Contornos - Educação e Pesquisa

07 setembro 2011

Objetivos em um projeto de pesquisa

No momento da elaboração dos objetivos para um projeto de pesquisa, é bastante comum a questão sobre os verbos a serem utilizados. Em primeiro lugar, é importante que dentro dos objetivos específicos, estes sejam listados em uma hierarquia de importância no processo investigativo. Por exemplo: primeiro se busca observar ou reconhecer para depois ordenar, especificar ou relatar e, mais adiante, explicar, analisar, relacionar ou distinguir.

Abaixo seguem alguns verbos que podem auxiliar na organização dos objetivos do projeto:



NÍVEIS
VERBOS
CONHECIMENTO
A apropriação do conhecimento pelo pensamento, seja qual for a concepção dessa apropriação: como definição, percepção clara, apreensão completa, análise, etc.
Apontar
Registrar
Enunciar
Enumerar
Citar
Exemplificar
Marcar
Reconhecer
Repetir
Identificar
Medir
Classificar
Evocar
Nomear
Relacionar
Distinguir
Estabelecer
Inscrever
Ordenar
Definir
Relatar
Expressar
Sublinhar
Calcular
Descrever
Especificar
COMPREENSÃO
Habilidade de exprimir, com precisão de conceitos, identificando-os em situações diversas, demonstrando-os ou explicando-os.
Concluir
Determinar
Estimar
Ilustrar
Interpretar
Predizer
Relatar
Traduzir
Deduzir
Descrever
Explicar
Induzir
Localizar
Preparar
Reorganizar
Transcrever
Demonstrar
Diferenciar
Exprimir
Inferir
Modificar
Prever
Representar
Transformar
Derivar
Discutir
Extrapolar
Interpolar
Narrar
Reafirmar
Revisar
Transmitir
APLICAÇÃO
Habilidade de empregar princípios, regras ou métodos adquiridos na resolução de situações-problema.
Aplicar
Empregar
Ilustrar
Operar
Selecionar
Demonstrar
Estruturar
Inventariar
Interpretar
Usar
Desenvolver
Esboçar
Organizar
Praticar
Dramatizar
Generalizar
Relacionar
Traçar

ANÁLISE
Habilidade de distinguir elementos de uma comunicação, sua inter-relação e estruturação.
Analisar
Comparar
Debater
Discutir
Investigar
Calcular
Criticar
Discriminar
Identificar
Examinar
Combinar
Contrastar
Detectar
Experimentar
Provar
Categorizar
Correlacionar
Diferenciar
Distinguir
Deduzir

SÍNTESE
Habilidade de estruturar um conjunto de conhecimentos pessoais; elaborar planos de uma seqüência de operações; de deduzir relações abstratas, produzindo trabalhos originais.
Comunicar
Originar
Planejar
Organizar
Especificar
Formular
Produzir
Coordenar
Constituir
Conjugar
Compor
Documentar
Criar
Esquematizar
Construir
Escrever
Dirigir
Erigir
Codificar
Propor
AVALIAÇÃO
Habilidade de emitir julgamentos a partir de observações sobre a estrutura do material ou a partir de critérios externos.
Argumentar
Decidir
Medir
Validar
Estimar
Precisar
Valorizar
Comparar
Escolher
Taxar
Contrastar
Julgar
Selecionar

21 julho 2011

Formatação de tabelas e quadros

Quais as semelhanças e diferenças entre tabelas e quadros? Qual a utilidade de cada um? Como são formatados? Essas são dúvidas muito comuns e importantes, pois podem comprometer o trabalho.

As tabelas e quadros são elementos importantes em um trabalho pois ilustram os dados de uma forma melhor visualizável que o corpo do texto. Às vezes, relatar os dados ao longo do texto torna-se muito enfadonho e pouco entendível para o leitor, sendo mais adequado o uso de uma tabela ou um quadro para facilitar a leitura dos dados de sua pesquisa.

As tabelas são utilizadas quando os dados a serem demonstrados são numéricos/estatísticos, enquanto os quadros são predominantemente constituídos de dados em forma de texto.

Tanto as tabelas quanto os quadros possuem título e fonte. O título é a identificação do objeto e a fonte indica a referência de onde o elemento foi retirado (no caso de não ter sido elaborado pelo autor do trabalho).

