Nesta semana completamos 60 dias de aulas presenciais suspensas em Santa Catarina devido à pandemia do novo coronavírus. As aulas no ensino básico foram retomadas de forma não presencial e o trabalho passou a ser remoto.
Nesse período, tivemos que rapidamente pensar estratégias de ensino nessa modalidade. Os desafios e críticas são inúmeros, considerando a dificuldade de acesso igualitário aos meios para participação nas atividades escolares, sem falar na falta de apoio em casa e superação das dificuldades de aprendizagem que já eram presentes.
Com a pressão do discurso “não podemos parar”, seguimos com as atividades escolares por meio de plataformas de ensino, e-mails, WhatsApp entre outros.
O objetivo deste texto é indicar algumas das ferramentas digitais que tenho utilizado para o ensino em tempos de distanciamento social.
*Anchor.fm(celular e computador) - aplicativo para criação e edição de podcasts. Possui vinhetas, transições, possibilidade de importar áudios e editá-los, além de gravar no próprio aplicativo. Ele mesmo faz a distribuição dos episódios criados no Spotify, Google Podcast, Itunes, entre outros.
*CamScanner (celular) - faz o scan inteligente de fotos e documentos em vários formatos.
*DroidCam (celular e computador) - para utilizar a câmera do celular como webcam no computador de mesa.
*Screencastify(computador) - essa extensão do Chrome proporciona que você grave a tela do computador com a sua voz e imagem ao mesmo tempo. É excelente para revisar exercícios na tela ou explicar uma atividade.
*Trello (celular e computador) - para organização do planejamento, roteiros de estudos, referências, tarefas etc.
Para videoconferências, tenho utilizado os aplicativos que os locais de trabalho solicitam, como Teams, Cisco Webex Meetings e Google Meet.
Alguma dúvida ou indicação? Envie nos comentários.
Fonte da imagem: https://www.flickr.com/photos/61929320@N04/
Como citar este texto
PEREIRA, Vanessa Souza. 5 aplicativos para professores em trabalho remoto. Contornos Educação e Pesquisa,
Florianópolis, 2020. Disponível em:
<http://www.contornospesquisa.org/2020/05/5-aplicativos-para-professores-em.html>.
Acesso em: dia/mês/ano.
A equipe de produção da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) construiu um Recurso Educacional Aberto (REA) sobre estratégias de leitura de textos acadêmicos. A ideia é auxiliar as pessoas a compreender textos, artigos acadêmicos e científicos, por meio da elaboração de uma ficha de leitura.
Ao longo dos últimos anos, estou tendo a oportunidade de trabalhar com diferentes segmentos do ensino básico. Essa vivência profissional e pessoal tem sido bastante intensa, pois as demandas, necessidades e imprevistos acabam tomando conta do cotidiano. Ainda assim, as dificuldades algumas vezes foram importantes para o desenvolvimento de estratégias de superação.
Uma das experiências mais ricas e desafiadoras se deram como docente de Ciências Humanas nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. É um rico momento da vida escolar para suscitar o interesse na área, despertar a curiosidade científica e o olhar crítico. No entanto, a realidade da sala de aula exige intensa dedicação na criação de ideias para cada momento, pois a atenção do educando tem de ser conquistada várias vezes ao longo de uma aula.
Ao trabalhar com os Anos Iniciais, compreendi a forte necessidade de se organizar o espaço, o quadro (apagar registros anteriores, colocar data e alguma observação sobre o dia, atividades e conteúdos programados) e realizar uma acolhida, especialmente quando for a primeira aula do turno. Essa acolhida pode ser uma história, uma dinâmica, uma música, um vídeo... Ter essa rotina contribui muito para o envolvimento nas propostas didáticas, pois é um momento de conexão entre a professora e o grupo e no grupo entre si.
Para as acolhidas que envolviam imagens e vídeos (ou outra atividade que envolva essas ou outras mídias), criei um instrumento de registro para o momento. O registro é importante para estimular a reflexão, a escrita e a expressão do educando que muitas vezes está em uma fase inicial de seu processo de alfabetização.
Como citar este texto PEREIRA, Vanessa Souza. Cartões de análise para imagens e vídeos - Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Contornos Educação e Pesquisa, Florianópolis, 2019. Disponível em: <http://www.contornospesquisa.org/2019/10/cartoes-de-analise-para-imagens-e.html>. Acesso em: dia/mês/ano.
Participei recentemente um curso sobre diferentes gêneros textuais em sala de aula e nele tive a oportunidade de pensar a utilização de 4 diferentes gêneros nas aulas de Sociologia: (1) tirinhas, (2) charges, (3) pinturas e (4) propagandas.
