Contornos - Educação e Pesquisa

24 maio 2012

Referências para documentos em meio virtual

Com a disseminação de documentos e estudos pela web, pesquisadores e estudantes têm suas fontes de pesquisa cada vez mais acessíveis através da internet. Contudo, na hora de montar as referências de um trabalho é muito comum surgir a dúvida: como fazer as referências de um material online? Veja como é fácil.

A estrutura da referência sempre obedecerá às normas gerais, porém no caso de o documento estar acessível na internet, deve-se acrescentar o dado "Disponível em: < ... >; Acesso em: mês. ano"

Só colocar o endereço não basta, não esqueça de mencionar sempre o nome do autor, do site e do artigo (se for o caso), caso contrário a referência fica incompleta. 

Observe os exemplos:

Obra no todo:
FRANÇA, Álvaro Sólon. Previdência Social e a Economia dos Municípios. 5ª ed. Brasília: ANFIP, 2004. Disponível em http://www.mpas.gov.br/arquivos/office/3_081014-104850-324.pdf;. Acesso em 13 jun. 2010.
Artigo de periódico com versão online:
GIOLO, Jaime. Educação à distância: tensões entre o público e o privado. Educação & Sociedade. vol. 31 n. 113 Campinas, 2010. p. 1271-1298. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-73302010000400012&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt;. Acesso em: 05 abr. 2011.
Monografia, dissertação ou tese:
MOURA, Cinara M. Intersecções entre Gestão do Conhecimento, Relações Públicas e espaços virtuais de interação: a experiência da plataforma Fiat Mio. Trabalho de Conclusão do Curso de Relações Públicas. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, dez. 2010. Disponível em: http://www.slideshare.net/vaalw/interseces-entre-gesto-do-conhecimento-relaes-pblicas-e-espaos-virtuais-de-interao;. Acesso em: nov. 2010.

Site, blog ou portal no todo: 
AUTORIA. Título da página que aparece na barra superior. Disponível em <http://endereço>. Acesso em: data
PEREIRA, Vanessa Souza. Contornos - Educação e Pesquisa. Disponível em http://www.contornospesquisa.org;. Acesso em 06 abr. 2011.
Post ou artigo de blog ou site:
PEREIRA, Vanessa Souza. Conjunções: dicas de uso. In: Contornos - Educação e Pesquisa. Disponível em http://www.contornospesquisa.org/2010/10/conjuncoes.html. Acesso em 06 abr. 2011.


11 abril 2012

Pesquisa Documental: utilização e abordagens metodológicas

A pesquisa documental é um recurso metodológico ainda visto como um complemento à produção de dados na prática de pesquisa social. É comum observarmos a utilização dos documentos nas pesquisas como uma ferramenta para reforçar o entendimento, situando relatos em um contexto histórico ou como um método que possibilita comparações entre as interpretações do observador com documentos relacionados.
Entretanto, Tim May (2004) apresenta outras perspectivas que elevam a pesquisa documental como um método que possui seus próprios méritos e potencialidades ainda pouco reconhecidas.

Por que não há tantos textos dedicados à pesquisa documental como outros métodos mais conhecidos?

May aponta três possíveis respostas para esse fenômeno. Uma é a influência positivista que rejeita a utilização de dados como base para uma pesquisa, considerando-os um “empirismo grosseiro”. Também há a ideia de que a pesquisa documental remeteria à pesquisa histórica, como se estivesse distante das Ciências Sociais (e de outras áreas do conhecimento). Além disso, a pesquisa documental dificilmente é considerada como um método, pois dizer que se utilizará documentos é não dizer nada sobre como eles serão utilizados. Desenvolveremos esse “como utilizar” mais adiante.

Fontes da pesquisa documental: como definir os documentos

John Scott (1990, apud May, 2004) define os documentos, em um sentido geral, como textos escritos, tanto em papel quanto em arquivos de computador, os quais têm o conteúdo como propósito primário. Podem ser considerados para a pesquisa documental: relatórios, estatísticas oficiais, registros governamentais, discursos, conteúdo de mídia de massa, romances, peças, desenhos, mapas, documentos pessoais, diários, fotografias e uma gama de materiais.

02 abril 2012

Existe dupla negação na língua portuguesa?

Tive essa dúvida por muito tempo, pois a resposta que me davam não me convencia. A língua portuguesa é muito rica, temos uma quantidade muito maior de vocábulos e, consequentemente, de combinações e diversidade de composições do que a língua inglesa, por exemplo. Dessa forma, temos que observar que as línguas possuem diferentes estruturas e que não podem ser pensadas da mesma forma.

Um dia vi, por acaso, no canal Futura, o famoso prof. Pasquale falando justamente sobre isso. Segundo ele, essa dúvida vem de uma confusão com a estrutura da língua inglesa, que não admite a dupla negação. As línguas derivadas do latim (como o português, o espanhol e o italiano) podem sim negar duas vezes na mesma frase.

