Contornos - Educação e Pesquisa

20 janeiro 2012

O que é SOPA e porque é importante entender

SOPA (Stop Online Piracy Act) é um projeto de lei apresentado à Câmara dos Deputados dos Estados Unidos em outubro de 2011 como um complemento do Protect IP Act (PIPA), apresentado em junho do mesmo ano.

Trata-se de uma medida que propõe o bloqueio de acesso a sites considerados como violadores da propriedade intelectual, o que significa que qualquer site que for acusado de "roubar"  imagem, vídeo, música, texto ou software de "propriedade" de algum cidadão ou empresa estadunidense (protegido pela lei de copyright) será bloqueado e  terá todas as referências em buscadores e outros sites imediatamente apagadas.

A justificativa é combater a pirataria online, o problema é que, com a SOPA, os sites primeiro seriam condenados e bloqueados (em até 5 dias após as acusações) e só depois poderiam entrar com a defesa, dando margem para injustiças que causariam enormes prejuízos, além de inverter um preceito básico do Direito, no qual o acusado só é condenado após um julgamento, onde se apresentam as provas do "roubo" e o acusado tem a chance de se defender.

Apesar de serem projetos de lei dos Estados Unidos, afetam diretamente o modo como navegamos e utilizamos a internet aqui no Brasil e em todo o mundo, uma vez que os principais buscadores, provedores de conteúdo e redes sociais estão sediados nos EUA.

Na última quarta-feira, 18 de janeiro, pelo menos 10 mil sites só nos EUA, entre eles a Wikipedia, protestaram contra os projetos.

Se você preza pelo modo como atualmente utilizamos a internet, como ferramenta de compartilhamento e busca de informação e cultura, é importante discutir sobre o assunto. Vale também lembrar que este site possui a  licença Creative Commons, que permite o livre acesso e distribuição dos conteúdos publicados, desde que mencione a referência. :)

Alguns artigos sobre o assunto:

SOPA é o mesmo que vetar palavrões no dicionário, diz especialista
O que é o SOPA (Stop Online Piracy Act) e porque ele é tão perigoso


09 dezembro 2011

Como construí meu problema de pesquisa de TCC

Estou pensando nessa postagem há muito tempo, mas não é fácil começar. Há mais ou menos 6 meses, comecei a pensar a sério no TCC. Até dizer "esse tema vale a pena"... tem que ter pensado (e de preferência lido) bastante. Eu pensei muito mais do que li, mas, mesmo assim, acho que encontrei.

A primeira coisa que eu pensei foi como a pesquisa seria "operacionalmente", ou seja, qual seriam os procedimentos metodológicos que eu utilizaria. Eu gosto muito de trabalhar com dados em tabelas, interpretar números, fazer gráficos... Aí, indo adiante, pensei que tipo de problema eu poderia investigar com esse tipo de ferramenta. 

E qual é o problema? Bom, eu observei um fenômeno: vi que alguns pesquisadores estavam tendo dificuldades em pensar sobre a metodologia da sua pesquisa cujo campo seria em alguma rede social na internet. Mais concretamente: se um monografando da Comunicação, por exemplo, quer pesquisar sobre as representações sociais do grupo tal no Facebook, como ele faria para coletar, organizar e analisar os dados desse estudo? (supondo que não seja uma pesquisa bibliográfica pura) 

Essa dificuldade que observei era relacionada ao referencial para essas técnicas. Será que as metodologias de pesquisa social na internet são as mesmas do "mundo real"? (=parte do problema) Provavelmente não, porque as características dessas duas dimensões são diferentes. (=parte da hipótese) Mas, como nominar essas duas "dimensões"? (=parte da fundamentação teórica + conceitos) 

Então, eu quero verificar empiricamente quais são as metodologias que os pesquisadores das Ciências Sociais e da Comunicação estão utilizando pra estudar um objeto na internet. Só daí já saem várias questões. O que eu considero como metodologia? (fundamentação teórica) Quem são esses pesquisadores? De que nível? (universo empírico - quantos/quais elementos) Eu vou ter que escolher um objeto único para esse universo de pesquisadores e pesquisa, pois eu não posso abordar todos os tipos de objetos - seria uma discussão imensa para um TCC. Então eu escolhi "interação em redes sociais" - que é um dos temas que mais me interessam na Sociologia.

Nesse ponto, eu tinha parte do problema, do objeto do problema e até uma hipótese. Foi então que comecei a ler algumas pesquisas em redes sociais e notei que grande parte delas problematizava e levantava questões - longe de ter uma resposta - sobre como fazer pesquisa em ambientes virtuais. Outra grande parcela questionava até a nomenclatura para designar essa face da realidade: ciberespaço, espaço virtual, web, web 2.0...? Eu também quero fazer essa discussão, trazendo vários outros autores e o que eu observar na minha pesquisa empírica.

O recorte da pesquisa empírica que eu penso ser o melhor para abordar isso, no momento, são teses e dissertações de universidades brasileiras (recorte na origem dos dados) defendidas de 2005 a 2010 (recorte no tempo) disponíveis no Banco de Teses da CAPES (fonte dos dados). No entanto, trabalhar com todas as teses e dissertações seria algo impraticável. Então eu recortei mais a amostra, delimitando nas áreas de Ciências Sociais e Ciências da Comunicação e, dentro destas, só os trabalhos dos programas de pós-graduação melhor avaliados pela CAPES (ou seja, com nota 5 ou mais na avaliação da época).

