos desses estudos, em sua fase empírica, esbarraram nas diferenças que o ambiente virtual apresenta. Na análise, identifica-se essencialmente dois caminhos: os que empregam a mesma metodologia dos ambientes não-virtuais e os que, diante das  peculiaridades do ambiente virtual, adaptam, criam ou recriam os métodos e técnicas de pesquisa. Não só a pesquisa empírica passa por transformações, como a abordagem teórica também sofre com a definição dos termos, uma vez que as transformações nas denominações estão associadas também com a dinâmica da tecnologia material. De forma geral, a análise apresenta que os estudos têm observado diferentes aspectos possíveis da pesquisa na internet, trazendo tanto novidades metodológicas quanto metodologias típicas de espaços não-virtuais. O ciberespaço como campo traz novas questões ao pesquisador social na construção de sua metodologia de pesquisa, como a possibilidade de acesso a dados primários, a presença e o anonimato do observador, além da própria visão do autor sobre o que é o ciberespaço e a internet.

Palavras-chave: metodologia de pesquisa, ciberespaço, internet, pesquisa social em ambientes virtuais.

Clique para visualizar no Slideshare ou fazer download.






10 julho 2012

Fontes de informação em saúde

Especialmente para quem pesquisa na área da saúde, alguns desses sites são essenciais:

World Health Organization - Brasil
WHO é a sigla de World Health Organization, conhecida no Brasil como Organização Mundial de Saúde (OMS). É a principal organização de pesquisa e ação em saúde no mundo. Os dados que a OMS oferece são importíssimos na constituição de um trabalho científico na área de saúde que leve em conta aspectos quantitativos.


Um dos mais completos conjuntos de serviços de informação em saúde com acesso livre a resumos e publicações. Essencial, ainda contém diversos links para outros diretórios.


DataSUS dispõe de dados e estatísticas inclusive financeiras, sobre todo o SUS. Destaque para a seção de Informações em Saúde a qual remete para outros bancos de dados essenciais para a pesquisa em saúde.

Contém informações sobre saneamento, vacinação e combate a endemias. Entre outros, oferece acesso a legislação da área e uma biblioteca digital com vídeos e publicações.


Portal oficial do Ministério da Saúde com programas e projetos de saúde governamentais, notícias e legislação que rege os serviços de saúde no Brasil.


A ANVISA é responsável pela fiscalização da produção e da comercialização de produtos e serviços que possam influir sobre a saúde da sociedade e que sejam submetidos à vigilância sanitária. No site estão disponíveis legislações específicas, alertas, informas, notícias e uma gama de assuntos de interesse para profissionais da área.


Reúne informações sobre assuntos de saúde de modo abrangente, contendo atos normativos específicos, fóruns, atas das reuniões do conselho e até uma biblioteca virtual. Na biblioteca estão disponíveis diversos livros como o documento oficial da Política Nacional de Alimentação e Nutrição e a versão completa da Legislação em Saúde Mental.

Muitas dessas organizações também estão no Twitter, confira:

20 janeiro 2012

O que é SOPA e porque é importante entender

SOPA (Stop Online Piracy Act) é um projeto de lei apresentado à Câmara dos Deputados dos Estados Unidos em outubro de 2011 como um complemento do Protect IP Act (PIPA), apresentado em junho do mesmo ano.

Trata-se de uma medida que propõe o bloqueio de acesso a sites considerados como violadores da propriedade intelectual, o que significa que qualquer site que for acusado de "roubar"  imagem, vídeo, música, texto ou software de "propriedade" de algum cidadão ou empresa estadunidense (protegido pela lei de copyright) será bloqueado e  terá todas as referências em buscadores e outros sites imediatamente apagadas.

A justificativa é combater a pirataria online, o problema é que, com a SOPA, os sites primeiro seriam condenados e bloqueados (em até 5 dias após as acusações) e só depois poderiam entrar com a defesa, dando margem para injustiças que causariam enormes prejuízos, além de inverter um preceito básico do Direito, no qual o acusado só é condenado após um julgamento, onde se apresentam as provas do "roubo" e o acusado tem a chance de se defender.

Apesar de serem projetos de lei dos Estados Unidos, afetam diretamente o modo como navegamos e utilizamos a internet aqui no Brasil e em todo o mundo, uma vez que os principais buscadores, provedores de conteúdo e redes sociais estão sediados nos EUA.

Na última quarta-feira, 18 de janeiro, pelo menos 10 mil sites só nos EUA, entre eles a Wikipedia, protestaram contra os projetos.