Segue o que analisei como registro e socialização para docentes do componente. ;)
A tirinha de Quino mostra o início de uma movimentação de pessoas em torno de uma informação que Mafalda aparentemente desconhecia, mas decidiu ir junto para ver o que era. Deparou-se com uma multidão cercando uma menina com olhares de espanto e ela, constrangida, com o pensamento “Quem espalhou que eu não gosto dos Beatles?”.
É possível relacionar a tirinha com alguns conceitos da obra de Émile Durkheim, como fato social, instituições sociais, coercitividade e coesão social. A tirinha pode ser um instrumento para ilustrar como ocorre a coercitividade, de modo que quando algo foge dos padrões sociais aceitos no momento, tende a ser considerado motivo de estranhamento, espanto ou perseguição.
No caso, além da coerção ocorrer em torno da menina que não gosta dos Beatles, está presente também quando Mafalda e várias das pessoas ao redor se deslocam para o mesmo ponto aparentemente sem saber do que se trata. Entende-se que a movimentação de uma multidão contribuiu para aguçar a curiosidade de Mafalda sobre o que as movia.
Essas questões podem ser discutidas com mais exemplos do que popularmente se chama de “comportamento de manada” ou “maria-vai-com-as-outras”, fatos sociais presentes no cotidiano dos adolescentes inclusive nos ambientes virtuais.
A charge de Savron publicada em 2019 retrata uma montanha de corpos de pessoas negras sem feições, ensanguentados e empilhados embaixo de uma representação da estátua do Cristo Redentor. O sangue se acumula na base da pilha de corpos, o que se relaciona com a forma como esses corpos são tratados, mais um em uma montanha. Não há outros elementos ou texto verbal. A crítica da charge remete aos repetidos casos de assassinatos de moradores de comunidades do Rio de Janeiro dominadas pela milícia, o tráfico e a ostensiva presença policial.
Na escrita em ambientes virtuais, letras maiúsculas significam que a pessoa está gritando, o que enfatiza o argumento que a charge traz com a imagem: a relação entre religião, poder, política e a atuação do Estado por meio da ação policial nas comunidades em situação de vulnerabilidade social.
3. Pintura
Pawel Kuczynski é um artista polonês cuja obra nos convida a refletir sobre o modo como utilizando as mídias e novas tecnologias de comunicação e informação.
Ao analisar uma das obras de Kuczynski em uma proposta didática no componente de Sociologia no Ensino Médio, várias questões podem ser discutidas, como o papel social do jornalismo, a grande mídia, as mídias independentes, as dinâmicas das redes sociais, os linchamentos virtuais, entre outros assuntos emergentes decorrentes da relação entre comunicação, novas tecnologias, sociedade e violência.
É possível ainda fazer relação com o texto de Bertold Brecht “Há muitas maneiras de matar”, pensando nas diferentes formas de violência que podem ocorrer nos ambientes virtuais.
“Há muitas maneiras de matar. Podem enfiar-te uma faca na barriga, arrancar-te o pão, não te curar de uma enfermidade, meter-te numa casa sem condições, torturar-te até a morte por meio de um trabalho, levar-te para a guerra, etc. Somente poucas destas coisas estão proibidas na nossa cidade.”
A peça analisada a seguir é uma campanha publicitária de enfrentamento e reflexão sobre a construção social do machismo pelo governo do Equador.
Considerando a visão de Charaudeau (2008), podemos observar que a peça mobiliza o emocional demonstrando a forma como somos impelidos desde antes de vir ao mundo pela família e pela sociedade a seguir determinados padrões de gênero. Tudo o que se refere à menina tem a cor rosa e remete à beleza física, delicadeza e submissão, enquanto o menino utiliza a cor azul e apresenta agressividade, impaciência, inclinação aos esportes e à violência. Ao longo do vídeo estão presentes vários objetos que remetem metaforicamente aos papéis de gênero, como bonecas, roupa de princesa, produtos de beleza, tanque de guerra e armas de brinquedo. A música que embala o comercial tem tom jocoso, o que demonstra como os comportamentos em questão são reproduzidos sem reflexão e com o incentivo das famílias.
As imagens e símbolos não verbais têm grande influência na construção do argumento, especialmente quando os jovens adolescentes recebem um presente: um par de algemas para a menina e luvas de boxe para o menino, remetendo às posições de submissão e opressão, respectivamente. A mensagem não deixa dúvidas que as mulheres estão em posição de desvantagem nessa relação, que vai se desenvolvendo até culminar no matrimônio e a geração de descendentes desse casal.
O narrador é um homem e seu tom é grave, cujo ethos associa a ideia a uma questão urgente a ser pensada por todos os gêneros, ou seja, não é algo apenas de interesse das mulheres. O orador aparece apenas no final do vídeo com o comando “o machismo é um mal que se aprende, está em ti poder eliminá-lo. Reage, Equador, machismo é violência”.