O IBGE define que a formatação das tabelas deve seguir os seguintes parâmetros:

- Centralizada na página;
- Fonte tamanho 10pt (mínimo) a 12pt (máximo);
- Caso a tabela não caiba em uma só página, pode ser dividida, repetindo o cabeçalho;
- Título em negrito e centralizado, acima da tabela;
- Fonte abaixo da tabela, margem alinhada à esquerda (tamanho 10pt)
- Não utiliza-se bordas laterais, apenas acima e abaixo do cabeçalho e abaixo da última linha da tabela, conforme a figura abaixo:

 Fonte: IBGE

Já os quadros, seguem a mesma formatação das tabelas, porém com uma diferença: há bordas nas laterais. O tamanho e alinhamento da letra, além da posição do título e da fonte (referência) são os mesmos da tabela. ;)

Veja também: Indicações básicas sobre o uso de tabelas e gráficos

21 junho 2011

Como "conectar" argumentos de autores no texto


Complementando o post Citações: para quê servem? Como utilizar e formatar referências no corpo do trabalho, seguem algumas sugestões sobre a utilização de relações entre o problema de pesquisa e as ideias que constituem o referencial teórico do trabalho.

No momento de utilizar uma citação, seja direta ou indireta, não basta apenas "jogar" o trecho original ao longo do texto, é imprescindível que se faça a relação entre o que está sendo exposto por você, pelo autor em questão ou ainda entre outros autores, demonstrando se suas ideias se complementam, se sucedem ou se confrontam. 

Para realizar essa conexão, utilizamos expressões como:
Conforme...
Segundo...
De acordo com...
Como descrito por...
Como caracteriza...
Na opinião de...
Para...
Afirma...
Na visão de...
Do ponto de vista de...
...exemplifica...
...aponta que...
...coloca que...
...explicita seus pressupostos...
...quando afirma...
...alega que...
...conceitua...
...caracteriza...
...expõe...
...compreende que...
Enquanto estiver realizando leituras preliminares para o trabalho, procure manter o hábito de anotar a referência completa, especialmente as páginas onde estão localizadas as citações que serão posteriormente utilizadas.


Se você quiser saber mais, ouça o podcast da Prof. Mirian Carla sobre argumentação e operadores argumentativos: "Depois de ler em meu face"... argumentação e operadores argumentativos


Veja também:

31 maio 2011

Entrevistas: detalhes importantes para as questões


A entrevista é, basicamente, um método de coleta/produção de dados sonoros/textuais largamente utilizado em várias áreas do conhecimento, especialmente nas Ciências Humanas. As entrevistas são classificadas segundo o grau de estruturação das questões, ou seja, quanto ao grau de abertura de cada pergunta.
O tipo de entrevista a ser escolhida depende do tipo de informação que se busca construir, além do tempo para análise e possibilidade de comparação entre as respostas. Por exemplo, as entrevistas estruturadas buscam um elevado grau de padronização das respostas, sendo mais indicada para pesquisas que necessitem de um grande número de sujeitos. Entretanto, entrevistas menos estruturadas aumentam as possibilidades de captação de aspectos subjetivos que, dependendo do problema de pesquisa, podem ser essenciais.



Alguns pontos importantes para observar

 - Se você pretende obter maior profundidade nas respostas, recomenda-se iniciar a entrevista com questões mais abertas, pois questões fechadas no início da entrevista tendem a influenciar o respondente, incitando-o a dar respostas mais curtas e objetivas. Entretanto, essa dica só vale para o caso das entrevistas semi-estruturadas, as quais podem variar quanto à estruturação das questões.

- Tome cuidado para que as questões estejam definidas com foco no problema de pesquisa. Tenha em mente (melhor ainda: em um roteiro) o que você efetivamente quer saber. Pode parecer bobagem, mas ao escapar do foco, você pode acabar gastando um tempo precioso para outras questões e esgotar o entrevistado antes de chegar ao seu objetivo.

- Ao construir as questões, faça referências para que a pessoa possa organizar o pensamento e estruturar a resposta. Por exemplo, dizer "fale sobre a sua comunidade" gera respostas bem diferentes de "fale um pouco sobre a sua vida na comunidade, o que há de bom e de ruim, como é a infraestrutura, as relações entre os vizinhos, etc."

Lembre-se que você como entrevistador(a) e pesquisador(a) participa da construção das informações junto com o respondente. O modo como você produzirá as questões e abordará os sujeitos influenciará diversos aspectos das respostas. ;)


REFERÊNCIAS

PINTO, Céli Regina J.; GUAZZELLI, Cesar A. B. Ciências Humanas - pesquisa e método. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2008.

TRIVIÑOS, Augusto N. S. Bases Teórico-Metodológicas da Pesquisa Qualitativa em Ciências Sociais: ideias gerais para a elaboração de um projeto de pesquisa. Cadernos de Pesquisa Ritter dos Reis, v. IV. 2ª ed. Porto Alegre: Faculdades Integradas Ritter dos Reis, 2001.