Se você preza pelo modo como atualmente utilizamos a internet, como ferramenta de compartilhamento e busca de informação e cultura, é importante discutir sobre o assunto. Vale também lembrar que este site possui a  licença Creative Commons, que permite o livre acesso e distribuição dos conteúdos publicados, desde que mencione a referência. :)

Alguns artigos sobre o assunto:

SOPA é o mesmo que vetar palavrões no dicionário, diz especialista
O que é o SOPA (Stop Online Piracy Act) e porque ele é tão perigoso


30 abril 2011

IBGE lança mapa-múndi interativo


ibgeRecebi por email a indicação de um site muito interessante construído pelo IBGE. Trata-se de um mapa-múndi interativo, com  informações de todos os países, agrupadas em temas como dados populacionais, indicadores sociais, economia, redes, meio ambiente e objetivos do milênio.

As informações são curtas e objetivas, portanto, não servem para um trabalho que necessite de maior aprofundamento. Entretanto, é uma ferramenta bastante interessante para se observar os contrastes mundiais e ficar atualizado com um pouco da conjuntura mundial. ;)

Acesse: http://www.ibge.gov.br/paisesat/main.php


19 fevereiro 2011

Links importantes em pesquisa (III) - Produtividade e Organização Pessoal

Voltando de férias, chega a hora de pensarmos sobre produtividade. Pra quem conseguiu descansar um pouquinho nesse verão, é bem difícil voltar ao ritmo e se acostumar novamente com a jornada. Como as aulas estarão recomeçando em breve, é mais um motivo pra procurar formas de se organizar e reambientar à rotina. Para isso, aí vão algumas dicas de links que tratam sobre o assunto ;)



37 Productivity Tips for Working From Anywhere - (em inglês)  dicas de produtividade em diversos ambientes como o trabalho em casa ("home office"), as atividades no local de trabalho, espaços compartilhados e até viajando.

Curso de Organização Pessoal - um e-book produzido pelo Portal Educação, oferece ótimas dicas sobre organização pessoal, uso da agenda, arquivos, gestão do tempo, entre outros.

Mind Meister - o Mind Meister é uma ferramenta bastante interessante para a produção de mapas mentais para realização de projetos e organização de ideias.

Ways to deal with distraction - uma coletânea de posts do site Productivity 501 para auxiliar na melhora do foco e da dedicação nas atividades. Vale conferir o site todo!



Veja também: 


27 janeiro 2011

We All Want to Be Young

O documentário We All Want to Be Young, produzido pela empresa BOX1824 (especializada em pesquisas de comportamento e consumo) é um excelente recorte sobre as modificações nas tendências de comportamento dos jovens nas últimas décadas. Catalisadores de grandes mudanças, acabam por influenciar e gerar mudanças em toda a cadeia produtiva, nas formas de se comunicar, produzir, consumir, nos relacionamentos e no trabalho. Essas novas formas de pensar/sentir/agir estão presentes na internet, especialmente na emergência de se acompanhar diversas coisas ao mesmo tempo. Se você se identifica com essa conjuntura, vale a pena assistir o curta!



Obs.: meu amigo Rafael Nakatsui utilizou o vídeo como referência em seu trabalho de conclusão, colocando, inclusive, a transcrição do filme nos anexos. Para conferir o trabalho, clique aqui.

23 novembro 2010

MORE - Mecanismo Online para Referências



O MORE - Mecanismo Online para Referências é um sistema criado pela UFSC para gerar automaticamente referências já adequadas às normas da ABNT. É uma ferramenta muito útil que sempre utilizo e recomendo. Não deixa de ser importante procurar entender como e por quê as referências se constituem de tal forma, no entanto, o sistema gerador de referências agiliza bastante o trabalho. :)

Sobre referências, veja também outras postagens em Índice temático.

03 novembro 2010

Para organizar as tarefas: Todoist

Uma dica pra quem procura uma agenda ou lista de tarefas online simples e eficiente. Uso o Todoist há quase 2 anos e recomendo muito, especialmente para os que (como eu) possuem várias tarefas e pouca memória. Com uma interface que lembra o estilo do Google, é possível agregar as tarefas por contexto, listar prioridades, acessar através do celular e ainda mesclar tudo com o Gmail. :)

Clique na imagem para observar como funciona:




07 outubro 2010

Lume - Repositório Digital da UFRGS

A fim de disponibilizar as produções científicas da universidade, a UFRGS criou um repositório digital de artigos, monografias, dissertações, teses, fotos entre outros trabalhos gerados no âmbito da universidade. São milhares de trabalhos cadastrados e classificados por áreas de conhecimento como Ciências Agrárias, Biológicas, da Saúde, Exatas e da Terra, Humanas, Sociais Aplicadas, Engenharias e Lingüística, Letras e Artes.

O objetivo é que esses trabalhos possam ser facilmente acessados, aumentando a visibilidade da produção intelectual da universidade. 

O repositório pode ser acessado em http://www.lume.ufrgs.br