Como não consegui encontrar o vídeo dessa aula do Pasquale (era bem antigo), indico um trecho de um texto dele na Folha de São Paulo em 2009, comentando sobre uma questão do vestibular da Unicamp cujo tema seria justamente este.

Refiro-me à dupla negação ("Não há nenhuma medida..."). Não são poucas as mensagens que recebo a respeito disso ("É possível negar duas vezes?"; "Menos com menos não dá mais?"; "Se eu digo que não encontrei ninguém, isso não significa que eu encontrei alguém?").
Devagar com o andor, caro leitor. Nem pensar em fazer a tal conta. Se eu digo que não vi ninguém, isso significa que vi zero pessoa, nada, pessoa alguma, ninguenzinho mesmo.
A dupla negação como a que fazemos, que realmente não ocorre em inglês, é mais que comum em italiano, espanhol... Nossa velha frase "Não conheço ninguém", por exemplo, em espanhol corresponde a "No conozco a nadie". Em italiano, corresponde a "Non conosco nessuno". Em ambas se nota a dupla negação ("no" e "nadie", em espanhol, e "no" e "nessuno", em italiano). É isso. 

Foto por Virtual EyeSee - https://www.flickr.com/photos/virtualeyesee/


25 fevereiro 2012

Elaboração do projeto de pesquisa: a definição do objeto

O primeiro capítulo de Triviños (2001) dedica-se à tarefa de elaboração de um projeto de pesquisa. O que um pesquisador precisa pensar para desenvolver o seu projeto? O autor defende que essa elaboração seria constituída das seguintes etapas:

a) definição do objeto de estudo;
b) opção pelos aspectos metodológicos ou abordagem metodológica do estudo;
c) cronograma de execução;
d) anexos;
e) referências.

Neste primeiro momento, vamos desenvolver um pouco sobre a primeira etapa: a definição do objeto.


A definição do objeto (ou problema de pesquisa) é a etapa na qual o pesquisador irá decidir delimitar o que deseja estudar. Para começar, é essencial que realize uma pesquisa bibliográfica sobre o tema, fazendo uma seleção de materiais em bibliotecas, acervos online e outras fontes (veja mais sobre fontes de referência).

É importante conhecer outros estudos sobre a temática e observar as bases teóricas nas quais estão sustentadas as ideias de cada autor. Assim é bem provável que o pesquisador visualize o potencial de outros ângulos do problema ou a possibilidade de uma nova proposta de abordagem teórico-metodológica para a questão de interesse. Nesse momento, é possível que a primeira ideia de problema tenha sido consideravelmente modificada, pois o autor tende a obter novas propostas de estudo a medida em que aprofunda o seu conhecimento na questão. Entretanto, em um dado momento, é preciso ter o cuidado de delimitar a questão e seguir com o foco nela. 

Nessa etapa, uma aproximação empírica é bastante indicada. A pesquisa exploratória deve constar no projeto, podendo ser apresentada como um ensaio da aproximação que se realizará posteriormente (o trabalho de campo). O trabalho de campo exploratório também auxilia no desenvolvimento de questões, objetivos e abordagens complementares à pesquisa bibliográfica.

Sobre as questões teóricas, Triviños assume que as teorias que escolhemos para sustentar ou refutar uma hipótese ou argumento estão unidas à nossa maneira de apreciar o mundo. Temos concepções gerais da realidade, nossas maneiras de pensar sobre o mundo. Tudo isso está ligado aos argumentos que vamos aceitar como verdadeiros e utilizar na nossa definição e argumentação sobre dado tema. 

Dessa forma, no texto científico, buscamos definir pormenorizadamente cada conceito de uma teoria, com os entendemos e como cabem na problemática. No estudo das referências da temática de interesse, possivelmente o pesquisador encontrará tendências teóricas gerais (positivismo, marxismo, estruturalismo, pós-estruturalismo, estrutural-funcionalismo, etnometodologia...) e teorias específicas (construtivismo genético de Piaget, teoria do discurso de Foulcault, materialismo histórico de Marx etc) as quais irão inspirar o autor na abordagem do problema de pesquisa. 

Além disso, as escolhas teóricas também podem orientar os aspectos metodológicos, pois teoria e método estão ligados no sentido que o paradigma determinará a matiz dos resultados. Dito de outra forma, as teorias "pedem" determinados enfoques práticos do problema. Mas, a partir daqui, estamos falando do que Triviños considera como a segunda etapa da elaboração do projeto, a  abordagem metodológica do estudo, que desenvolveremos mais adiante. :)

Referência:

TRIVIÑOS, Augusto Nibaldo Silva. Cadernos de Pesquisa Ritter dos Reis - vol. IV. Bases Teórico-Metodológicas da Pesquisa Qualitativa em Ciências Sociais. 2ª ed. Porto Alegre: Ritter dos Reis, 2001.