O que eu fiz, por enquanto, além de um pouco da fundamentação teórica, foi uma pesquisa exploratória, para ver se o meu problema e a minha abordagem empírica sobre ele faziam sentido na prática. Felizmente deu certo, mas já foi muita informação, deixo pra explicar em outro dia. :)

07 setembro 2011

Objetivos em um projeto de pesquisa

No momento da elaboração dos objetivos para um projeto de pesquisa, é bastante comum a questão sobre os verbos a serem utilizados. Em primeiro lugar, é importante que dentro dos objetivos específicos, estes sejam listados em uma hierarquia de importância no processo investigativo. Por exemplo: primeiro se busca observar ou reconhecer para depois ordenar, especificar ou relatar e, mais adiante, explicar, analisar, relacionar ou distinguir.

Abaixo seguem alguns verbos que podem auxiliar na organização dos objetivos do projeto:



NÍVEIS
VERBOS
CONHECIMENTO
A apropriação do conhecimento pelo pensamento, seja qual for a concepção dessa apropriação: como definição, percepção clara, apreensão completa, análise, etc.
Apontar
Registrar
Enunciar
Enumerar
Citar
Exemplificar
Marcar
Reconhecer
Repetir
Identificar
Medir
Classificar
Evocar
Nomear
Relacionar
Distinguir
Estabelecer
Inscrever
Ordenar
Definir
Relatar
Expressar
Sublinhar
Calcular
Descrever
Especificar
COMPREENSÃO
Habilidade de exprimir, com precisão de conceitos, identificando-os em situações diversas, demonstrando-os ou explicando-os.
Concluir
Determinar
Estimar
Ilustrar
Interpretar
Predizer
Relatar
Traduzir
Deduzir
Descrever
Explicar
Induzir
Localizar
Preparar
Reorganizar
Transcrever
Demonstrar
Diferenciar
Exprimir
Inferir
Modificar
Prever
Representar
Transformar
Derivar
Discutir
Extrapolar
Interpolar
Narrar
Reafirmar
Revisar
Transmitir
APLICAÇÃO
Habilidade de empregar princípios, regras ou métodos adquiridos na resolução de situações-problema.
Aplicar
Empregar
Ilustrar
Operar
Selecionar
Demonstrar
Estruturar
Inventariar
Interpretar
Usar
Desenvolver
Esboçar
Organizar
Praticar
Dramatizar
Generalizar
Relacionar
Traçar

ANÁLISE
Habilidade de distinguir elementos de uma comunicação, sua inter-relação e estruturação.
Analisar
Comparar
Debater
Discutir
Investigar
Calcular
Criticar
Discriminar
Identificar
Examinar
Combinar
Contrastar
Detectar
Experimentar
Provar
Categorizar
Correlacionar
Diferenciar
Distinguir
Deduzir

SÍNTESE
Habilidade de estruturar um conjunto de conhecimentos pessoais; elaborar planos de uma seqüência de operações; de deduzir relações abstratas, produzindo trabalhos originais.
Comunicar
Originar
Planejar
Organizar
Especificar
Formular
Produzir
Coordenar
Constituir
Conjugar
Compor
Documentar
Criar
Esquematizar
Construir
Escrever
Dirigir
Erigir
Codificar
Propor
AVALIAÇÃO
Habilidade de emitir julgamentos a partir de observações sobre a estrutura do material ou a partir de critérios externos.
Argumentar
Decidir
Medir
Validar
Estimar
Precisar
Valorizar
Comparar
Escolher
Taxar
Contrastar
Julgar
Selecionar

21 julho 2011

Formatação de tabelas e quadros

Quais as semelhanças e diferenças entre tabelas e quadros? Qual a utilidade de cada um? Como são formatados? Essas são dúvidas muito comuns e importantes, pois podem comprometer o trabalho.

As tabelas e quadros são elementos importantes em um trabalho pois ilustram os dados de uma forma melhor visualizável que o corpo do texto. Às vezes, relatar os dados ao longo do texto torna-se muito enfadonho e pouco entendível para o leitor, sendo mais adequado o uso de uma tabela ou um quadro para facilitar a leitura dos dados de sua pesquisa.

As tabelas são utilizadas quando os dados a serem demonstrados são numéricos/estatísticos, enquanto os quadros são predominantemente constituídos de dados em forma de texto.

Tanto as tabelas quanto os quadros possuem título e fonte. O título é a identificação do objeto e a fonte indica a referência de onde o elemento foi retirado (no caso de não ter sido elaborado pelo autor do trabalho).

O IBGE define que a formatação das tabelas deve seguir os seguintes parâmetros:

- Centralizada na página;
- Fonte tamanho 10pt (mínimo) a 12pt (máximo);
- Caso a tabela não caiba em uma só página, pode ser dividida, repetindo o cabeçalho;
- Título em negrito e centralizado, acima da tabela;
- Fonte abaixo da tabela, margem alinhada à esquerda (tamanho 10pt)
- Não utiliza-se bordas laterais, apenas acima e abaixo do cabeçalho e abaixo da última linha da tabela, conforme a figura abaixo:

 Fonte: IBGE

Já os quadros, seguem a mesma formatação das tabelas, porém com uma diferença: há bordas nas laterais. O tamanho e alinhamento da letra, além da posição do título e da fonte (referência) são os mesmos da tabela. ;)

Veja também: Indicações básicas sobre o uso de tabelas e gráficos